06 outubro 2012

Inquietação

 

 


José Mário Branco

 

 

J P Simões

 

 

Camané

 

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

 

... das alternativas?

 



 


Manuel Alegre - (...) Questionado sobre a renegociação da dívida, um dos temas do Congresso, o socialista reconheceu que esse é "um ponto que porventura mais dúvida levanta a muita gente" e no PS (...)


 


Francisco Louçã - (...) "O ponto de partida é denunciar o memorando" (...)


 


Garcia Pereira - Portugal “tem de suspender imediatamente o pagamento da dívida” e “expulsar” a troika. (...)


 


Vasco Lourenço - (...) "A democracia portuguesa está doente, diria mesmo moribunda, contaminada pela corrupção. É hoje uma ditadura mascarada de democracia” (...)


 


Ana Gomes - (...) Ana Gomes, subiu à tribuna para pedir que a expressão «denúncia» do memorando fosse substituída por «renegociação do memorando de entendimento» na declaração final do evento. (...)


 


Carvalho da Silva - (...) defendeu a necessidade de uma "renegociação da dívida com os credores e não com  a 'troika'" (...)


05 outubro 2012

Será azul

 



Luis Sanguino


 


O dia será azul e a terra redonda para nos lembrar


da inevitabilidade de nos reencontrarmos depois da caminhada


longas rotas pelo mundo que nos reserva a vida


diária e descarregada de desesperança.


 


O barco será um navio a vela transformada em lágrimas de saudade


antes da partida. O barco será o navio que nos embala a tristeza.


 


O dia será azul por dentro da enorme beleza do adeus ainda


não definitivo. O dia será mais para nos lembrar


deste país que não nos quer mas a quem queremos.


 

Viva a República

 



 


Em 5 de Outubro de 1910, uma minoria de revoltosos implantou a República Portuguesas. Como todas as revoluções foi feita por um grupo de intelectuais. O povo não teve nada a ver com isso. Tal como a revolução de 25 de Abril de 1974 em que o povo saiu à rua e vitoriou a revolução, mas não a fez.


 


Em 5 de Outubro de 2012 o hastear da bandeira ao contrário transforma-se no triste símbolo daquilo em que o país se tornou. Esta é a aflitiva realidade, em Portugal e na Europa. O Presidente da República, representante do país e do povo, por ele eleito, destruiu as funções de que esse mesmo povo o incumbiu. Há quem queira convencer a República que não tem dinheiro para obedecer ao Tribunal Constitucional, pelo que seria desejável eliminá-lo, que não tem dinheiro para pagar aos deputados da Assembleia, pelo que se deveria prescindir dela. Há quem ainda não o diga mas considere que a República não tem dinheiro para garantir os direitos, liberdades e garantias de uma democracia.


 


Em 5 de Outubro de 2012 o povo está arredado das comemorações da República, como afastado está da vida política. O povo tenta sobreviver e anseia por um novo grupo de gente com coragem e visão, que possa voltar a levantar hoje de novo, o esplendor de Portugal. As armas de que precisamos são a honestidade e o sentir do serviço público. Os canhões contra os quais marchamos são a mesquinhez, a pequenez, a desigualdade, o oportunismo, o descrédito, o pensamento único.


 


Em 5 de Outubro de 2012 é tempo de resistir e de gritar, mesmo que em silêncio: Viva a República!


 

04 outubro 2012

Máscaras

 



 Dubrovnik


 


1.


Procuro dentro do vazio de estar só uma réstia


de vontade de chegar sentir querer estar.


Basta-me o tédio de mim.


 


2.


Há sempre um lugar preenchido na mesa


que ocupo um espaço que te aguarda


na contemplação da pureza da linha de água


neste lugar de paz que aconchega.


 


3.


Tudo se encaixa em qualquer sorriso


diáfano no mundo que nos envolve


gestos pensados olhos sem definição


tudo se encaixa no imenso cansaço


do inconstante equilíbrio das máscaras


que incessantemente vestimos.


 

Sem salvação

 



 


Este povo não está preparado para estes governantes. Esfalfam-se, esforçam-se, mostram-nos o caminho da salvação


Este povo adora os bezerros de ouro, não obedece às tábuas da lei, nem a qualquer lei deste deus menor e castigador. 


Este povo não merece os líderes que tem, na sua todo-poderosa clemência austera, autoridade ascética, sacrificial e purificadora. 


Este é um povo de gente que venera o pecado, que gasta, usa, esbanja, lambuza-se nos prazeres primitivos, tão longe das elites que nos tentam inspirar. 


Esse é um povo que não tem remédio, e tal como Sodoma deve ser arrasado. 


Assim será.


 

23 setembro 2012

Governo fantasma

 



 


Desde o fim do Conselho de Estado que Portugal tem um governo fantasma. O Primeiro-ministro está refém do Presidente, do CDS e das manifestações. Foi desautorizado por todos e arrastar-se-á até à próxima manifestação, crise da coligação ou vontade de Cavaco Silva.


 


A porta para a ingovernabilidade está definitivamente escancarada. E a substituição de alguns ministros não resolverá nada. Como diz Pedro Marques Lopes, quem deveria ser remodelado era Passos Coelho.


 


Continuamos sem saber muito bem o que significa o recuo da TSU. Na sua famosa comunicação ao país, Passos Coelho anunciou que seria devolvido apenas um subsídio aos funcionários públicos, que o outro seria distribuído pelos restantes doze meses, e que o aumento da contribuição para a segurança social, por parte dos trabalhadores, seria de 7%, equivalente a um ordenado. Ou seja, os funcionários públicos perderiam mais do que dois ordenados num ano e os trabalhadores do sector privado mais de um. Isto para além das alterações dos escalões do IRS e de outras medidas.


 


Em que ficamos agora? São devolvidos os dois subsídios retirados à função pública? Como vão ficar os escalões do IRS? Haverá redução de subsídios igualmente para ambos os sectores? Impostos adicionais?


 


Depois de uma intensa barragem de propaganda, para nos fazer crer que o dinheiro só seria disponibilizado pela troika se fossem cumpridas as alterações na TSU, tudo se volta ao contrário, mas sem se perceber onde irá terminar.


 


A remodelação é urgente, mas não do governo. Os partidos se esquerda devem tirar as suas ilações de toda esta trapalhada. Há que mudar e encontrar líderes e soluções à altura das circunstâncias. As eleições antecipadas estão no horizonte próximo. Quem assegurará o governo, se o PS não consegue capitalizar o descontentamento do povo, para além da avassaladora descrença na democracia?

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...