20 abril 2017

Da manipulação participativa

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Vivemos tempos perigosos, se calhar como sempre, mas quanto mais dentro deles estamos mais perigosos os sentimos. O que mais mudou, pelo menos para mim, é a credibilidade das notícias que circulam pelos media, multiplicados e amplificados pelas redes sociais. Nunca se sabe o que é verdade, o que foi truncado, o que foi escondido, o que foi manipulado.


 


Por isso mesmo a cautela deve ser cada vez maior, quando pretendemos formar uma opinião e partilhar as nossas conclusões, pois os factos são cada vez mais alternativos. Tenho assistido estupefacta à divulgação e partilha de artigos, excertos de reportagens, declarações inflamadas sobre o ataque com armas sírias a 4 de Abril, correspondentes a 2013, 2014 e 2016, mas nunca a este ataque específico. Aliás a única notícia do Conselho de Segurança das Nações Unidas que encontrei em relação ao assunto, realça a impossibilidade de ter sido aprovada uma resolução que condenava o ataque e pedia ao governo sírio que cooperasse numa investigação ao incidente, pelo veto da Rússia (e da Bolívia), que foi consentânea com a do PCP em Portugal, ao recusar-se a votar favoravelmente a condenação parlamentar desse crime de guerra, redireccionando as suas críticas aos EUA por terem retaliado de imediato.


 


É tal a cegueira que muitos não se dão sequer ao trabalho de ler os artigos que linkam, pois se o fizessem aperceber-se-iam de imediato do logro. Há de tudo: repórteres a falarem de um ataque químico de 2013, excertos de um relatório das Nações Unidas, de 2013, sobre o facto dos "Rebeldes" terem acesso armas químicas, documentários de uma televisão de extrema direita sobre os sírio, enfim, um manancial de desinformação que conta com a activa participação da nossa negligência.


 


Não sei quem perpretou o ataque com armas químicas. Fosse quem fosse que o fez, é um crime e deve ser unanimemente condenado. Quanto à Administração Trump, ela é uma ameaça à estabilidade e à paz mundial, antes e depois do ataque à Síria.

19 abril 2017

18 abril 2017

O verdadeiro problema...

... não é a existência de um referendo ou de referendos em democracias, mas sim a inexistência da democracia onde se fazem referendos, como parece ser o caso do votado na Turquia, há 2 dias.


 


Os referendos são instrumentos de democracia directa utilizados em casos específicos, regulados pela lei dos países democráticos. O resultado desses referendos, por muito que nos penalizem, devem ser respeitados, como é o caso do referendo relativo ao BREXIT. Percebe-se agora que os defensores do BREXIT não faziam a mínima ideia do que fariam caso o ganhassem, que não antecipavam, mas o resultado não pode ser escamoteado - a maioria dos cidadãos do Reino Unido quer sair da União Europeia.


 


O mesmo não se pode afirmar confiadamente sobre o referendo turco que pedia autorização para o reforço dos poderes de Erdogan. A Turquia não é uma democracia - perseguições políticas a intelectuais, professores, juízes, queima de livros, censura, prisões, manipulação da informação antes e durante o período de propaganda. Não é o resultado do referendo (que não é fidedigno) que reduz ou pode terminar a democracia quando ela já não existia.

16 abril 2017

Preciso me encontrar


Cartola


 



 Zeca Pagodinho & Marisa Monte


 


 


Deixe-me ir


Preciso andar


Vou por aí a procurar


Rir pra não chorar


Deixe-me ir


Preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar


 


Quero assistir ao sol nascer


Ver as águas dos rios correr


Ouvir os pássaros cantar


Eu quero nascer


Quero viver


 


Deixe-me ir


Preciso andar


Vou por aí a procurar


Rir pra não chorar


Se alguém por mim perguntar


Diga que eu só vou voltar


Depois que me encontrar


 


Quero assistir ao sol nascer


Ver as águas dos rios correr


Ouvir os pássaros cantar


Eu quero nascer


Quero viver


 


Deixe-me ir


Preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar


 


(Deixe-me ir preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar)


 


Deixe-me ir preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar


 


(Deixe-me ir preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar)

08 abril 2017

Da falta de decoro

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Mexia: limitar ordenados de gestores seria "ratar migalhas"


 


Estas são as migalhas de que fala:


 


António Mexia recebeu €5.578 brutos por dia no ano passado

O uso das armas químicas

O facto de se condenar o uso de armas químicas na Síria não é o mesmo que aplaudir o ataque dos EUA. A rapidez com que já se concluiu que tinha sido Bashar al-Assad o responsável, aceitando a intervenção dos EUA sem mais explicações e à margem das Instituições internacionais, recorda o que se passou com a manipulação informativa aquando da guerra do Iraque, nomeadamente com a evidência de existência das armas de destruição maciça. Não podemos, no entanto, escamotear que houve, de facto, um horrível ataque com armas químicas.


 


Mas a estratégia do PCP de tentar desviar o assunto que se discute com outros horríveis pecados do adversário, desculpabilizando os seus aliados, é também conhecido, arcaico e desonesto.

07 abril 2017

Do arcaísmo ideológico ainda vivo

O PCP continua a manter as suas costumeiras características de uma cegueira ideológica arcaica. Inacreditável que, perante um inqualificável crime de guerra na Síria, com a utilização de premeditada de armas químicas, não se tenha juntado ao voto de condenação no Parlamento português. Pelo contrário, condena os EUA pelo bombardeamento que se lhe seguiu.


 


É lamentável e incompreensível.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...