10 junho 2015

Do dia de Portugal

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 10 de Junho de 2015


 


Vemos desfilar as figuras


numa pompa de bonecos articulados


as marcas no chão


desenhos de um encenador empalhado


passadeiras e banda de música


enfáticos soldados de chumbo


neste País apalhaçado


no entretém de vizinhas à janela.


E a voz de pároco do burgo


redonda e ciciada como convém


a soar pelos ares de entulho


numa bênção colada a ninguém


meu País triste e alheado


da irrelevância das almas sem orgulho.

09 junho 2015

Um dia como os outros (158)

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 (...) A escolha que Sócrates fez é óbvia. Mas muitíssimo dura. Ela retrata a personalidade do ex-primeiro-ministro. Se é verdade que, como todos sempre souberam, ele se alimenta do combate e do conflito, decidir continuar a viver numa cela não é para qualquer um. Revela coragem. O que obriga as pessoas, independentemente das suas convicções sobre a culpa ou inocência de Sócrates, a reconhecer-lhe pelo menos essa qualidade. (...)


Daniel Oliveira


 


(...) José Sócrates, para recusar a oferta de prisão domiciliária anilhada com pulseira eletrónica, relata: "Seis meses sem acusação. Seis meses sem acesso aos autos. Seis meses de uma furiosa campanha mediática de denegrimento e de difamação, permitida, se não dirigida, pelo Ministério Público". É isto verdade?... É.


É cristalinamente verdade. É repetidamente verdade em inúmeros outros casos. É uma verdade permitida pela aplicação de uma falácia chamada segredo de justiça.(...)


Pedro Tadeu

07 junho 2015

Por um governo decente

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 AXIMAGE - 7 de Junho de 2015


 


António Costa e o PS estão a fazer uma campanha limpa e séria, como já há muito tempo não se assistia. O programa eleitoral está publicado, para que quem quiser o leia e discuta, o compare com o da coligação de direita que, a reboque da iniciativa do PS, se sentiu na obrigação de apresentar propostas.


 


O PS, segundo as várias sondagens que vão sendo conhecidas, não consegue uma maioria absoluta. Os valores de abstenção da última sondagem da AXIMAGE situam-se em 35%. É aqui que António Costa e a sua equipa se devem concentrar.


 


É indispensável que o PS convença o eleitorado da importância de conseguir uma maioria absoluta. Como se esperava, o PCP e o BE (não falando noutras formações mais ou menos folclóricas, mais ou menos bem intencionadas) continuam a atacar o PS colando-o ao PSD e CDS. Esta legislatura não lhes ensinou nada, tal como não ensinaram nada as décadas que decorreram desde o 25 de Novembro de 1975, em Portugal e no resto do mundo. Para conseguir aplicar o seu programa, aquele que vai defender em campanha eleitoral, o PS tem de convencer o País a dar-lhe autonomia e a responsabilidade não partilhada para os próximos 4 anos.


 


As alianças pós eleitorais estão nas mãos dos eleitores. Mas os eleitores têm que ser bem esclarecidos do significado da ausência de uma maioria absoluta, tanto para a esquerda como para a direita.


 


A grande diferença é que, à esquerda, não há interlocutores que permitam uma coligação com coerência e com o mínimo de estabilidade. Por muito que o PS se esforce, a sua natureza intrinsecamente democrática e a sua opção por uma economia aberta afasta-o das formações que se dizem de esquerda, defensoras de uma utopia que apenas se materializou em totalitarismos. A sua opção por um Estado que garanta os direitos e os apoios sociais aos cidadãos, um estado promotor de igualdade e desenvolvimento em vez de um Estado mínimo e anémico, afasta-o desta direita trauliteira e retrógrada.


 


Não é entre Passos Coelho e António Costa que os eleitores hesitam mas sim entre António Costa e a demissão de votarem. António Costa, os seus mais próximos conselheiros, os órgãos dirigentes, os militantes e os simpatizantes terão que, persistente e aplicadamente, vencer a propaganda diária dos comentadores, dos alinhamentos noticiosos e da desinformação permanente.


