Dead Combo
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Friendship
Lembro dias abertos de asas
olhando cumes de impossíveis.
Lembro dias em que fomos casas
conforto de mundos invisíveis.
Por isso nos dias de gelo e brasas
seremos abraços indestrutíveis.
Há que se espantar sempre com o descaramento de certas personagens. Eduardo Catroga é uma delas. Vale a pena ouvir esta entrevista, em que se gaba de ter sido convidado por Passos Coelho para a pasta das Finanças, que recusou, e depois da maravilhosa negociação do memorando, que ele transformou em fantástico, critica a política do governo.
Como ele diz, o cavalo do poder é uma pileca que se apresta a ser cavalgado apenas por alguns, ciclicamente os mesmos.
Outros desavergonhados desdizem-se semanas, meses ou anos após os mais solenes compromissos - não aumentar impostos, pedirem desculpa aos portugueses, condenarem certas políticas e agora virem a abraçá-las sem se penalizarem. Enfim, tantos são os exemplos que arrepia.
E são estas as pessoas e as formações que as elegem e que se apresentam, sempre, como se nada de bizarro se passasse, como se de nada fossem responsáveis.
As sondagens mantém o resultado do PSD e CDS quase idêntico ao do PS. António José Seguro merece uma derrota tão estrondosa como Passos Coelho ou Paulo Portas. Entretanto outros partidos não existem para os media.
Dia após dia entre as curvas da vida
embalo a mão no teu ombro
adoço a voz e a alma.
Quando me canso do mundo
repouso no espaço que me dás.
Partilhamos simples banalidades
gestos em que não nos dizemos
importantes solenes dispensáveis obrigatórios
nesta amálgama quotidiana que se passa
entre o branco dos cabelos nas rugas
deste tempo de nada em que tudo se encontra
e se desfaz.
Quarenta anos depois dos dias 25 de Abril e 1º de Maio de todos os encantos e saudades, temos que mudar. Não com um golpe de estado - vivemos numa democracia - mas a partir de dentro.
Tenho votado sempre no PS porque, apesar de todos os problemas e discordâncias, é o partido que mais se aproxima da minha forma de estar. Mas o PS, tal como os outros partidos que se iniciaram e/ou cresceram durante estes 40 anos - PSD, CDS e BE, para não falar de um partido com história anterior, de antanho e conservador, PCP - não dão mostras de perceberem o quanto é preciso renovação, desde a escolha dos líderes à auscultação dos anseios da população, das medidas inovadoras e credíveis ao ganho de confiança dos eleitores e, mais importante ainda, à existencia de uma visão para o País, dentro de um quadro europeu que se discuta por todos os estados-membros, sem menorizações nem condescendências.
Tenho assistido com algum cepticismo ao emergir de algumas associações/ partidos políticos. Mas a verdade é que estou cada vez mais convencida de que a constituição de novos agrupamentos políticos, dentro do quadro constitucional de pluripartidarismo, pode ser o começo de uma reforma do sistema político, pode ser o início da reconciliação dos cidadãos com a política e com os políticos. Pessoas que arriscam a defesa das suas ideias procurando construir, para além da crítica sistemática ao sistema, merecem-me o maior respeito.
É possível que a votação em agrupamentos e partidos que, pelo menos para já, terão pouca representação parlamentar, abra ainda mais a dificuldade de formar governos estáveis em coligações. Por outro lado pode ser que, com novos protagonistas, seja possível alargar plataformas de entendimento numa determinada área política para assumir o poder. E pode ser a única forma de conseguir que os eleitores votem, alargando o leque de escolhas.
As próximas eleições para o Parlamento Europeu estão a ser instrumentalizadas pelos chamados partidos do arco da governação, levando os eleitores a escolherem consoante estão ou não de acordo com a política deste governo. É claro que essa é uma vertente importante da eleição, mas os problemas de Portugal não são apenas nacionais, são também europeus. Ou seja, estas eleições europeias deveriam ter um enfoque particular na nossa posição face à Europa, tendo um plano para a Europa que queremos que exista, ou para o divórcio europeu, mais ou menos litigioso.
Já aqui disse várias vezes que a nossa integração nesta Europa deve ser equacionada, passando pelo manutenção ou saída do euro, significando isso o que significar. As escolhas que fizemos não podem ser eternas e nem devem ser irreversíveis. Penso o mesmo em relação a novas Constituições. Devem discutir-se todas as ideias, sem que nenhuma delas se transforme em tabu.
Eu faço um balanço muito positivo da adesão à Comunidade Europeia, mas muito tem que mudar e ser diferente, saibam e possam os nossos representantes pugnar por essa diferença.
Outra dimensão importante a reter no resultado das próximas eleições é a opinião em relação à oposição. Será que estes partidos de oposição, com grande preponderância para o PS, merecem o nosso vosso? Terá o PS capacidade, liderança e ideias para defender os valores que apregoa? Os outros partidos - PCP/CDU e BE - foram e são cúmplices da direita, sempre que é o apoio ao PS foi e é necessário. São tão ou mais conservadores que o PSD/CDS, mesmo a coberto de grandes, alternativas e revolucionárias declarações de esquerdismo.
Na maior parte dos casos votamos em líderes partidários, muito mais que em programas políticos. Os líderes dos partidos habituais perderam toda a credibilidade, mas também não vejo grande carisma em Rui Tavares, por muito que me seja simpático.
Enfim, embora a minha razão me indique o voto no PS, cada vez me sinto mais afastada desse partido e, depois de fazer o EUvox 2014, fiquei espantada com a dimensão desse afastamento. Será que mudo o meu voto?
Antonio Victorino D'Almeida
Pedro Ayres de Magalhães
Madredeus
Sim, foi assim que a minha mão
Surgiu de entre o silêncio obscuro
E com cuidado, guardou lugar
À flor da Primavera e a tudo
Manhã de Abril
E um gesto puro
Coincidiu com a multidão
Que tudo esperava e descobriu
Que a razão de um povo inteiro
Leva tempo a construir
Ficámos nós
Só a pensar
Se o gesto fora bem seguro
Ficámos nós
A hesitar
Por entre as brumas do futuro
A outra acção prudente
Que termo dava
À solidão da gente
Que deseperava
Na calada e fria noite
De uma terra inconsolável
Adormeci
Com a sensação
Que tinhamos mudado o mundo
Na madrugada
A multidão
Gritava os sonhos mais profundos
Mas além disso
Um outro breve início
Deixou palavras de ordem
Nos muros da cidade
Quebrando as leis do medo
Foi mostrando os caminhos
E a cada um a voz
Que a voz de cada era
A sua voz
A sua voz
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...