07 julho 2013

Da impossível aliança à esquerda

 



 


Se houver eleições antecipadas, do que duvido imenso, pelo menos para já, os eleitores vão ver-se numa situação aflitiva para decidir em que partido votar. É isso o que demonstram as sondagens que têm sido feitas, dando conta da enorme percentagem de indecisos e de abstenções.


 


A tão almejada maioria de esquerda, que aritmeticamente é possível, será sempre impossível politicamente, enquanto forem estes os protagonistas das lideranças. Tal como ouvimos ontem na manifestação que pedia a demissão do governo, o BE e o PCP estão disponíveis para alianças se e só se for para romper com o memorando da Troika.


 


O PS negociou o memorando de entendimento, mesmo que tenha sido um memorando diferente do que foi posto em prática. O PS tem que honrar os compromissos do país, mesmo que renegociando o memorando, os juros, as metas e/ou o tempo para as alcançar. Portanto, onde está a possibilidade de alianças de esquerda para formação de governo?


 


Como sempre e para seu (nosso) infortúnio, o PS está condenado a estar sozinho. E com António José Seguro é impensável uma maioria absoluta. Este é outro dos bloqueios políticos no nosso país.


 

Da passagem de poderes

 



Público


 


Passos Coelho averbou a passagem do poder para o CDS, nesta fase da legislatura. Ao lado de um Paulo Portas contrito e silencioso, assumiu perante o país que um partido com cerca de 12% dos votos será aquele que governará, até a uma data incógnita. Passos Coelho nunca foi Primeiro-ministro – porque haveria agora de sê-lo?


 


O Presidente deve estar a suspirar de alívio. Esta solução dá-lhe a hipótese de adiar o inadiável. Temos governo para mais uns meses – até 2015? Até à noite dos resultados autárquicos? Até à tentativa de apresentar um orçamento para 2014?


 


Paulo Portas, entre saltos mortais e cambalhotas, conseguiu uma enorme vantagem para ele e para o seu partido. E para os eleitores – os militantes e os votantes do CDS? E o PSD vai aceitar a subalternidade? Ou está secretamente esfusiante porque amarrou a oposição intragovernamental à austeridade que aí vem?


 


As temperaturas vão manter-se elevadas e, nas praças de Lisboa, os manifestantes continuarão a pedir a demissão do governo. O desrespeito desta maioria pelas instituições é exemplar. A anulação auto imposta do Presidente mantém o espectáculo em permanência.


 

06 julho 2013

Da insolvência nacional

 


O melhor é acabarmos com essa coisa supérflua, excêntrica e despesista, que não passa de um fetiche de uma geração decadente e ultrapassada - eleições livres para que os cidadãos escolham os seus representantes.


 


Os mercados, as troikas e as comissões dos novos impérios decidem. Tudo será melhor e mais fácil, sem desperdícios nem estados gastadores, sem preguiça nem lazer, esse admirável mundo da competitividade e dos preços descartáveis do trabalho e dos trabalhadores. A liberdade é um luxo ao qual não temos acesso.


 


Quem não tem dinheiro não tem vícios.


 

Da gramática de rejeição

 


Foi uma semana em que vivemos todos uma realidade a um tempo suspensa e aventurosa. Replicaram-se ainda mais as certezas do total divórcio entre os que protagonizam as instituições do nosso regime democrático, e no qual teimosamente acredito, e o comum dos cidadãos, boquiabertos perante tanto disparate. O país é uma enorme sala de espectáculos e os actores representam um guião de tragicomédia de algum escritor medíocre.


 


Desde o Presidente refugiado em recados crípticos que só se explicam pela incapacidade de quem não sabe o que fazer, aos líderes dos partidos governamentais e do principal partido da oposição, aos representantes da uma Europa descredibilizada, desagregada e com tiques antidemocráticos, assistimos a passos de dança e cambalhotas acrobáticas, a declarações incríveis e vergonhosas.


 


Aliás os prefixos de negação estão na moda - ingovernável, inacreditável, intolerável, irrevogável, inadmissível, inenarrável, indigente, improvável, enfim, a linguagem do Verão presente está pejada de uma gramática de rejeição.


 


Está um calor abafante que esturrica. Podemos todos aguardar, no escuro das nossas casas, abrigados do irreal vítreo amarelo do Sol, a continuação desta triste telenovela.


 

02 julho 2013

Da inevitabilidade do destino

 


Pedro Passos Coelho passou para o CDS a responsabilidade de desfazer a maioria parlamentar no Parlamento. É a única estratégia que serve Cavaco Silva e que obrigará a convocação de novas eleições.


 


O que farão os restantes ministros do CDS? Aguardam para pedir a demissão?


 


É tempo de os verdadeiros democratas da esquerda se unam para destronar as suas lideranças partidárias - no PS, no PCP e no BE. É urgente que se comece a pensar no país. As eleições estão à porta e precisamos de um governo capaz, com gente capaz.


 


Também é urgente a definição do próximo candidato a Belém. Seria uma luz ao fundo do túnel e, quem sabe, pode ser ser preciso mais depressa do que pensamos.


 

Da real comédia dramática

 


Não sei o que Pedro Passos Coelho dirá às 20h00. Espero que apresente a sua demissão ao país. Espero também que o Presidente fale a seguir, para dar conta das diligências para convocar o mais depressa possível novas eleições legislativas.


 


Cada dia que passa é um dia a mais perdido. A realidade é sempre mais imaginativa que a ficção. Não é a questão da demissão de Paulo Portas, mas o facto de o fazer imediatamente antes da tomada de posse da nova ministra das Finanças, é o facto do Presidente ter persistido nesta dramática comédia.


 


António José Seguro não precisou de assaltar o poder - ele vai cair-lhe em cima. A não ser que haja um golpe de estado dentro do PS. Militantes do PS, o que esperam?


 

01 julho 2013

A ruidosa solidão

 



 


Foram os SWAPs? Foi a reforma do Estado? Foi o ministro Crato? Tudo, mesmo tudo, com excepção do descalabro que foram estes 2 anos de governo.


 


A nomeação de Maria Luís Albuquerque significa que Passos Coelho não consegue convencer ninguém a assumir o cargo. Começar um mandato assim não se deseja nem ao pior inimigo. A ministra está condenada à partida. Tanta incompetência política é difícil de admitir.


 


Onde está o Presidente? Será que também se demitiu e ainda não lemos a sua carta?


 



 

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