25 novembro 2012

Um dia como os outros (121)

 



(...) 3. Vale a pena ler o parecer da CNECV. Podemos discordar dele mas está técnica e cientificamente fundamentado e responde às questões colocadas. Em particular, identifica de forma exaustiva as condições, as instituições e os profissionais que devem, em diferentes fases, ser envolvidos na discussão pública e na tomada de decisão política sobre matérias como a racionalização dos gastos com os cuidados de saúde.


4. Perante o parecer da CNECV, gerou-se uma controvérsia alimentada pelo desconhecimento e pelo populismo. As controvérsias são úteis em política quando se baseiam em informação, conhecimento e debate racional de ideias, não na exploração das emoções e do desconhecimento, sobretudo em assuntos tão delicados e de tão elevada complexidade.


5. Os dois momentos mais negativos do debate foram protagonizados pelo bastonário da Ordem dos Médicos e por elementos da direcção do Partido Socialista. No primeiro caso, a ameaça de processo disciplinar aos médicos que assinaram o parecer é um claro abuso de poder, uma vez que emitir um parecer não é um acto médico. É, também, uma ameaça à liberdade de informação, de conhecimento e de pensamento, bem como uma tentativa intolerável de negar a possibilidade de discussão pública democrática sobre estes temas. Exige-se do bastonário de uma Ordem com tão grandes responsabilidades sociais um contributo para a discussão, não uma ameaça aos que não pensam como ele. No segundo caso, o pedido de demissão do presidente da CNECV, Dr. Miguel Oliveira e Silva, eleito democraticamente pelos seus pares, é tão lamentável e de um tal absurdo que parece justificado apenas pela (des)orientação tacticista e populista.

 


 

Por onde

 



The Bad Little Christmas Tree


Tim Noble


Sue Webster


 


Por onde ando por onde penso que me retiro e me recolho


por onde o tempo que me assenta como chuva


neste inverno que não passa nem desmente a casa que esfria


por onde ando nos passeios destemidos que já secaram


por onde o tempo das verdades que nem olhos rasos


por quanto se somam os dedos que trituram esperanças


por quanto ainda por quanto sabemos que não mais será


que não mais serei eu e tu e nós e todos inocentes


de luz e desta sombra que se estende sem coerentemente


aniquilar quanto e onde ainda somos.


 

14 novembro 2012

O crescimento larvar da violência

 



 


Estive muito indecisa quanto a fazer ou não greve. Há inúmeros e grandes motivos para aderir à greve, talvez, que me lembre, nunca tenha havido mais nem tão bons como agora. Nem que seja para se afirmar um protesto.


 


Mas a apropriação deste tipo de manifestações pelos costumeiros profissionais das greves, a banalização do fenómeno, que deveria ser excepcional, e a sensação de dar motivos para que os extremistas e a violência façam caminho e escalem, refreou-me o ímpeto. Não aderi à greve, portanto.


 


Em frente à televisão - na SIC-N - observo alguns manifestantes em frente ao Parlamento, a casa da Democracia, de cara tapada e máscaras, atirarem pedras e petardos aos Polícias.


 


Não tenho palavras para exprimir o quanto repudio este tipo de comportamentos. Não vejo os outros manifestantes fazerem qualquer gesto para impedirem ou se demarcarem dos arruaceiros. Parece que acham que estes ataques são compreensíveis, pelo muito que o povo sofre.


 


Há alguns representantes políticos, particularmente dos partidos a que se convencionou chamar de protesto, que quase têm pena que ainda não tenhamos chegado à beira da paralisação social em que a Grécia se encontra. Ouço muitas vezes lamentos por não sermos tão aguerridos (eufemismo de violentos) como os nossos vizinhos de Espanha. Pois eu não tenho qualquer desejo de semelhanças desse tipo e espero bem que as manifestações e as greves possam decorrer com civismo, porque a liberdade tem que ser de todos e a democracia implica regras de convivência em que nada disto é admissível.


 


Nota: Convém esclarecer que não confundo a maioria dos pacíficos grevistas e manifestantes com os arruaceiros criminosos que a única coisa que pretendem é provocar o caos. Mas gostaria de ver quem exerce o seu direito demarcar-se, nem que fosse pelo facto de desmobilizar de imediato ajudando os Polícias, deixando os criminosos sozinhos.


 

12 novembro 2012

O isolamento do PS

 


O Bloco que saiu da Convenção deste fim-de-semana é igual ao que entrou na Convenção. Populista, demagógico e incapaz de perceber que não é apostando na desorganização social, na revolta do povo e na desestruturação da sociedade, que conseguirá aumentar a sua votação e chegar ao poder, para implementar ninguém percebe muito bem que tipo de governo, regime ou soluções.


