A deriva populista e demagógica varre toda a sociedade portuguesa. A onda de ódio antipolítica e antipolíticos é um sintoma de falta de cultura democrática tão evidente como a preocupação em censurar imagens ou em calar manifestantes.
Já tenho aqui dito mais de uma vez que me incomoda que haja grupos de agitação permanente à espera dos representantes políticos para os apuparem, insultarem, acusarem. Aqueles que agora compreendem o povo que se manifesta contra Cavaco Silva, ministros, deputados, autarcas, não terão a mesma tolerância quando essas manifestações forem contra eles. Passou-se com Sócrates, com Maria de Lurdes Rodrigues, com Crato, com Relvas, com Correia de Campos, com Paulo Macedo e passar-se-á com qualquer um que ocupe funções no Estado.
Confunde-se liberdade de expressão com insultos e gritaria, com enxovalho e humilhação. É como os comentários aos posts e as graçolas nas redes sociais. Uma tristeza, de facto.
Cavaco Silva deve ser combatido politicamente, e respeitado como Presidente eleito, tal como todos os outros representantes políticos, pois todos são a emanação do voto popular e têm mandato para exercerem o poder. Entendo mas não aprovo a guerrilha de tipo sindical associado ao PCP, ou de esquerda ampla associado ao BE, que irrompe por salas de reunião, conferências e comemorações oficiais, confundido gritaria com opinião maioritária, esquecendo-se que as manifestações não têm legitimidade eleitoral, por muito importantes que o sejam.
Talvez eu tenha uma raíz muito deferente ou muito retrógrada, ou ambas. Mas custa-me muito que, em nome da liberdade de expressão e da democracia, se achincalhe uma figura que nos representa a todos.
Quanto ao tipo de comemorações do dia 10 de Junho - ouço e vejo muita gente a insurgir-se contra o tédio e o piroso destas comemorações. No entanto, as populações estão presentes e gostam. Suspeito que, no dia em que muitos desses detractores fossem condecorados, estas festas passariam a ser sofisticadas e a constituirem um insubstituível acto de cultura.
Inteiramente de acordo com esta maneira de ver as coisas. VA
ResponderEliminarUm aplauso a este post. Amanhã sairá uma pequena entrevista minha no DN onde, entre outras coisas, reprovo este tipo de utilização da liberdade que temos.
ResponderEliminar«as populações estão presentes e gostam»? Então, Sofia, assim não vale. As populações não estiveram presentes e os presentes não gostaram, manifestaram-se contra a política em curso e contra o Governo.
ResponderEliminarE apesar de não se manifestarem caladas, escusava a polícia de utilizar cães para as manter na "ordem" que tanto aprecia.
Cumprimentos.
Devemos ter visto reportagens diferentes - ou o António M P só viu o exacto momento do discurso do Presidente, aquele em que um grupo de manifestantes, encimado pelo sempre eterno e omnipresente Mário Nogueira, gritaram demissão e para a rua?
ResponderEliminarÉ que as cerimónias não se reduziram a isso nem a presença do Presidente se limitou a essa manhã.
Quanto à "ordem" que eu aprecio, e aprecio-a de facto, é a ordem democrática. Se houve utilização de força desproporcionada e censura não estou obviamente de acordo e, pelo que pude ler nas redes sociais, terá existido. Espero que tal seja investigado e punido.
É isso mesmo, isso dos manifestantes é gente reles e ordinária que não bebeu chá nem sabe estar.
ResponderEliminarGente como funcionários públicos, professores, enfermeiros, desempregados, médicos anónimos, que não tem acesso a ser convidada pelo DN para dar pequenas entrevistas, como LS, ou para pedir à Judite de Sousa, como fizeram os banqueiros, para serem entrevistados em bicha de pirilau e em horário nobre.
Mas é de admirar - com os modos como abrem a boca à refeição, põem os cotovelos em cima da mesa, despem o blazer à mesa - que os empurrem para um canto onde nem sequer podem ver o palanque das autoridades oficiais?
Votarem já é demais para essa gente, se depois nos quatro anos seguintes continuam a ser prejudicados e a não gostar do que lhes metem à frente e sem perceber que não são LS para dar entrevistas ao DN ou banqueiros para as dar à Judite de Sousa em horário nobre.
Aqui está o exemplo de um comentário e, provavelmente de um comentador, que assume a capacidade de ser reles, ao contrário das pessoas que ele desconsidera ao referir-se-lhes como se refere. Pelos vistos toma o que pensa como a realidade. Esta, felizmente, é menos reles que o seu comentário.
ResponderEliminarReles, pq? Por lhe pôr em causa a concepção de respeito e democracia que no seu entendimento apenas têm lugar nas eleições?
ResponderEliminarPor pôr em causa que a sua conversa é a das elites que, como LS, tem acesso a dar entrevistas ao DN ou como os banqueiros ser entrevistados na Judite de Sousa?
