Foi uma semana em que vivemos todos uma realidade a um tempo suspensa e aventurosa. Replicaram-se ainda mais as certezas do total divórcio entre os que protagonizam as instituições do nosso regime democrático, e no qual teimosamente acredito, e o comum dos cidadãos, boquiabertos perante tanto disparate. O país é uma enorme sala de espectáculos e os actores representam um guião de tragicomédia de algum escritor medíocre.
Desde o Presidente refugiado em recados crípticos que só se explicam pela incapacidade de quem não sabe o que fazer, aos líderes dos partidos governamentais e do principal partido da oposição, aos representantes da uma Europa descredibilizada, desagregada e com tiques antidemocráticos, assistimos a passos de dança e cambalhotas acrobáticas, a declarações incríveis e vergonhosas.
Aliás os prefixos de negação estão na moda - ingovernável, inacreditável, intolerável, irrevogável, inadmissível, inenarrável, indigente, improvável, enfim, a linguagem do Verão presente está pejada de uma gramática de rejeição.
Está um calor abafante que esturrica. Podemos todos aguardar, no escuro das nossas casas, abrigados do irreal vítreo amarelo do Sol, a continuação desta triste telenovela.
Uma síntese, muito documentada, da situação política.
ResponderEliminarAcrescentaria que, no momento, a "Divisão de Águas" reside na realização ou, não, eleições antecipadas, o mais urgentemente possível.
Boa Tarde.
Bom Domingo.
Tomo boa nota da análise exarada no post.
ACÁCIO LIMA
Além de inenarrável, tudo isto é inacreditável e vergonhoso. Quando me parece que nada mais me pode surpreender, acontece sempre alguma coisa que me deixa de boca aberta... Enfim, como diria o outro, que mais irá nos acontecer?
ResponderEliminarBeijinhos,