22 agosto 2011

Avaliação rigorosa

 


A propósito de algumas das medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde, é importante que Paulo Macedo esclareça a forma como vai fazer os cortes nas despesas hospitalares.


 


Os recursos humanos podem ser redundantes nalgumas áreas de alguns hospitais e serem absolutamente diminutos, mesmo insuficientes, noutras áreas e noutros hospitais.


 


É essencial que se perceba, em cada Hospital, porque se contratam médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares e administrativos, porque se pagam horas extraordinárias. Há serviços que sem essas horas e sem esses contratos deixam de cumprir os requisitos mínimos de qualidade para atenderem e tratarem doentes. Como há outros serviços que se deveriam fundir. Mas uma fusão significa um espaço único para um grupo de pessoas, ao contrário de algumas fusões feitas num passado recente que mantém os vários serviços, levando os médicos a correr a cidade de hospital para hospital, o que redunda no contrário do pretendido.


 


Estas reorganizações devem basear-se em avaliações rigorosas, caso a caso, sob pena de se inviabilizarem cuidados essenciais aos doentes do SNS.


 

21 agosto 2011

Thunder road



Bruce Springsteen & Melissa Etheridge


 


 


The screen door slams


Mary' dress waves


Like a vision she dances across the porch


As the radio plays


Roy Orbison singing for the lonely


Hey that's me and I want you only


Don't turn me home again


I just can't face myself alone again


Don't run back inside


Darling you know just what I'm here for


So you're scared and you're thinking


That maybe we ain't that young anymore


Show a little faith there's magic in the night


You ain't a beauty but hey you're alright


Oh and that's alright with me


 


You can hide 'neath your covers


And study your pain


Make crosses from your lovers


Throw roses in the rain


Waste your summer praying in vain


For a saviour to rise from these streets


Well now I'm no hero


That's understood


All the redemption I can offer girl


Is beneath this dirty hood


With a chance to make it good somehow


Hey what else can we do now ?


Except roll down the window


And let the wind blow


Back your hair


Well the night's busting open


These two lanes will take us anywhere


We got one last chance to make it real


To trade in these wings on some wheels


Climb in back


Heaven's waiting on down the tracks


Oh-oh come take my hand


We're riding out tonight to case the promised land


Oh-oh Thunder Road oh Thunder Road


Lying out there like a killer in the sun


Hey I know it's late we can make it if we run


Oh Thunder Road sit tight take hold


Thunder Road


 


Well I got this guitar


And I learned how to make it talk


And my car's out back


If you're ready to take that long walk


From your front porch to my front seat


The door's open but the ride it ain't free


And I know you're lonely


For words that I ain't spoken


But tonight we'll be free


All the promises'll be broken


There were ghosts in the eyes


Of all the boys you sent away


They haunt this dusty beach road


In the skeleton frames of burned out Chevrolets


They scream your name at night in the street


Your graduation gown lies in rags at their feet


And in the lonely cool before dawn


You hear their engines roaring on


But when you get to the porch they're gone


On the wind so Mary climb in


It's town full of losers


And I'm pulling out of here to win


 


Um dia como os outros (93)


(...) Agora um Governo de coligação de partidos à direita do espectro político e um Ministério da Saúde onde pontificam, segundo a imprensa, homens conotados com a Opus Dei, ambos zelosos no cumprir de compromissos rubricados com entidades financeiras e políticas internacionais, decidem, em dois singelos meses:



  • acabar com a experiência das PPP na área da Saúde e reavaliar as existentes

  • racionalizar a capacidade instalada no SNS quanto a Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, dando uma machadada de dimensões ainda difíceis de calcular nos convencionados

  • fazer um cerco à prestação de serviços no SNS

  • introduzir Normas de Orientação Clínica

  • obrigar à redução das horas extra o que levará, obrigatoriamente, ao encerramento e fusão de serviços, incluindo Urgências


Não sabemos o que se seguirá embora o guião seja conhecido.


Todas as medidas listadas defendem objectivamente o SNS e foram tomadas por quem foi acusado de o ir destruir.


Conhecem, na História recente, maior ironia ideológica?


 


Carlos Arroz

20 agosto 2011

Sustentabilidade do SNS

 


Correia de Campos dá hoje uma entrevista ao i, que vale a pena ler. Foi um dos melhores ministros da Saúde que tivemos e que verdadeiramente, com medidas impopulares mas importantes, lutou pela sustentabilidade do SNS. Como ele diz e como se pode perceber pela reacção de António Arnaut, o preconceito e o anacronismo podem ensombrar as melhores intenções.


