17 janeiro 2015

Isto é fundamental

o pai tirano.jpg


Estive há dias a rever O Pai Tirano e, como de todas as vezes que o faço, ri deliciada com esta comédia.


 


É muito típico da nossa forma de viver dizermos mal de tudo o que somos e fazemos. Este filme estreou em 1941 e continua a ser uma excelente comédia. É uma história construída à volta do teatro, com o teatro e para o teatro, sendo um fantástico produto cinematográfico.


 


Com um argumento muitíssimo bem escrito, num jogo bem disposto e despretensioso entre o real e o figurado, brinca com os amores e desamores, com o conservadorismo e o modernismo, com as relações entre as classes e os géneros, com a pseudo intelectualidade sempre presente numa capital que se queria cosmopolita, com a vida quotidiana dos bairros da gente mediana e trabalhadora.


 


Com actores brilhantes, alguns por serem muito bons e outros por serem muito maus, é uma sucessão de situações hilariantes e disparatadas que prendem o espectador do princípio ao fim. Cá por casa há quem saiba as deixas, as do Sr. Seixas e de todos os outros, de cor e salteado.


 


Recomendo vivamente, contra todas as mazelas físicas, mas principalmente psíquicas, com repetição sempre que for preciso.


 


Isso é fundamental!

Fado triste


Vitorino


Vai ó sol poente


vai e não voltes


sem trazer no primeiro raio


notícias de quem se foi


numa madrugada amarga e triste


um navio de proa em riste


levou tudo o que eu guardei


 


Na caixa escondida dos afectos


no lembrar dos objectos


que enfeitavam o meu quarto


tudo perde a cor a forma o cheiro


ficaram só coisa esquecidas


da importância que tiveram


 


Volto sempre ao rio


às sextas-feiras p´ra lembrar


dias descuidados noites à toa


espero que o navio sempre queira


trazer de volta o sussurro


dos teus passos


numa rua de Lisboa

Dos significantes e do significado

jesuiescharlie.JPG


A afirmação Je suis Charlie não significa que se goste ou se concorde com o conteúdo dos cartoons, que se compreenda a ofensa de quem se sente provocado – são provocantes e ofendem.


 


Mas não é isso que está em causa – ser-se Charlie é o grito de revolta perante a inqualificável e inaceitável aceitação, mesmo que politicamente correcta, de que se não devem publicar esses cartoons.


 


É grave e significativo que se tentem de alguma forma justificar as reacções às ditas provocações – quais são aceitáveis e inaceitáveis, tanto as provocações como as reacções? Há pessoas que têm responsabilidades acrescidas e o Papa é uma delas. Nada, mesmo nada pode justificar o terrorismo.

Da urgente necessidade de afirmação de propostas políticas

O problema das urgências hospitalares tem décadas, já atravessou várias legislaturas e vários governos, de esquerda e de direita. Para além da importância da implementação de serviços de urgência hospitalar autónomos, como tem sido reivindicado por associações médicas (assuntoaqui tratado várias vezes), para além da reformulação das competências e formação dos Enfermeiros e outros Técnicos de Saúde, que é um assunto que tem sido evitado pela Ordem dos Médicos, quando não tratado de forma leviana, nunca será resolvido sem que se reestruture a rede de cuidados de saúde com enfoque e centralização nos cuidados primários – centros de saúde, unidades de saúde familiares ou outros nomes que se lhes dêem.


 


A cíclica revelação de casos de esperas inaceitáveis em serviços de urgência que, imediatamente se associam à morte dos doentes, sem que se saiba e se demonstre uma ligação entre as mesmas, neste momento político, não é inocente, tal como não o foi a revoada de nascimentos nas ambulâncias e de mortes à espera do INEM, na éopca de Correia de Campos.


 


Estamos, obviamente, em presença de uma manipulação dos media para fragilizar um ministro que, até agora, e apesar de todas as insuficiências e políticas desastrosas deste governo, tem sabido preservar minimamente a sua imagem e, acredito, a performance do SNS. Mas milagres não existem e está patente a enorme insuficiência de recursos humanos em todo o sistema, a falta de investimento em equipamentos nas unidades do SNS, o incentivo ao desvio dos doentes para o sector privado, etc.


