01 fevereiro 2015

Da alucinante rapidez concursal

Vários jornais noticiaram que apenas 85 vagas de um total de 200 para médicos de Medicina Geral e Familiar tinham sido preenchidas, pelo que iria abrir novo concurso.


 


Portanto, para além de 37 candidaturas excluídas, o que significa que havia menos 78 concorrentes [(200-(85+37)]=que número de lugares, ficamos a saber que o concurso abriu em Abril passado, ou seja, há 9 meses. Pelo que entre o anúncio do novo concurso até à concretização do mesmo e depois até à sua conclusão... talvez lá para 2016 estejam apurados mais alguns médicos a contratar.

...ou afinal não

O Júri (enfim, apenas 2 dos 3 membros) pronunciou-se sobre ambos: gostaram mais do "Estufado de novilho com vegetais em cama de arroz de tomilho" do que da "Tarte folhada de maçã macerada em rum, com gratinado da mesma em crosta de amendoim", o que me deixou muito descoroçoada.


 


As críticas abrangeram a crosta de amendoim, que parece não fazer falta, notando-se o sabor mas não ligando lá muito bem. O veredicto foi: deixa-se comer


 


Quanto ao estufado foi bastante apreciado: estava tenro e bem temperado, com um aroma apetitoso. Mas, na verdade, não vi ninguém esfusiante de felicidade... 


 


Resumindo - a Chefe ainda não sou Eu... - lá terei que esperar mais uns tempos pelo brilho nas Manhãs da Comercial.

A Chefe sou Eu...

Está decidido. O próximo MasterChef será meu, só meu, vencedora incontestada, manejando célere os instrumentos mais afiados, desde descascadores de cenouras (utensílio recentemente descoberto) até raladores e máquinas 123, tudo num grande rodopio. Não será a full-course dinner em 90 minutos, mas uma two-course meal fiz eu hoje, em 120 (com a insignificante ajuda da panela de pressão).


 


Ao contrário dos concorrentes aprendizes dos vários programas que correm pelo mundo, comecei pela sobremesa, que eu andava a magicar já há algum tempo. E tudo isto porque queria arranjar uma tarte que não contivesse natas, nem farinha, a mais saborosa, leve e deliciosa (e dietética, se é que isso pode existir) tarte do mundo. Além do facto de ter umas maçãs que queria despachar, por já estarem a ficar um pouco avelhentadas.


 


Mas isso são pormenores. Armada de todas as aprendizagens nas horas somadas das observações de culinária às audições de O Chefe sou Eu, com o Chef Avillez, estou transformada numa Chefe Sofia sem chapéu nem jaqueta mas capaz de descascar, pelar, triturar e amassar o que for preciso, sem medo nem compaixão.


 


Voltemos à tarte e comecemos pelo nome – importantíssimo, diria mesmo fundamental!


 


"Tarte folhada de maçã macerada em rum, com gratinado da mesma em crosta de amendoim"


 


Então, não soa bem?



  • Forra-se uma tarteira, daquelas antiaderentes e com o fundo amovível, com uma folha de massa folhada já feita, daquelas que se compram com papel vegetal (aquela chinesice de fazer a pasta fresca não é para mim); liga-se o forno para ir aquecendo; cortam-se em pedacinhos as maças descascadas até pesar 500 g; mistura-se com 400 g de açúcar amarelo, raspa de 1 limão, 2 colheres de café de canela em pó e uma boa golada de rum (eu usei rum porque era o que tinha em casa, visto que os maravilhosos licores já são só boas memórias) e deixa-se ao lume até ganhar um pouco de ponto – até as maçãs ficarem bem moles e a calda começar a ficar tipo mel e acastanhada; tritura-se com a varinha mágica e deixa-se a papa resultante a arrefecer.

  • Partem-se 3 ovos para uma taça e mistura-se um requeijão (eu usei um de leite de vaca, ovelha e cabra), batendo-se até estar tudo ligado – fica assim com uns grumos de requeijão, mas não faz mal. A seguir junta-se a papa de maçã a esta mistura e deita-se para dentro da tarteira. Cortam-se mais umas maçãs (para mim foram 1 e meia) descascadas em fatias finas e distribuem-se em cima da tarte, cobrindo a superfície.

  • Enquanto as maçãs estão ao lume, fui procurar a parte crocante, tão ao gosto dos grandes cozinheiros (como eu, evidentemente). Estava convencida que tinha uns flocos de cereais dietéticos mas não os encontrei. Em vez disso apareceu-me um saco de amendoins. Descasquei uns tantos, reduzi-os a pó com a picadora 123 e misturei-os muito bem com mais um bocado de açúcar amarelo (não sei dizer as quantidades porque foi a olhómetro). Pois foi este granulado que espalhei em cima das fatias fininhas da maçã.

  • E ao lume com ela, entre o baixo e o médio, onde esteve cerca de meia hora.