 


O mundo mudou muito desde a implementação do SNS. Foi e é uma instituição de que nos orgulhamos. Mas não basta fazer manifestações e exclamar hinos de amor ao SNS para que este se possa adaptar a tudo o que foi aparecendo como inovação, não só em termos de ferramentas diagnósticas como terapêuticas. Tem que haver ajustes e reajustes, tem que se rentabilizar e concentrar, onde a exigência de qualidade se impõe e o desperdício é obsceno. Os serviços de urgência, os cuidados primários, as maternidades, os hospitais públicos, tudo deve ser reequacionado e adaptado à realidade do mundo actual.


 


Esta é e sempre foi uma bandeira do PS, mas o PS não pode anquilosar por falta de ideias ou alternativas. Correia de Campos tentou. Mas a ala mais conservadora dentro do partido dos anteriores governos, na qual se incluem Manuel Alegre, António Arnaut e António José Seguro, esforçaram-se e conseguiram abortar muitas das reformas.


 


Algumas das decisões deste Ministro parecem estar sintonizadas com o objectivo de garantir a sustentabilidade do SNS, mantendo-o universal e tendencialmente gratuito. Esperemos que sim e, ao contrário do que António Arnaut afirma, será irónico que seja um Ministro desta coligação de direita a defender um verdadeiro conceito socialista - o SNS.

A submissão do PS

 


Ontem, em resposta a uma das minhas impaciências pela morosidade enervante de certos desenvolvimentos, disseram-me que, apesar de tudo, estávamos ali, a conversar e a tentar alinhar as vontades e as acções, enquanto tudo o resto estava de férias.


 


Olhando para a nossa vida política tenho que dar razão a quem assim argumentava. O PS está de sabática desde as eleições legislativas. António José Seguro, aquela fera durante o consulado de Sócrates, que se insurgia contra a política de educação, de saúde, etc., parece ter desaparecido para parte incerta, sem que ninguém possa explicar o que pensa, o que pretende, comentários ao que se vai passando, alternativas, sei lá, uma prova de vida.


 


É claro que o PS está comprometido com muitas das medidas impostas pela Troika, pelo que se espera responsabilidade e não ausência ou omissão. O governo tem tomado medidas no mínimo polémicas. O populismo e a demagogia associados às nomeações para cargos políticos, o novo modelo de avaliação de professores, o plano de emergência social, as privatizações, o TGV, o eventual convite a Mário Crespo, para nomear apenas algumas. Será que o maior partido político na oposição não tem nada a dizer?


 


Tal como as anteriores lideranças do PSD foram um seguro de vida para o governo PS, António José Seguro é o garante de Passos Coelho. O vazio de ideias que se adivinhava está a revelar-se neste silêncio ensurdecedor.

Agosto

 



The wondering artist


 


Agosto ferve em lume brando o céu eléctrico em frenesim ameaça alarde de trovão. Arrasta-se a plebe pela casa pela cama pela rua pelo chumbo sob as cabeças cinzento sujo que nem a água chega para clarear.


 


A contabilidade toma conta da vida quanto custa andar que as solas dos sapatos também se gastam quanto custa telefonar que a conversa já estafa quanto custa a refeição que de fartura estamos parcos.


 


Contam-se moedas e cabeças carapaus e bocas medem-se alturas e pesos calculam-se passos quilómetros e horas ao minuto ou ao segundo pois o futuro não se conhece nem serve de norte.


 


Agosto marina a paciência de quem já não espera. Calam-se as vozes de dentro que nem vale a pena pensar. Sobrevivemos ao desgosto apenas sobra o mole descoser dos dias.

18 agosto 2011

O desfazer da Europa

 


Tenho muita dificuldade em me rever numa Europa em que, sem que os cidadãos os tenham eleito ou mandatado para tal, há dois países que se assumem como os chefes incontestáveis de uma união de Estados que se dizem soberanos, dando conferências de imprensa em que sugerem o que a Constituição de cada país deve conter.


 


A Europa vai-se descaracterizando cada vez mais, tornando supérfluo o acto eleitoral que se cumpre, como um ritual, de 5 em 5 anos, para além da total irrelevância do Presidente da Comissão Europeia e do Presidente do Conselho Europeu. A opinião dos cidadãos não serve para construir ou aprofundar a União, mas apenas para manter uma fachada de democracia europeia.


 


Angela Merkel e Nicolas Sarkozy já nem sequer se preocupam em manter a encenação. O conceito de União Europeia já não existe.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...