 


O Bloco de Esquerda, que teve 5,17% nas últimas eleições, sente-se no direito de condicionar a posição do PS, que teve 28,05% também em 2011, em relação ao cumprimento dos compromissos que este assumiu junto do FMI, da CE e do BCE, nada mais nada menos que rasgar o memorando de entendimento, para se dispor a um compromisso que possa servir de base a um futuro governo de esquerda.


 


O BE (e o PCP) sabe, ou deveria saber, que isso é uma irresponsabilidade, que não tem viabilidade nem representatividade eleitoral para impor tal solução ao maior partido da oposição. Até porque uma plataforma mínima não pode começar por obrigar o PS a renegar o que é, e ainda bem, a sua história de garante de um país civilizado e capaz de honrar os seus compromisso internacionais.


 


A Convenção do Bloco demonstrou, mais uma vez, que em Portugal não é possível ao PS fazer coligações de governo à esquerda. O Bloco de Esquerda continua a condenar o PS e o país aos governos minoritários ou a governos de direita.


 

Dos alvos políticos

 


A Chanceler Angela Merkel vem a Portugal. Não se sabe bem o que vem cá fazer mas, independentemente disso, é a responsável política de um país democrático da União Europeia, lugar para o qual foi eleita democraticamente, pelo que penso que, como país democrático que pertence à União Europeia, temos todo o gosto em recebê-la.


 


Precisamente por pertencermos à mesma União e por sermos países democráticos, temos também o direito e o dever de lhe dizer, das mais variadas formas democráticas, em liberdade e segurança, que não concordamos com o rumo da política europeia, de que ela é a principal responsável, que este tipo de austeridade leva ao empobrecimento sem remédio das populações, que estamos a caminhar para o eclodir de revoltas e de regimes totalitários, que estamos a renovar os nacionalismos cegos e a xenofobia, terreno fértil para destruir tudo o que foi construído desde a 2ª metade do séc. XX.


 


Não podemos, no entanto, enganar-nos a nós proprios, canalizando as frustrações e as reivindicações para um alvo externo. O combate político deve ser, em primeiro lugar, dentro de portas e contra a política deste governo que, soberanamente, tem conduzido uma política desastrada e ruinosa, sem qualquer visão de futuro ou capacidade de gestão de recursos e expectativas.


 

10 novembro 2012

Até ao Verão

 



Ana Moura


Márcia Santos 


 


Deixei


na Primavera o cheiro a cravo


rosa e quimera que me encravam


na memória que inventei


e andei


como quem espera pelo fracasso


contra mazela em corpo de aço


nas ruelas do desdém


 


e a mim que importa


se é bem ou mal


se me falha a cor da chama a vida toda


é-me igual


vi sem volta


queira eu ou não


que me calhe a vida


insane e vossa em boda


até ao verão


 


deixei


na primavera o som do encanto


riça promessa e sono santo


já não sei o que é dormir bem


e andei


pelas favelas do que eu faço


ora tropeço em erros crassos


ora esqueço onde errei


e a mim que importa


se é bem ou mal


se me falha a cor da chama a vida toda


é-me igual


vi sem volta


queira eu ou não


que me calhe a vida


insane e vossa em boda


até ao verão


 


e a mim que importa


se é bem ou mal


se me falha a cor da chama a vida toda


é-me igual


vi sem volta


queira eu ou não


que me calhe a vida


insane e vossa em boda


até ao verão


 


deixei


na primavera o som do encanto


 

Lei de Lavoisier

 



 


Cá em casa, como na natureza, observa-se a lei de conservação da massa pela metade - muito se cria mas nada se perde, tudo se transforma. Até porque assim podemos penitenciar-nos das horrorosas dívidas do povo (nós), castigar-nos de tantos espectáculos a que temos assistido, tanta música, tanta poesia, em vez da pura modéstia e mediania doméstica que deve levar à redenção do país.


 


Sendo assim o jantar de hoje foi frugal e constituído por sopa de legumes, queijo fresco, marmelada e pudim de pão (também havia uns camarõezitos cozidos, mas eram pequenitos).


 


O pudim de pão foi uma ideia sugerida por uma representante da geração anterior, habituada a gerir crises perpétuas. Pega-se no pão duro, pode até estar com consistência pétrea, e parte-se (corta-se) aos bocadinhos, enchendo uma tigela que possa ir ao forno. Aquece-se leite com açúcar (usei meio litro de leite e oito colheres de sopa de açúcar) e despeja-se para cima dos bocadinhos de pão (espreme-se bem o pão, de forma a que fique bem ensopado). Mistura-se o outro meio litro de leite com quatro ovos inteiros (pode-se juntar mais açúcar, consoante a gulodice dos comensais) e junta-se às sopas de pão. Cortam-se duas maçãs em fatias fininhas e mistura-se tudo muito bem. Polvilha-se de canela e leva-se ao forno médio por vinte e cinco minutos a meia hora.


 


Fica muito bom.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...