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A seguir fui para o main-course:


 


"Estufado de novilho com vegetais em cama de arroz de tomilho"


 



  • 2 cebolas, 4 dentes de alho, uma caixinha pequena de bacon aos bocadinhos, 2 tomates sem pele, 2 cenouras, 1 pimento verde e outro vermelho, um pouco de azeite e um molho de salsa para dentro da panela, ao lume; depois cortei uma carne de novilho (1 kg rotulada de maravilhosa para estufar), retirando-lhe as gorduras a mais - também para dentro da panela; temperei com um pouco de sal (a medo, por causa do bacon) e um pouco de pimenta moída, um copázio de vinho branco; deixei fervilhar um pouco, rectifiquei os temperos e deixei na pressão por 30 minutos. Foi acompanhado de arroz singelamente branco (com um pouco de tomilho).


 


Aguardemos que os comensais se manifestem...

31 janeiro 2015

Amor é...

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Saber de cor todos os legumes dietéticos que ela pode comer...

Das (in)confidências de Belém

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O Presidente da República não se pode arrogar a presunção de estar acima de qualquer esclarecimento sobre as conversas alegadamente privadas com quaisquer interlocutores, quando usa o seu alto magistério para confortar e aclamar os cidadãos, afiançando a solidez e segurança de grupos económicos e de empresas bancários, como fez no caso do BES.

Da revolução democrática (2)

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Acabaste de matar a troika


 


A vitória do Syriza na Grécia tem muita importância e deve ser por todos nós atentamente analisada em vários aspectos:



  1. A radicalização do eleitorado e o crescimento do populismo é a demonstração do desespero e do desencanto dos cidadãos com os tradicionais partidos democráticos no poder, que não souberam lidar com a crise e que se distanciaram do eleitorado, aceitando a submissão e a defesa de políticas claramente contra o interesse e o bem estar dos cidadãos, a falta de dignidade e soberania dos seus povos, o empobrecimento e o crescimento das desigualdades, deixando-se levar nos jogos de poder opacos e não democráticos dos vários actores internacionais, nomeadamente europeus.

  2. A coligação entre o Syriza (extrema-esquerda) e o partido de direita Anel ou Gregos Independentes é uma aliança circunstancial, nascida de uma posição comum em relação à rejeição das medidas impostas pela Troika. Significa isto que as alianças ou definições esquerda/direita já não existem? Ou que há desígnios nacionais, mais ou menos populistas, que justificam alianças que nos parecem contra-natura?. Nada disto é novo; vale a pena, mais uma vez, estarmos atentos e preocupados.

  3. A posição do governo grego em relação à Europa, independentemente do resultado, é uma saudável pedrada no charco e provoca um irresistível aplauso de todos quantos não queremos a continuação desta ordem que nos governa. Os gregos escolheram quem querem que defenda o seu país, tal como todos os países o deveriam fazer, ao contrário do que é apanágio do governo de Passos Coelho/ Paulo Porta, com a sua cegueira ideológica, essa sim, verdadeiramente irrevogável.

  4. Nesse sentido é de saudar o braço de ferro entre o recém-eleito governo grego e a cúpula europeia, pelo que significa de vontade de lutar. O PS não tem que ser igual ao Syriza, tem que aproveitar todas as oportunidades de fazer valer a sua posição de defesa dos interesses portugueses, com os países que tentam fazer contra-corrente à ideologia prevalente destes últimos anos. A Europa não pode ser um torno em volta de alguns elos mais fracos. Não se pode permitir a inqualificável ingerência de ministros alemães e outros nas escolhas eleitorais dos países membros.

  5. O PS deve reflectir bem nas respostas que terá quando for governo, esperemos que com maioria absoluta, das posições que terá perante os parceiros europeus e das coligações que poderá implementar, facilitar ou favorecer para que haja uma maior democratização e igualdade a nível dos decisores internacionais.


Espero sinceramente que as negociações, embora durascorram bem, que se chegue a um equilíbrio e que haja, finalmente, pelo menos o início de uma mudança. A Grécia é um país soberano, tal como Portugal, Irlanda, Itália, Reino Unido, França, Espanha ou Alemanha e os seus cidadãos querem ser tratados como tal. De uma vez por todas que acabe a propaganda que tentou convencer toda a gente que os cidadãos só tinham direito àquilo que as contabilidades organizadas por 2 ou 3 países, chefiados pela Alemanha, podiam disponibilizar. Governar é mais que isso, tem que ser mais que isso.

26 janeiro 2015

Da desigualdade no acesso à Universidade

A desigualdade gritante no acesso à Universidade tem décadas e é um assunto a que ninguém quer dar atenção. No último Expresso e, agora, na RTP 2, falou-se da divulgação de um estudo de Gil Nata e Tiago Neves, que demonstra que há uma acentuada inflação das notas, mais no ensino privado que nos público, mais em certas regiões do país que noutras, estudo esse que não consegui encontrar no portal InfoEscola.


 


vários anos que defendo que seria preferível fazer exames nacionais a todos os candidatos, sendo a nota de exame aquela que se considerava para o acesso à Universidade. Ou então permitir que cada Universidade tivesse as suas próprias provas de acesso. Pelo menos colocaria todos os candidatos em pé de igualdade. Por muito injusta que seja uma prova na avaliação de conhecimentos, é menos injusta que a situação presente, em que há uma elite que paga e compra as notas de entrada nas Faculdades.


 


É um escândalo que nada se tenha feito em tantos anos, permitindo esta claríssima violação do princípio Constitucional que se convoca para outras matérias (e bem) - o da igualdade.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...