 


Mais uma vez, este problema não é novo. A escassez de médicos é um resultado de políticas que se iniciaram no tempo de Leonor Beleza com a conivência activa da Ordem dos Médicos, o acesso aos cursos de medicina, apesar do aumento das vagas, continua a ser injusto e enviesado, e renovam-se as premonições do desemprego médico, quando é gritante a falta dos mesmos, em tantas áreas. O que não tem havido é capacidade nem vontade de os colocar onde eles são necessários, fazendo uma renovação das gerações que se estão a reformar e criando um problema adicional que é a inundação de serviços depauperados com gente que necessita de formação e tutela e não as vai ter.


 


Continuo à espera que o PS, como partido que procura uma maioria absoluta para governar este desgoverno, proponha uma reforma, reestruturação, ou outra qualquer palavra que tenha um significado semelhante, com as seguintes prioridades:



  1. Investir nos cuidados primários de saúde – descentralizar o sistema deslocando a porta de entrada dos doentes para os seus centros de saúde, afastando-as do sistema hospitalar;

  2. Prover esses centros de saúde com meios de diagnóstico de rotina, próprios ou contratualizados, para que possam tratar e seguir doentes com patologias crónicas;

  3. Prover os centros de saúde de consultas de especialidade por especialistas, que possam acompanhar os doentes na comunidade, em vez de terem que sobrecarregar os hospitais, incluindo pequenas cirurgias, estomatologia, oftalmologia, etc, para que permitisse a saudável e indispensável convivência interdisciplinar com os médicos de medicina geral e familiar;

  4. Rever e providenciar para que as carreiras de enfermagem e de técnicos de diagnóstico e terapêutica possam assumir determinadas funções que, ao contrário de retirarem competências aos médicos os ajudam e os preservam para actos e funções que só eles podem fazer, com a respectiva formação e recertificação de competências;

  5. Rever e reestruturar as redes e os serviços hospitalares, começando por definir as prioridades de atendimento e de serviços oferecidos, com base no conhecimento das patologias e realidade/ dimensão das populações – investir em centros de estudo epidemiológico, estatístico, como o registo oncológico nacional, etc.

  6. Reajustar e renovar os quadros de recursos humanos, em todas as vertentes, mantendo uma estrutura que permita a formação dos mais novos e a optimização e eficiência do funcionamento dos serviços

  7. Alterar as remunerações do pessoal de saúde, com uma avaliação do desempenho real e rigorosa, adaptada a cada área e a cada função, motivando e premiando o mérito

  8. Apoiar e incentivar a formação contínua, a recertificação e a acreditação dos serviços e dos profissionais, numa cultura de verdadeira aposta na qualidade – redução dos riscos.


O PS tem que começar a dar respostas a este tipo de questões e a propor alterações exequíveis, realistas e que motivem e estimulem os profissionais. Falo da saúde, mas há todas as outras áreas que esperam propostas. E para isso não precisa de esperar pelas alterações da política europeia.

15 janeiro 2015

Esperame en el cielo


canta Agnès Jaoui


 


Esperame en el cielo corazon
Si es que te vas primero
Esperame que pronto yo me ire
Ahi donde tu estes
Esperame en el cielo corazon
Si es que te vas primero
Esperame en el cielo corazon
Para empezar de nuevo


 


Nuestro amor es tan grande y tan grande
Que nunca termina
Y esta vida es tan corata y no basta
Para nuestro idilio
Por eso yo te pido porfavor
Me esperes en el cielo
Y ahi entre nuves de algodon
Haremos nuestro nido


 


Nuestro amor es tan grande y tan grande
Que nunca termina
Y esta vida es tan corata y no basta
Para nuestro idilio
Por eso yo te pido porfavor
Me esperes en el cielo
Y ahi entre nuves de algodon
Haremos nuestro nido

10 janeiro 2015

Dos esclarecimentos explícitos

É importante não confundir a livre condenação de cartoons, editoriais, artigos de opinião ou outras formas de liberdade de expressão com o impedimento que elas existam, com o assassinato de pessoas. Embora haja muitas tentativas sub-reptícias e bem sucedidas de censura, nomeadamente o politicamente correcto, há uma diferença abissal entre isso - que se denuncia com a mesma liberdade - e a execução dos considerados blasfemos.


 


Além disso também há a liberdade de discordar e de se ofender, mas para isso serve a lei, os tribunais, a possibilidade do recurso ao contraditório, como agora está na moda dizer-se. Nada, mesmo nada, pode justificar qualquer tipo de atentado terrorista.

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Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...