E lá fomos à Fundação Calouste Gulbenkian. Como de costume, um oásis de calma, silêncio, simples sofisticação e bem-estar.
Visitámos duas exposições temporárias:
40 anos
Eleições Presidenciais
Um Presidente para todos os Portugueses
Esta exposição inaugurou-se no passado 27 de Junho, dia do aniversário das primeiras eleições presidenciais livres e democráticas. Para quem, como eu, viveu esses tempos heróicos, é quase comovente lembrar os dias das campanhas, os cartazes, os discursos, as conferências de imprensa e até o enfarte do miocárdio de Pinheiro de Azevedo, o Almirante sem medo e que tinha sido um pilar no Verão quente de 1975.
Aos mais jovens, não percam este pequeníssimo pedaço de história viva, em que observamos os protagonistas de um tempo que nos parece já tão longínquo mas que ainda nos é tão próximo. Um época em que as Forças Armadas eram olhadas como defensoras dos cidadãos e não como um corpo estranho e gastador de recursos, como o é na actualidade e o era antes da revolução de Abril.
Ramalho Eanes foi eleito por cerca de 62% dos votos (fez ontem 40 anos da tomada de posse). Quarenta anos passados todos lhe reconhecem uma estatura, uma integridade e um sentido de missão e de serviço público que foram decisivos na democratização do regime e na recuperação da serenidade. É com justiça que tem recebido inúmeras condecorações, mas a maior de todas é o reconhecimento e a gratidão de todos os cidadãos portugueses.
À saída estava a passar um fragmento de um comentário da época de... Marcelo Rebelo de Sousa! Já nessa altura comentava, dizia e fazia muitas coisas...
Aberta ao público até 27 de Julho.
Linhas do Tempo
Esta exposição inscreve-se na comemoração dos 60 anos da própria Fundação Calouste Gulbenkian. Se puder faça pontaria para assistir à visita guiada. Eu gosto de o fazer, mais para perceber melhor a ideia subjacente à exposição e para me dar conta de tantos pormenores e informações que desconheço de todo.
Confesso que me desiludiu um pouco. Os fios condutores e as razões da escolhas de algumas obras em detrimento de outras não me parece muito claro. Percebemos que há o conceito de mostrar o que é a colecção adquirida por Calouste Gulbenkian e o que foi adquirido posteriormente, mantendo vivo o museu e actualizando obras e artistas, mas pouco mais.
Uma das informações que nos é dada é que Calouste Gulbenkian não adquiriu nenhuma obra de qualquer artista português, o que me fez pensar e indagar o porquê dessa ausência. Vasculhando a sua história não consegui entender a razão para tal esquecimento. Enfim, uma personagem um tanto ou quanto enigmática, cujo legado tem sido determinante no desenvolvimento e divulgação da cultura e da ciência em Portugal.
O almoço, desta vez, foi marroquino e muito agradável: tagine de frango com limão e azeitonas e de vaca com ameixa e amêndoas, antecedidas por uma mistura de várias saladas e de paparis com alguns molhos, e acompanhadas de naan (o restaurante é marroquino e indiano). Estava-se bem na esplanada, com um grande senão - os carros estacionados mesmo, mesmo ao lado.