20 junho 2012

Adiar por mais uns meses

 



 


O PS francês conseguiu uma maioria absoluta nas últimas eleições. Apesar de considerar essa mudança muito importante, não me parece que as repercussões na política europeia, principalmente na situação de crise continuada a que assistimos desde 2008, sejam superiores ou mais relevantes que as resultantes das eleições gregas.


 


A Grécia continua na corda bamba. O acordo entre partidos para formarem um governo que mantenha a recessão e a austeridade mandatada pela troika pode adiar um desfecho que parece quase inevitável. E se continuar a instabilidade social e política e se mantiver a exigência da Alemanha, para além da saída da Grécia da zona euro, com a Espanha e a Itália a seguirem-se na turbulência dos omnipresentes mercados, a França não terá capacidade para deter a implosão.


 


Não sei se a vitória da Nova Democracia na Grécia evitou o inevitável apenas por mais alguns meses de aperto para os países da Europa.


 

17 junho 2012

Nos quartos de final

 



 

Teremos que ser...

 


... que nem umas raposas!


 



 

Jogos decisivos

 


Enquanto aguardamos o resultado das eleições na Grécia, palpitando sob a forma como o povo grego julga os seus governantes, os seus políticos e as chantagens dos verdadeiros líderes europeus, vamos assistindo ao desenrolar da governação de Passos Coelho, com a Ministra da Justiça a implementar medidas em que, em nome da nossa segurança, arrasam com os direitos individuais, com o Ministro da Saúde a acabar com o acesso aos cuidados de saúde por parte da população pobre, essa palavra que, de novo, faz parte do nosso quotidiano, e com o Primeiro-ministro a não saber nada do que se passa para não ter que responder aos deputados pparlamentares.


 


Torcemos hoje pelo futuro da selecção no euro 2012. O torneio político também se está a decidir.


 

13 junho 2012

Qualificação e desemprego

 


Não compreendo a justificação de congelamento de vagas para determinados cursos, quando esta é  a falta de empregabilidade. Nem o estado garante emprego aos formados pelas universidades públicas, nem é capaz de garantir que ele exista no sector privado. Sendo assim, será melhor estar desempregado com formação superior ou sem ela?


 


Que se limitem as vagas pela capacidade instalada das Universidades, em termos de recursos humanos, projectos de investigação, espaço físico, cooperações institucionais, que se avalie a qualidade do ensino, que se promova a excelência em todas as áreas, muito bem.


 


Mas impedir a formação superior com a miragem de que se está a garantir emprego a quem consegue entrar para determinado curso, não só cria falsas expectativas para quem entra, como é uma injusto para quem deixa de fora.


 

10 junho 2012

Nevoeiro

 



Fernando Pessoa


 


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra


Define com perfil e ser


Este fulgor baço da terra


Que é Portugal a entristecer —


Brilho sem luz e sem arder,


Como o que o fogo-fátuo encerra.


 


Ninguém sabe que coisa quer.


Ninguém conhece que alma tem,


Nem o que é mal nem o que é bem.


(Que ânsia distante perto chora?)


Tudo é incerto e derradeiro.


Tudo é disperso, nada é inteiro.


Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


 


É a Hora!


 

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