13 julho 2016

Começando pelos clássicos

Férias, daquelas que nunca mais acabam, para gozar em pleno, todos os 3600 segundos de cada hora. Preguiça ao acordar, ao levantar, ao pequenalmoçar, preguiça e energia sem perdão, para começar gulosamente este intervalo que se não deverá repetir tão cedo.


 


De quantos filmes empilhados à espera da vez, da paciência e da disponibilidade de espírito, comecei pelos clássicos:


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O rapaz do cabelo verde


(The Boy with Green Hair - 1948)


Joseph Losey


 


Lembrava-me de o ter visto na televisão, já há muitos anos. A única lembrança que tinha era de um libelo anti discriminação, nomeadamente de uma cena em que a professora perguntava, na sala de aula, quantos meninos tinham o cabelo castanho, depois, preto, depois verde, depois vermelho (ruivo), em que o embaraço do ruivinho mostrava que a cor do cabelo não era razão para marginalizações.


 



Nature boy


Eden Ahbez



 Nat King Cole


 


O filme é muito mais que isso. Vê-se muito bem, mesmo depois destes anos todos. É muito ingénuo e cheio de boas intenções, filmado como se fosse uma história de fadas, numa mistura de musical e drama, mas que é uma espécie de grito de alerta para o sofrimento dos órfãos de guerra.


 


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Esta terra é minha


(This Land Is Mine - 1943)


Jean Renoir


 


Há filmes que são eternos. A preto e branco, em plena II Guerra Mundial, este é um filme sobre a humanidade, os homens com as suas contradições, as suas cobardias e os seus heroísmos, em que os bons e os maus não são só bons nem só maus. É o retrato de um País ocupado e da forma como a noção e a necessidade de sobrevivência enformam o relacionamento com o poder e com o opressor. É uma carta de amor a França e à liberdade, em que percebemos como é fácil sermos colaboracionistas ao tentarmos justificar os nossos medos e os nossos sentimentos de ciúme e de amor possessivo, os nossos oportunismos e cegueiras quanto à criação de um mundo novo e de um Homem novo. De uma actualidade intemporal. Jean Renoir fê-lo em Hollywood, onde viveu e trabalhou durante os anos de ocupação da França pelos alemães.


 


12 julho 2016

Put your lights on


 Santana & Everlast


 


Hey now, all you sinners
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you lovers
Put your lights on, put your lights on

Hey now, all you killers
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you children
Leave your lights on, you better leave your lights on

Cause there's a monster living under my bed
Whispering in my ear
There's an angel, with a hand on my head
She say I've got nothing to fear

There's a darkness living deep in my soul
I still got a purpose to serve
So let your light shine, deep into my home
God, don't let me lose my nerve
Don't let me lose my nerve

Hey now, hey now, hey now, hey now
Wo oh hey now, hey now, hey now, hey now

Hey now, all you sinners
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you children
Leave your lights on, you better leave your lights on

Because there's a monster living under my bed
Whispering in my ear
There's an angel, with a hand on my head
She say's I've got nothing to fear
She says: La illaha illa Allah
We all shine like stars
She says: La illaha illa Allah
We all shine like stars
Then we fade away

04 julho 2016

A noite do meu bem


 Dolores Duran


 



 Zizi Possi


 



 Nana Caymmi


 



 Milton Nascimento


 


Hoje eu quero a rosa mais linda que houver


quero a primeira estrela que vier


para enfeitar a noite do meu bem


 


Hoje eu quero paz de criança dormindo


quero o abandono de flores se abrindo


para enfeitar a noite do meu bem


 


Quero a alegria de um barco voltando


quero ternura de mãos se encontrando


para enfeitar a noite do meu bem


 


Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo


eu quero toda beleza do mundo


para enfeitar a noite do meu bem


 


Mas como esse bem demorou a chegar


eu já nem sei se terei no olhar


toda ternura que eu quero lhe dar

03 julho 2016

Das surpresas pouco surpreendentes

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Helder Oliveira


 


É claro que Maria Luís Albuquerque tem toda a razão.


 


Se ela fosse (ainda) Ministra das Finanças, significaria que o governo do País era (ainda) de direita e que o Primeiro-ministro seria (ainda) Passos Coelho, e que o Vice Primeiro-ministro seria (ainda) Paulo Portas.


 


Ou seja, que a Comissão Europeia e o Eurogrupo certamente nunca avançariam com sanções a Portugal, mesmo que o défice tivesse dobrado os 3%.


 


Ou seja, que Wolfgang Schäuble e Klaus Regling não estariam minimamente preocupados com Portugal, porque Portugal (ainda) era um membro de pleno direito do status quo europeu.


 


Ou seja, a vontade de sancionar Portugal não tem nada a ver com o défice de 2015, mas apenas com a ousadia e o despautério deste País por ter arranjado uma Geringonça, ao contrário da Caranguejola que o status quo europeu queria que (ainda) governasse.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...