06 agosto 2013

Ruídos politicamente relevantes

 


Em relação à alegada negação de medicamentos inovadores por parte dos IPO, por motivos economicistas, convém que se esclareçam algumas coisas:



  1. A Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica (CNFT) foi criada com o objectivo de elaborar um Formulário Nacional de Medicamentos, actualizá-lo, elaborar normas de utilização dos medicamentos incluídos e promover a sua utilização no SNS.

  2. Dessa Comissão fazem parte, entre outros, Médicos e Farmacêuticos representantes de várias unidades hospitalares e um representante da Ordem dos Médicos - Dr. José Manuel Silva (o Bastonário).

  3. A dita Comissão já elaborou uma lista de medicamentos a serem utilizados no cancro da próstata da qual não consta o medicamento de que se fala (abiraterona), segundo um comunicado do Ministério da Saúde.

  4. Se, como diz o Bastonário, o medicamento tem eficácia comprovada e consta das guidelines internacionais, e das normas de orientação clínica da Ordem dos Médicos (as quais não se encontram disponíveis no site), porque não está na lista da CNFT (não a encontrei acessível na internet)?


Este é um assunto demasiado importante para que subsistam dúvidas. Uma coisa é a racionalização dos custos e a reorientação das prioridades, outra muito diferente é negar aos doentes a melhor, indicada e mais adequada terapêutica. Mas será de facto esse o caso?


 

Cismas

 


As fronteiras existem mesmo para ser ultrapassadas. Sejam vermelhas, amarelas ou incolores, não há palavras irrevogáveis nem limites distinguíveis. É tudo muito movediço.


 


É como as memórias traiçoeiras e atraiçoadas. Instabilidade política? A maior está precisamente dentro do governo. Sim, porque a oposição é mesmo só uma palavra, diariamente revogável.


 

04 agosto 2013

Meu amor, meu amor

 


 



Alain Oulman & Ary dos Santos


canta Amália Rodrigues


 


Meu amor meu amor


meu corpo em movimento


minha voz à procura


do seu próprio lamento.


 


Meu limão de amargura meu punhal a escrever


nós parámos o tempo não sabemos morrer


e nascemos nascemos


do nosso entristecer.


 


Meu amor meu amor


meu nó e sofrimento


minha mó de ternura


minha nau de tormento


 


este mar não tem cura este céu não tem ar


nós parámos o vento não sabemos nadar


e morremos morremos


devagar devagar.


 

Estrias

 



Number one


Jackson Pollock 


 


 


Acerto as cartas pelas estrias


papel engelhado de mil e umas tardes


esfregando olhos dedilhando raízes


desapego e paixão envelhecidas.


As marcas na madeira como escrita


de vidas sem história.


Aliso as mantas pelos dedos


que se multiplicam a uma velocidade


com que não desmancham os vícios da dor.


Livres como flores agrestes em ofertas de paz.


 

Decantar

 



Robert Malte Engelsmann 


 


Corto o cabelo em frente ao espelho


primeiro uma ponta uma sobrancelha


o despontar da orelha o nariz que se entorna.


Aparo e vou desgastando numa procura da simetria ideal.


Corto o espelho na ponta do nariz


uma sobrancelha a mais um cotovelo que se inclina


vou cortando o corpo na direcção que se destina


a mais abstracta pintura em que se mistura.


De aparas e segmentos desprezados recomponho a figura


a um canto que é mesmo nesse esconso desencanto


que me revejo


e me decanto.


 

03 agosto 2013

Dentro de casa / A gaiola dourada

 


Sempre que vou ao cinema prometo a mim própria que irei muito mais vezes, tal é o prazer de me sentar na sala escura e assistir às histórias que se desenrolam à minha frente. Misturo-me com as personagens e esqueço-me de mim. É uma realidade por vezes mais presente que a vida que arrastamos sem nos apercebermos de que se não repetirá nunca.


 


Dentro de casa, de François Ozon, e A gaiola dourada, de Ruben Alves, são dois excelentes filmes neste Agosto de temperatura pouco veranil. O primeiro, uma pequena perversa parábola sobre o espreitar pela janela, o desejo do que está para lá da nossa vivência, as emoções que roubamos. O segundo, uma ternurenta comédia e uma reflexão bem-disposta sobre a emigração portuguesa em França e a segunda geração.


 


 



Dentro de casa (Dan la maison)


 

 



A gaiola dourada (La cage dorée)


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...