 


O País precisa de um governo decente, para que se recupere a dignidade de viver com segurança e com confiança no futuro. Não há margem para falhar. É urgente a mudança.

06 junho 2015

Do estado turístico


Hoje é sábado, amanhã é domingo.


(...)


O dia é sábado.


(...)*



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É o melhor dia da semana. Então quando solarengo e quente, à beira rio, nada melhor para nos apaziguarmos com o mundo. Além disso, para além de não haver nada como o tempo para passar*, há sempre a apreciação das regatas, do sol coado pelas lentes escuras, do brilho reflectido no Tejo e dos passeantes.


 


E se há gente nestes dias, uma classe de gente que se multiplica e prolifera por todas as cidades turísticas – os turistas. De todas as etnias, de todos os continentes, de todas as idades, em comum a ser e estar-se turista.


 


Essa comunhão no ser e no estar forma uma espécie de irmandade com os seus códigos de conduta. Desde o aspecto vincadamente despreocupado e alegre à estudada indumentária para passear, usufruindo das delícias indígenas e documentando aplicadamente momentos para publicar nas redes sociais, os turistas cumprem a sua função com um profissionalismo empenhado.


 


E assim podemos distinguir aqueles que se passeiam obrigatoriamente vestidos de calções, blusas fluidas de cores berrantes, preferencialmente com motivos florais, óculos escuros coloridos de verde, rosa choque, azul ou preto, sempre espelhados, chapéus que se evidenciam pela enormidade das abas (mesmo a ausência das copas) e nos pés as globalizadas havaianas, sandálias rasas de sola fina, totalmente incómodas, fazendo com que cada pedra da calçada seja sentida pelos doridos pés (a modalidade sandálias-com-meias reduz este problema); em alternativa há ténis com as cores o mais diferentes possível das flores das blusas. Não esquecer as mochilas, as garrafas de água e os telemóveis para as selfies. Há uma minoria mais sofisticada que se passeia com máquinas fotográficas (retro) a tiracolo.


 


Importantíssima a atitude de boca escancaradamente aberta em sorrisos admirativos, a voz suficientemente alta para se ouvirem as arrebatadas exclamações de felicidade. Podemos imaginar qualquer pacata e discreta criatura, no seu dia-a-dia de trabalhadora, comedida no falar e no vestir, transfigurada neste estado turístico passageiro e cíclico, tal qual as estações do ano.


 


*Dia da Criação

24 maio 2015

Não há fome que não dê em fartura (3)

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 Obviamente que é apenas porque nos portámos todos muito bem e já podemos ter um prémio:


Governo admite acelerar eliminação da sobretaxa de IRS


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Não há fome que não dê em fartura (2)

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 Passos Coelho em relação à reposição salarial da Função Pública:


"Parece-nos fazível"


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Parece-lhe fazível.


 

Do tempo dos gelados

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Aqui há umas semanas, por motivos que não vêm ao caso, fiquei em casa com um caixote de belos e perfumados morangos. Incapazes de os comermos a tempo de não se estragarem, resolvi congelá-los.


 


Resolvi experimentar fazer um gelado de morango. Descongelei-os (ficaram um pouco mirrados e a nadar na água que largaram), triturei-os com a varinha mágica (com a respectiva água), tudo junto com o peso de 1 kg; juntei 500 g de açúcar e, à parte, bati 600 ml de natas até ficarem espessas. Incorporei as natas batidas na papa de morangos açucarados, distribuí por caixas e congelei. Para regar o gelado, derreti chocolate negro (70% de cacau) com um pouco de leite e umas colheres de açúcar (uma 3, de sopa).


 


Ficou maravilhoso. Só faltou o crocante. Ainda tenho mais uns tantos congelados, talvez me atreva a outra coisa qualquer.


 


Entretanto alguns dos frascos de compota de abóbora que tardam em ser deglutidos também foram reciclados em gelado. No fundo o princípio é o mesmo. Juntei o doce às natas batidas (na mesma proporção) e congelei. Ainda ficou melhor, mesmo sem molho e sem crocante. Fica mais cremoso que o de morango.


 


Enfim, um estrondo.

  Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...