15 julho 2016

Dos tempos que se cruzam

E lá fomos à Fundação Calouste Gulbenkian. Como de costume, um oásis de calma, silêncio, simples sofisticação e bem-estar.


 


Visitámos duas exposições temporárias:


 


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40 anos


Eleições Presidenciais


Um Presidente para todos os Portugueses


 


Esta exposição inaugurou-se no passado 27 de Junho, dia do aniversário das primeiras eleições presidenciais livres e democráticas. Para quem, como eu, viveu esses tempos heróicos, é quase comovente lembrar os dias das campanhas, os cartazes, os discursos, as conferências de imprensa e até o enfarte do miocárdio de Pinheiro de Azevedo, o Almirante sem medo e que tinha sido um pilar no Verão quente de 1975.


 


Aos mais jovens, não percam este pequeníssimo pedaço de história viva, em que observamos os protagonistas de um tempo que nos parece já tão longínquo mas que ainda nos é tão próximo. Um época em que as Forças Armadas eram olhadas como defensoras dos cidadãos e não como um corpo estranho e gastador de recursos, como o é na actualidade e o era antes da revolução de Abril.


 


Ramalho Eanes foi eleito por cerca de 62% dos votos (fez ontem 40 anos da tomada de posse). Quarenta anos passados todos lhe reconhecem uma estatura, uma integridade e um sentido de missão e de serviço público que foram decisivos na democratização do regime e na recuperação da serenidade. É com justiça que tem recebido inúmeras condecorações, mas a maior de todas é o reconhecimento e a gratidão de todos os cidadãos portugueses.


 


À saída estava a passar um fragmento de um comentário da época de... Marcelo Rebelo de Sousa! Já nessa altura comentava, dizia e fazia muitas coisas...


 


Aberta ao público até 27 de Julho.


 


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Linhas do Tempo


 


Esta exposição inscreve-se na comemoração dos 60 anos da própria Fundação Calouste Gulbenkian. Se puder faça pontaria para assistir à visita guiada. Eu gosto de o fazer, mais para perceber melhor a ideia subjacente à exposição e para me dar conta de tantos pormenores e informações que desconheço de todo.


 


Confesso que me desiludiu um pouco. Os fios condutores e as razões da escolhas de algumas obras em detrimento de outras não me parece muito claro. Percebemos que há o conceito de mostrar o que é a colecção adquirida por Calouste Gulbenkian e o que foi adquirido posteriormente, mantendo vivo o museu e actualizando obras e artistas, mas pouco mais.


 


Uma das informações que nos é dada é que Calouste Gulbenkian não adquiriu nenhuma obra de qualquer artista português, o que me fez pensar e indagar o porquê dessa ausência. Vasculhando a sua história não consegui entender a razão para tal esquecimento. Enfim, uma personagem um tanto ou quanto enigmática, cujo legado tem sido determinante no desenvolvimento e divulgação da cultura e da ciência em Portugal.


 


O almoço, desta vez, foi marroquino e muito agradável: tagine de frango com limão e azeitonas e de vaca com ameixa e amêndoas, antecedidas por uma mistura de várias saladas e de paparis com alguns molhos, e acompanhadas de naan (o restaurante é marroquino e indiano). Estava-se bem na esplanada, com um grande senão - os carros estacionados mesmo, mesmo ao lado.

Nice, 14 de Julho de 2016

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Nice, Promenade des Anglais (1891)


Edward Munch


 


A tudo nos habituamos e ao que de pior temos também. A multiplicação da morte e da violência, sem se perceber exactamente em nome de quê, de quem, para quê ou para quem, por muitas explicações mais ou menos informadas, mais ou menos realistas, mais ou menos apaixonadas que ouçamos, transforma a barbárie na norma e nós em seres sem palavras, sem lágrimas, sem paixão para a revolta.


 


Talvez por isso e paradoxalmente a nossa melhor arma seja o silêncio e a indiferença, tratando todo este horror e ignomínia como mais uma distracção de verão.


 


Talvez os mentores de toda esta carnificina em todo o mundo, privados do melhor instrumento terrorista que é a divulgação e a manutenção do medo, percebam que continuaremos a viver e a trabalhar, a passear e a aplaudir, a dançar e a sofrer diariamente com aquilo que nos é mais precioso – a nossa liberdade.

14 julho 2016

Totalmente "out" quando queria estar "in"

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Henrique Gabriel


 


Isto de gozar as férias ao ritmo do que nos apetece, lento ou frenético, decidindo na hora o que se veraneia, não é tão fácil como parece.


 


Decididos a visitar o Museu Gulbenkian, que comemora os seus 60 anos de existência, levantamos a âncora de casa na terça-feira, muito bem-dispostos com a perspectiva de dar uma volta pelas livrarias que estão ao pé, principalmente a Pó dos Livros e a Livraria Europa-América, na Av. Marquês de Tomar.


