10 junho 2014

Do respeito sem inho


Público


 


A deriva populista e demagógica varre toda a sociedade portuguesa. A onda de ódio antipolítica e antipolíticos é um sintoma de falta de cultura democrática tão evidente como a preocupação em censurar imagens ou em calar manifestantes.


 


Já tenho aqui dito mais de uma vez que me incomoda que haja grupos de agitação permanente à espera dos representantes políticos para os apuparem, insultarem, acusarem. Aqueles que agora compreendem o povo que se manifesta contra Cavaco Silva, ministros, deputados, autarcas, não terão a mesma tolerância quando essas manifestações forem contra eles. Passou-se com Sócrates, com Maria de Lurdes Rodrigues, com Crato, com Relvas, com Correia de Campos, com Paulo Macedo e passar-se-á com qualquer um que ocupe funções no Estado.


 


Confunde-se liberdade de expressão com insultos e gritaria, com enxovalho e humilhação. É como os comentários aos posts e as graçolas nas redes sociais. Uma tristeza, de facto.


 


Cavaco Silva deve ser combatido politicamente, e respeitado como Presidente eleito, tal como todos os outros representantes políticos, pois todos são a emanação do voto popular e têm mandato para exercerem o poder. Entendo mas não aprovo a guerrilha de tipo sindical associado ao PCP, ou de esquerda ampla associado ao BE, que irrompe por salas de reunião, conferências e comemorações oficiais, confundido gritaria com opinião maioritária, esquecendo-se que as manifestações não têm legitimidade eleitoral, por muito importantes que o sejam.


 


Talvez eu tenha uma raíz muito deferente ou muito retrógrada, ou ambas. Mas custa-me muito que, em nome da liberdade de expressão e da democracia, se achincalhe uma figura que nos representa a todos.


 


Quanto ao tipo de comemorações do dia 10 de Junho - ouço e vejo muita gente a insurgir-se contra o tédio e o piroso destas comemorações. No entanto, as populações estão presentes e gostam. Suspeito que, no dia em que muitos desses detractores fossem condecorados, estas festas passariam a ser sofisticadas e a constituirem um insubstituível acto de cultura.

Demarcação


J. B. Durão


 


Fronteiras desenhadas apenas na mente


os olhos não abarcam separações geográficas. Nem a alma


dos poetas se sente outra quando a sonoridade


dos versos a surpreende e encanta.


Demarcamos o corpo mas o sonho perde-se na lonjura do amanhã


e com estas mãos de penedos e terra escrevemos


os contornos de um lugar que não se esgota.

08 junho 2014

Exactíssimamente*


 


Tens vergonha, Camarada?


 


*(Título indecentemente roubado ao Valupi)

O toque a finados

 


António José Seguro transfigura-se. Ele ataca Costa, Sócrates e Cavaco, faz voz grossa aos jornalistas e apela aos portugueses e às portuguesas. Ele vai à Feira dos agricultores em Santarém, ao jornal da Judite e ao jornal da Ana Lourenço. Ele ataca directamente, pelo facebook, e por interposta pessoa, pelo Beleza. Ele mexe-se muito, indigna-se muito, apela muito.


 


António José Seguro esganiça-se e empina-se. É o toque a finados da sua liderança. Mas enquanto a agonia se arrasta vai-se urdindo a coligação do costume - PSD/CDS e PCP, tudo farão para que haja eleições antecipadas. O governo dramatiza o chumbo do TC às medidas orçamentais que tomou, em absoluta consciência da inconstitucionalidade das mesmas. A crise nunca foi tão desejada e Seguro corre contra o tempo.


 


Depressa, Sr. Presidente - Seguro espera ser coroado Primeiro-Ministro, mesmo que seja apenas com um voto. Passos e Portas estão convencidos da vitória, nem que seja por um voto apenas.


 


O Presidente está paralisado, preso pela rede que foi urdindo e em que se enredou. E os cidadãos, muitos suspensos e em transe até ver o recibo de pagamento do próximo mês, esperam, esperam, esperam...

Um dia como os outros (142)


(...) Mas, por incrível que pareça, o primeiro-ministro foi mais longe. Disse que os juízes não eram "escrutinados democraticamente".


 


Talvez Passos Coelho tenha esquecido que a sua legitimidade tem a mesma origem da dos juízes do TC: vem dos deputados, dos representantes do povo. Pois, os juízes são escolhidos pelos deputados. Muito embora alguém devesse também lembrar ao primeiro-ministro que em demo- cracia o voto não é a única fonte de legitimidade. (...)


 


Pedro Marques Lopes

É isso aí


Ana Carolina & Seu Jorge

 


 


É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre


É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua


Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar


É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade


É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores


Eu não sei parar de te olhar
Não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar


É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade


É isso aí!
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores


Eu não sei parar de te olhar
Eu Não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...