11 julho 2013

Algumas notícias que se lêm nos jornais on line

 


Não abdicando dos seus princípios, das suas referências e grandes compromissos em matéria programática, o PS sempre esteve disponível para dialogar.


 


Francisco Assis


 


Estamos totalmente disponíveis para todos os consensos, nas questões que são absolutamente cruciais. Sempre foi possível haver entendimentos na vida política sobre questões que são de relevante interesse nacional, e é para isso que nós cá estamos, para garantir que todas as matérias de relevante interesse nacional sejam asseguradas.


 


Teresa Leal Coelho


 


O CDS sempre defendeu na circunstância especialmente difícil em que o país se encontra que era especialmente necessário um diálogo abrangente e alargado a todos os partidos do arco da governabilidade. Tendo o senhor Presidente da República tomado uma iniciativa nesse mesmo sentido, o CDS tem uma posição de princípio construtiva em relação a essa mesma proposta.


 


Nuno Magalhães


Da casa da democracia

 


É realmente uma indignidade o que se passou hoje no Parlamento, com o comício de protesto durante cerca de 3 minutos, com gritos e arremesso de balões e sei lá que mais aos deputados. Mas a indignidade foi da parte de quem assim desrespeita o Parlamento, a tão chamada casa da democracia por quem tão pouco a pratica.


 


Ao fim de vários minutos de pdedidos para o abandono das galerias, Assunção Esteves comete o disparate do exagero de citar de Simone de Beauvoir usando a palavra carrascos a despropósito, visto que originalmente esta se referia aos opressores nazis. De facto não se podem comparar as duas situações, foi um erro da parte de Assunção Esteves que estava, compreensivelmente, irritadíssima. Daí até ao massacre dos indignados  textos de Nicolau Santos, Carlos Vaz Marques e muitas outras pessoas por essa blogosfera e redes sociais, vão vários passos de gigante.


 


Abriu a época de caça – Cavaco Silva, Assunção Esteves, o Parlamento, etc. Acho inacreditável a superioridade moral de que se revestem tantos jornalistas e comentadores. Na verdade é na Assembleia da República que estão os representantes do povo que foram eleitos livremente. É a eles que foi dado o mandato para legislar e para controlo do poder executivo. O tipo de manifestações a que assistimos poderão entender-se perante o quadro de tensões sociais e políticas pelas quais passamos, mas não deixam de ser inadmissíveis. Quem agora acha isto tudo muito bem poderá ser, em seu devido tempo, confrontado com idênticas ou mais violentas manifestações. Achará bem, nessa altura?


 


Por muito respeito que me mereçam os jornalistas e comentadores, eles não são a nossa voz nem os nossos representantes. São o Parlamento, o governo, o Presidente da República, os órgãos de poder autárquicos. As instituições democráticas são para serem respeitadas sempre, sempre, sempre.


 


Quanto à informação e à sua manipulação - já todos conhecemos, através da TSF, a reacção de Lobo Xavier às declarações de Cavaco Silva, na Quadratura do Círculo, e ela foi furiosamente contra a decisão presidencial. Estranhamente, ninguém fala das reacções de Pacheco Pereira e de António Costa. Porquê – será que estes apoiam o Presidente, pelo menos moderadamente? Desconfio que sim, mas veremos quando o programa for transmitido. Se me enganar aqui o reconhecerei.


 

Mantendo o debate aceso

 


Em reposta a um atento e amável comentador, e a algumas das perguntas que a mim própria faço:



  1. Cavaco Silva declara que este governo está na plenitude das suas funções – ignorou olimpicamente o ultimato que Passos Coelho e Paulo Portas lhe fizerem, num desrespeito total pela sua própria avaliação, aquando do comunicado ao País em que apresentaram a remodelação governamental, como um facto consumado. Portanto Paulo Portas continua como MNE e ME.

  2. Cavaco Silva não pede nem sugere um governo com o PS – o que pretende é que haja um acordo entre PS, PSD e CDS, os partidos que assinaram o memorando, para que haja o compromisso em cumprirem o ajustamento até ao fim da assistência financeira.

  3. A inclusão do PCP e do BE neste acordo era absolutamente supérflua e disparatada, visto que se recusaram a subscrevê-lo.

  4. Cavaco Silva, na prática, decretou eleições antecipadas só que, em vez de o serem em Setembro ou Outubro serão a partir de Junho de 2014, num calendário acordado pelos partidos.

  5. Se o PSD e/ou o CDS não quiserem cumprir este acordo, o primeiro-ministro tem a opção de apresentar a demissão do governo.

  6. Se o PS não quiser cumprir este acordo, tem a opção de o recusar.

  7. Na realidade nenhum destes partidos quer o ónus de não aceitar o repto presidencial, pois temem ficar, aos olhos dos eleitores, com a responsabilidade de precipitarem uma confusão ainda mais generalizada.

  8. Podemos concordar ou discordar desta posição do Presidente, mas não podemos dizer que não é democrática ou inconforme com a Constituição, porque é.

  9. É tempo de todos os intervenientes assumirem as suas responsabilidades – O PSD e o CDS, os responsáveis directos por esta crise política, recusarem-se a tentar uma base de trabalho com o PS; o PS a responsabilidade de querer as eleições antecipadas, mimetizando aquilo que o PSD e o CDS fizeram na altura da aprovação do PEC IV. Qual a alternativa credível que o PS tem para a situação do país? A renegociação da dívida não precisará de um acordo com o PSD e com o CDS?

  10. Os únicos partidos que estão verdadeiramente interessados em eleições são o BE e o PCP, para os quais é previsível um aumento de votação relativamente às últimas eleições. O problema é que não se percebe o que vão fazer com esses votos.