 


Carro bem estacionado do parque da Av. De Berna, de mão dada até à entrada principal da Fundação, estranhamente esvaziada para um dia de Julho com inúmeros turistas deambulando pela Capital. Percebemos rapidamente porquê: a Gulbenkian fecha precisamente às terças-feiras.


 


Não faz mal, podemos ir lá depois. Avançamos para a Pó dos Livros, da qual ambos gostamos muito. Só que, após subir e descer a Av. Marquês de Tomar, olhando para a esquerda e para a direita, não vislumbramos a livraria. Será que faleceu? O que vale é que o smartphone tudo resolve, maravilha das tecnologias de informação. E não, não faleceu nem está em fase agónica. Descobrimos que se tinha deslocalizado para a Av. Duque de Ávila, há mais de 1 ano, e que continua um espaço muito agradável, com boa exposição e boa variedade de livros.


 


No entretanto, enquanto a procurávamos, entrámos na Livraria Europa-América que tem um Espaço Arte com uma exposição de pintura e escultura, de que destaco as obras de Henrique Gabriel e de Moisés Preto Paulo, muitíssimo interessantes.


 


Enfim, é hora de almoçar - que tal uma esplanada à beira rio? Se bem o pensámos, melhor o fizemos. A Piazza di Mare, ao pé do Museu da Electricidade, era uma escolha que combinava a esplanada, o rio e as saladas. Repetimos o estacionamento do carro, desta vez ao pé do Café In, e fomos a pé, gozando o sol e o azul do Tejo, até à Piazza di Mare. Só que, para além de umas obras, não demos com o dito restaurante. Será que nos enganámos e que era mais ao pé de Algés? Depois de algum tempo tornámos ao smartphone para nos darmos conta de que as ditas obras eram os antigos Piazza di Mare e BBC.


 


Ficámo-nos pelo Café In, concluindo que estávamos completamente out.


 


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Moisés Preto Paulo

13 julho 2016

Começando pelos clássicos

Férias, daquelas que nunca mais acabam, para gozar em pleno, todos os 3600 segundos de cada hora. Preguiça ao acordar, ao levantar, ao pequenalmoçar, preguiça e energia sem perdão, para começar gulosamente este intervalo que se não deverá repetir tão cedo.


 


De quantos filmes empilhados à espera da vez, da paciência e da disponibilidade de espírito, comecei pelos clássicos:


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O rapaz do cabelo verde


(The Boy with Green Hair - 1948)


Joseph Losey


 


Lembrava-me de o ter visto na televisão, já há muitos anos. A única lembrança que tinha era de um libelo anti discriminação, nomeadamente de uma cena em que a professora perguntava, na sala de aula, quantos meninos tinham o cabelo castanho, depois, preto, depois verde, depois vermelho (ruivo), em que o embaraço do ruivinho mostrava que a cor do cabelo não era razão para marginalizações.


 



Nature boy


Eden Ahbez



 Nat King Cole


 


O filme é muito mais que isso. Vê-se muito bem, mesmo depois destes anos todos. É muito ingénuo e cheio de boas intenções, filmado como se fosse uma história de fadas, numa mistura de musical e drama, mas que é uma espécie de grito de alerta para o sofrimento dos órfãos de guerra.


 


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Esta terra é minha


(This Land Is Mine - 1943)


Jean Renoir


 


Há filmes que são eternos. A preto e branco, em plena II Guerra Mundial, este é um filme sobre a humanidade, os homens com as suas contradições, as suas cobardias e os seus heroísmos, em que os bons e os maus não são só bons nem só maus. É o retrato de um País ocupado e da forma como a noção e a necessidade de sobrevivência enformam o relacionamento com o poder e com o opressor. É uma carta de amor a França e à liberdade, em que percebemos como é fácil sermos colaboracionistas ao tentarmos justificar os nossos medos e os nossos sentimentos de ciúme e de amor possessivo, os nossos oportunismos e cegueiras quanto à criação de um mundo novo e de um Homem novo. De uma actualidade intemporal. Jean Renoir fê-lo em Hollywood, onde viveu e trabalhou durante os anos de ocupação da França pelos alemães.


 


12 julho 2016

Put your lights on


 Santana & Everlast


 


Hey now, all you sinners
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you lovers
Put your lights on, put your lights on

Hey now, all you killers
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you children
Leave your lights on, you better leave your lights on

Cause there's a monster living under my bed
Whispering in my ear
There's an angel, with a hand on my head
She say I've got nothing to fear

There's a darkness living deep in my soul
I still got a purpose to serve
So let your light shine, deep into my home
God, don't let me lose my nerve
Don't let me lose my nerve

Hey now, hey now, hey now, hey now
Wo oh hey now, hey now, hey now, hey now

Hey now, all you sinners
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you children
Leave your lights on, you better leave your lights on

Because there's a monster living under my bed
Whispering in my ear
There's an angel, with a hand on my head
She say's I've got nothing to fear
She says: La illaha illa Allah
We all shine like stars
She says: La illaha illa Allah
We all shine like stars
Then we fade away

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Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...