23 setembro 2012

Governo fantasma

 



 


Desde o fim do Conselho de Estado que Portugal tem um governo fantasma. O Primeiro-ministro está refém do Presidente, do CDS e das manifestações. Foi desautorizado por todos e arrastar-se-á até à próxima manifestação, crise da coligação ou vontade de Cavaco Silva.


 


A porta para a ingovernabilidade está definitivamente escancarada. E a substituição de alguns ministros não resolverá nada. Como diz Pedro Marques Lopes, quem deveria ser remodelado era Passos Coelho.


 


Continuamos sem saber muito bem o que significa o recuo da TSU. Na sua famosa comunicação ao país, Passos Coelho anunciou que seria devolvido apenas um subsídio aos funcionários públicos, que o outro seria distribuído pelos restantes doze meses, e que o aumento da contribuição para a segurança social, por parte dos trabalhadores, seria de 7%, equivalente a um ordenado. Ou seja, os funcionários públicos perderiam mais do que dois ordenados num ano e os trabalhadores do sector privado mais de um. Isto para além das alterações dos escalões do IRS e de outras medidas.


 


Em que ficamos agora? São devolvidos os dois subsídios retirados à função pública? Como vão ficar os escalões do IRS? Haverá redução de subsídios igualmente para ambos os sectores? Impostos adicionais?


 


Depois de uma intensa barragem de propaganda, para nos fazer crer que o dinheiro só seria disponibilizado pela troika se fossem cumpridas as alterações na TSU, tudo se volta ao contrário, mas sem se perceber onde irá terminar.


 


A remodelação é urgente, mas não do governo. Os partidos se esquerda devem tirar as suas ilações de toda esta trapalhada. Há que mudar e encontrar líderes e soluções à altura das circunstâncias. As eleições antecipadas estão no horizonte próximo. Quem assegurará o governo, se o PS não consegue capitalizar o descontentamento do povo, para além da avassaladora descrença na democracia?

4 comentários:

  1. Se «o PS não consegue capitalizar o descontentamento do povo», é porque tem mais vocação para capitalizar quadros liberais, ambiciosos e corruptos, conforme a sua ideologia social-democrata moderna.

    Quanto à «avassaladora descrença na democracia», creio que se refere a «esta» democracia que assenta naqueles quadros e naquela ideologia.

    Enfim, há que dizer tudo - ou quase tudo para não ter que reconhecer que a Esquerda tem razão.

    Os melhores cumprimentos.
    amp

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    1. António M.P ., não percebo a que se refere quando diz "esta democracia". Conhece mais algum tipo de democracia? Aonde? Em que paraíso desconhecido na Terra há aquela democracia com partidos de gente impoluta e governantes de alta qualidade?

      Quanto ao facto de ter que ser o PS a capitalizar o descontentamento, isso só acontece porque, infelizmente, à sua esquerda há partidos que nunca contribuíram e continuam a não contribuir para uma solução, mas apenas aumentam o problema. Além de defenderem métodos antidemocráticos de tomada e de manutenção de poder, soluções descabidas e irracionais, no quadro de uma estrutura europeia que, por muito que precise de mudanças, é uma comunidade de países democráticos onde Portugal se insere. Qual a sua solução? Fazem-se muitas manifestações para derrubar o governo? Quem o substitui? Com que legitimidade? Novas eleições? Para se formar que governo? Um frentismo de esquerda? Contra a troika e o capital e os bancos e os políticos gatunos e corruptos?

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    2. O seu comentário suscita-me três perguntas relativas a expressões que usou, curiosamente um por cada um dos parágrafos:

      1) "ideologia social-democrata moderna"? Em contraponto a que outras ideologias? À "ideologia socialista arcaica"? Aquela do Muro que desmoronou? Ou trata-se já do "Paraíso" comunista que esteve "quase" a existir na Terra mas que falhou por "erros de aplicação do modelo"?

      2) "esta" democracia? Quais são as "outras democracias", concretas? As "democracias populares" que lidavam com situações idênticas largando os tanques nas ruas?

      3) "a Esquerda tem razão"? Deve deduzir-se que "só" a esquerda tem razão?E eu a pensar que era o governo que a não tinha...

      Agradecido antecipadamente pelos seus esclarecimentos. Cumprimentos

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  2. Sobre a minha referência crítica a “esta democracia”, peço atenção para que é a própria Sofia Loureiro dos Santos que reconhece existir uma a «avassaladora descrença na democracia».

    A Sofia não afirma partilhar aquela descrença mas parece-me acertado interpretar no seu artigo o mesmo descontentamento que eu sinto em relação às vicissitudes deste sistema que consente em «governos fantasmas», em «barreira de informação» e em roubos nos salários dos trabalhadores (eu sei que não usa esta grosseria de linguagem em relação a governantes, sou eu que digo). Que consente – acrescento eu – em governos cujo programa real tem tanto a ver com o seu programa eleitoral quanto o “socialismo real” tem a ver com o socialismo marxista – passe a simplificação de conceitos.

    A minha crítica a “esta democracia”, ao contrário do que lhe terá parecido, é uma defesa do sistema democrático porque responsabiliza «esta forma» de exercício da democracia, assente na mentira e na corrupção, deixando implícito que «há outra» forma possível de exercê-la e, para isso, de estruturá-la. Isto é: que a solução não é recusar a Democracia.

    O que eu defendo é uma democracia aperfeiçoada, como diria Mário Soares, ou democracia aprofundada, como diria Álvaro Cunhal – independentemente do que pensa ou pensava um e outro.

    Nos mesmos termos em que eu defendo o «regime» democrático, também defendo o «sistema» socialista – aperfeiçoados ou aprofundados. Se foram os homens e mulheres que fizeram estes – ou foram fazendo! – também está nas mãos de mulheres e homens fazer melhor.

    Dou de barato as ironias sobre “paraísos na Terra”, e similares, porque sei que não estão ao seu nível – escaparam-lhe por facilidade coloquial. Mas “seria bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto”, como escreveu Mário de Carvalho, se este formato de comunicação fosse mais adequado.

    A Sofia acha que à esquerda do PS há infelizmente “partidos que nunca contribuíram e continuam a não contribuir para uma solução, mas apenas aumentam o problema. Peço-lhe que repare melhor no absurdo da sua frase que faria todo o sentido, isso sim, se fosse referida aos partidos do “arco da governação”.

    A Sofia pode não gostar ou não acreditar no BE e no PCP, mas afirmar o que afirma acerca de partidos que sempre se anteciparam nas críticas que hoje são subscritas por toda a gente menos os governantes; acerca de partidos que sempre se opuseram a esta “solução” desastrosa e denunciaram o problema, não é minimamente razoável.

    Quando a Sofia diz que «há que mudar e encontrar líderes e soluções à altura das circunstâncias» está a pensar mesmo em soluções para o país ou para o descontentamento contra os partidos que têm governado? É que, para a primeira opção, não pode ser com a mesma gente… tão concensual. Há que ter coragem para ir mais longe.

    O António Teixeira não me levará a mal que, por facilidade, me tenha dirigido expressamente, apenas a Sofia Loureiro dos Santos, mas as suas questões parecem-me estar igualmente abordadas no meu comentário, já que no essencial colocam observações idênticas.

    Acrescentaria apenas, pela especificidade da pergunta, que às vezes a Esquerda tem razão e a Direita não tem – que duas teses contraditórias fossem ambas válidas seria um paradoxo, como bem sabe. E que no caso das grandes opções políticas em discussão, sendo antagónicas, o axioma se aplica.

    Os melhores cumprimentos a ambos.
    amp

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