Por reclamar para outros cidadãos que não LS e os banqueiros o direito a serem ouvidos sobre os seus problemas do único modo que saber garantir-lhes (e mesmo assim mal) o acesso ao público? O da manifestaação perante Cavaco?
Pior é que pela sua resposta, vê-se ainda ter dificuldades de literacia.
COMENTÁRIO A ALGUNS COMENTÁRIOS, INSERIDOS NO POST “Do respeito sem inho”
ResponderEliminar01- Salta uma visão restritiva da DEMOCRACIA.
02- E lembro-me de Unamuno e das suas referências a “Viva la Muerte”.
03- Perante um desfalecimento cala-se a gritaria.
04- A Esquerda grita, na Ordem Democrática:
“VIVA A VIDA”.
05- Simples, muito simples:
“VIVA A VIDA”.
Boa Tarde.
DEMOCRACIA E SOCIALISMO.
O Socialismo exige Democracia.
A Democracia, plena, exige a Construção do Socialismo.
ACÁCIO LIMA
Subscrito.
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ResponderEliminarNote-se que quem ali se reconheceu a reclamar o direito a outros cidadãos serem ouvidos era Mário Nogueira que não me consta alguma vez ter tido dificuldades em aceder a ser entrevistado por Judite Sousa ou qualquer outro jornalista de TV.
Pior, se LS se apresenta pelo que é (general) e os banqueiros por aquilo que são, Nogueira, que se anda a fazer passar por representante dos professores, há uns de 25 anos que não põe os pés numa sala de aula para dar uma que seja a quaisquer alunos...
É que, se se costuma falar muito por aí da profissionalização dos políticos, o exemplo de Mário Nogueira no PCP é um exemplo gritante disso. Como aliás o do secretário-geral do partido a que ele pertence (Jerónimo de Sousa) que, das máquinas que ele alguma soube afinar, nem uma deve estar hoje noutro sítio que não a sucata...
Conversa da treta, A. Teixeira.
ResponderEliminarO que está em causa é um entendimento restritivo da democracia da parte de quem tem todos os meios e mais alguns para chegar à comunicação social. Os que estavam na manif só têm do seu lado o ruído. Do mesmo modo que um general, assim o queira, fala com a comunicação social facilmente, mas sabe-se bem (não é o caso de Loureiro do Santos, honra lhe seja feita) como as praças, sargentos e outros oficiais têm dificuldade em sentir-se defendidos pela hierarquia.
Mais, durante parte do dia nem soube que Nogueira estava na manifestação, tanta foi a atenção que lhe deram. Na formulação da comunicação social eram manifestantes ou professores, sem mais.
Por fim, aponte-me o jornalista ou o canal que esteja disposto a entrevistar uma bicha de sindicalistas durante vários dias e já agora identifique as diferenças dos modos como são tratados uns e outros - tantas que até JPP as topu há muito, os sindicalistas tratados a baixo de cão, os banqueiros que nos meteram neste sarilho como se fossem salvadores a pátria.
Resposta de treta, nuno sgm.
ResponderEliminarTentou desmentir que Mário Nogueira não é nada mais senão um político comunista profissional que usa as justas reivindicações dos professores como arma política? Não.
Tentou desmentir que Jerónimo de Sousa, para preservar a regra da maioria operária da composição do comité central do PCP, ainda deve para ela contar como "afinador de máquinas" quando não deve afinar nem uma navalha de barbear desde há décadas? Também não.
De interessante do que deixou escrito, apenas o ridículo de alguém que teve o desplante de comentar a literacia da autora do blogue (leia-se o seu penúltimo comentário: «Pior é que pela sua resposta, vê-se ainda ter dificuldades de literacia») para depois, e nem de propósito, neste seu último comentário se "espalhar ao comprido" na gramática com pérolas como: «os sindicalistas tratados a baixo de cão» ou «salvadores a pátria».
Reles, escreveu a autora do blogue. Medíocre, complemento eu.
"Reles", disse a autora do blogue, por não saber ler ou por não gostar de se reconhecer nesse retrato das elites com acesso ao poder e que chamam reles a nogueira e aos professores que o não têm a não ser gritando. A. Teixeira também parece ter ficado aquém da compreensão do lugar onde se meteram os dois.
ResponderEliminarPelo seguimento da sua resposta, evidencia-se o seu discurso ideológico, contaminado e de palas por isso nem vale a pena responder ao "medíocre". Falo de príncipios e tenho como resposta V. apenas ódio anti-esquerda. É natural que não encontre argumento melhor que o insulto.
Fique-se com o veículo dos democratas discretos, os que apenas aceitam a democracia e a política no instante o voto, recusando-as fora disso e que depois são tão infames que excluem aos outros a continuar manifestando os seus pontos de vista e formas de participação que apenas lhes dão escassa visibilidade.