  11. O aumento das abstenções e dos votos brancos e nulos espelham o impasse e a descrença dos cidadãos em relação à solução eleitoral imediata (a acreditar nas sondagens, é claro).

  12. António José Seguro vê-se como Passos Coelho em 2011 – ou há eleições no país, já, ou no PS, rapidamente.

  13. Em relação ao Presidente – não podemos criticá-lo porque se cola ao governo, porque se abstêm de intervir, por se esquecer da sua função e criticá-lo quando decide exercer, finalmente, o seu papel. Arriscou-se, ainda bem, é por isso que foi eleito pelos portugueses – para interpretar a situação, decidir e agir.


É altura de caírem as máscaras e de acabarmos com as demagogias e os populismos – haverá eleições antecipadas e há que tomar consciência de que as flores da luta partidária neste momento são os cardos com que o país se confronta. Que todos se olhem e se perguntem qual é a melhor solução para o país. Não gosto de salvações nacionais nem de governos ou criaturas heróicas. A irresponsabilidade e a brincadeira têm rostos humanos, assim como o compromisso e a negociação adulta e dolorosa. Passamos a vida a falar de estadistas - que venham eles.


 


Não gosto deste Presidente, tenho da sua actuação a pior das avaliações, mas penso que, desta vez, fez o que devia. Que os directórios partidários façam o mesmo e enfrentem as consequências. O povo julgará quem teve e não teve razão.


 


A democracia não se esgota nas eleições – não é o que estão sempre a lembrar?


 

Das ondas de choque

 


Perfilam-se os novos protagonistas... Ainda bem. É preciso que algo mude. Rapidamente.


 

10 julho 2013

E ao quarto dia...

 



 


E ao quarto dia Cavaco Silva falou. Finalmente teve uma intervenção importante e significativa.


 


A sua decisão foi, digamos assim, salomónica. Por um lado, não quer eleições agora pois considera que será um descalabro no que diz respeito aos mercados e à troika. Por outro lado não aceita a remodelação governamental e assume que este é um quadro parlamentar a prazo e que, portanto, terá que haver eleições antecipadas.


 


A ideia de chamar os três partidos que assinaram o memorando para um compromisso que possibilite o seu cumprimento, pelo menos uma base mínima de acordo até ao fim do programa de assistência, é uma forma de não deixar o PS descolar do próprio memorando e de obrigar o PSD e o CDS a ceder no fundamentalismo com que ministra o seu muito particular entendimento do mesmo. Também acredito que um compromisso entre PS, PSD e CDS poderão dar mais força negocial a Portugal perante os nossos credores.


 


Penso que o PS pode aproveitar esta oportunidade para esclarecer o que considera possível cumprir e de que forma, revelando quais as medidas concretas que propõe em alternativa às desta maioria.


 


Penso que temos todos a noção do impasse existente e da incógnita perante a falta de uma real alternativa ao governo. António José Seguro (que deve estar sem saber o que fazer), apesar de ter já defendido eleições já, pode perfeitamente, com a certeza da realização de eleições em Junho/2014, fazer um acordo que providencie um governo minimamente estável até à saída da troika (é também uma oportunidade para o PS fazer uma revolução interna, para que possamos começar a vislumbrar uma luz ao fundo do túnel).


 


Para variar acho que o Presidente fez bem, devolvendo a responsabilidade da resolução do governo aos partidos políticos e ao Parlamento. As declarações dos líderes partidários foram as esperadas. A lembrança de Alberto Martins de incluir os outros partidos políticos com assento parlamentar não faz sentido, visto que PCP e BE não quiseram discutir o memorando e não o assinaram.


 


Aguardemos portanto os brainstorming dos directórios partidários. A crise segue dentro de momentos.


 

09 julho 2013

Um dia como os outros (129)

 



Sou dos raros jornalistas que não disseram na semana passada: "Uma coisa é certa, Portas não pode voltar atrás." Aqui entre nós, a palavra "irrevogável" também me fez supor que ele não voltaria atrás. Mas como estive de férias, safei-me do embaraço público e geral dos meus colegas. Forte desse meu involuntário sucesso, permito-me dar uma lição: na política portuguesa, nunca se diga "não pode". Pode, tudo pode. Em Portugal, Cavaco pode ser Presidente, Passos pode ser primeiro-ministro e Seguro pode ser chefe da oposição. Se isso pode, como não aceitar as mais loucas bizarrias? Até digo mais, essa tempestade perfeita - Cavaco, Presidente, Passos, primeiro-ministro e Seguro, chefe da oposição - não só permite como torna desejável que os políticos portugueses se contradigam e façam o irrevogável vogar para o ponto de partida. Há nisso esbracejar, grito sôfrego, vontade de fugir do marasmo. Tudo melhor do que a angústia de termos Cavaco, Presidente, Passos, primeiro-ministro e Seguro, chefe da oposição. À falta de soluções sólidas, venham, ao menos, essas pequenas provas de vida. Olhem como a simples contradição de Paulo Portas nos levou a um governo um poucochinho melhor do que o anterior... "Levou a..."?! Então já é definitivo, Cavaco aceitou essa solução? Claro que já. Era justamente isso que eu vos estava a dizer. Ele é nada, um dos três nadas deste país. As hesitações que finge são só para o autorretrato com que se ilude.


 


Ferreira Fernandes


 

Da humilhação

 


Na Europa poderia haver algum pudor, com abstenção de comentários, felicitações e considerações sobre o governo de um país soberano. Toda esta falta de respeito de quem se assume como dono e senhor dará mau resultado, mais tarde ou mais cedo. É degradante a desfaçatez com que se humilham os povos, com que se desdenha da democracia, com que se descarta a mais elementar centelha de bom senso.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...