Correia de Campos dá hoje uma entrevista ao i, que vale a pena ler. Foi um dos melhores ministros da Saúde que tivemos e que verdadeiramente, com medidas impopulares mas importantes, lutou pela sustentabilidade do SNS. Como ele diz e como se pode perceber pela reacção de António Arnaut, o preconceito e o anacronismo podem ensombrar as melhores intenções.
O mundo mudou muito desde a implementação do SNS. Foi e é uma instituição de que nos orgulhamos. Mas não basta fazer manifestações e exclamar hinos de amor ao SNS para que este se possa adaptar a tudo o que foi aparecendo como inovação, não só em termos de ferramentas diagnósticas como terapêuticas. Tem que haver ajustes e reajustes, tem que se rentabilizar e concentrar, onde a exigência de qualidade se impõe e o desperdício é obsceno. Os serviços de urgência, os cuidados primários, as maternidades, os hospitais públicos, tudo deve ser reequacionado e adaptado à realidade do mundo actual.
Esta é e sempre foi uma bandeira do PS, mas o PS não pode anquilosar por falta de ideias ou alternativas. Correia de Campos tentou. Mas a ala mais conservadora dentro do partido dos anteriores governos, na qual se incluem Manuel Alegre, António Arnaut e António José Seguro, esforçaram-se e conseguiram abortar muitas das reformas.
Algumas das decisões deste Ministro parecem estar sintonizadas com o objectivo de garantir a sustentabilidade do SNS, mantendo-o universal e tendencialmente gratuito. Esperemos que sim e, ao contrário do que António Arnaut afirma, será irónico que seja um Ministro desta coligação de direita a defender um verdadeiro conceito socialista - o SNS.