15 agosto 2011

Felicidade

 



Alan Faulds


 


Seremos felizes os dois


dentro da quieta acidez do quotidiano


entre silêncios cúmplices e tristezas repartidas


a grandeza do amor nas duras desistências


entre o sal da resistência e o manso sabor das ondas.


 


Seremos felizes os dois


dessa felicidade rugosa e incerta


que ilumina cada recanto dos corpos seduzidos


pela comunhão sem paz nem tréguas


entre acessórios gestos sem sentido nem chama.

14 agosto 2011

A escrita tem sexo (?)

 


Vai decorrendo um desafio muitíssimo interessante - O sexo da escrita - Prova cega - imaginado por Ana Vidal. Consiste em tentar-se descobrir, através de um pequeno excerto de uma qualquer obra, qual o sexo do autor.


 


Aqui se podem discutir muitos conceitos e opiniões sobre a existência ou não de um género na escrita. Levantam-se ainda as questões das traduções, nomeadamente se o sexo de quem traduz influencia a escrita.


 


Será que há mesmo temas, estilos, sensibilidades, que se definem como femininas ou masculinas? Será que não?


 


Descubra, num blogue perto de si.


 

Mortal loucura

 



 José Miguel Wisnik / Gregório de Matos


Caetano Veloso


Grupo Corpo: Onqotô


 


Na oração que desaterra........................... aterra,


Quer Deus que a quem está o cuidado....... dado


Pregue que a vida é emprestado............... estado,


Mistérios mil que desenterra.................... enterra.


 


Quem não cuida de si que é terra.............. erra,


Que o alto Rei por afamado..................... amado


E quem lhe assiste ao desvelado............... lado


Da morte ao ar não desaferra.................. aferra.


 


Quem do mundo a mortal loucura............ cura,


À vontade de Deus sagrada...................... agrada


Firmar-lhe a vida em atadura................... dura.


 


Ó voz zelosa que dobrada......................... brada,


Já sei que a flor da formosura................... usura


Será no fim desta jornada........................ nada.

13 agosto 2011

Em cerca de 2 meses

 


Este governo, eleito para cumprir uma rigorosa mudança de atitude governativa, com enormes e exuberantes cortes nas despesas do estado, anunciadas, escolhidas e conhecidas pelos estudiosos especialistas, pensadores, opinadores e comentadores da área actualmente no poder, tem anunciado em conferências de imprensa, mais impostos e nenhuma medida para reduzir as despesas (estou a esquecer-me, obviamente, da reduzida dimensão do governo).


 


Desde 5 de Junho, em pouco mais de 2 meses, aqueles que não aprovaram o PEC IV, já introduziram um imposto extraordinário (subsídio de Natal), aumentaram os transportes públicos (em cerca de 12% - média) e aumentaram o IVA para 23% no gás e electricidade.


 


O Estado propõe-se ajudar as IPSS para que elas apoiem os cidadãos com maiores dificuldades (Plano de Emergência Social), mas parece que terá que as salvar primeiro da falência. Para isso nada melhor do que aligeirar as regras de funcionamento, tal como se podem aligeirar as regras de segurança e higiene dos produtos alimentares, tal como se podem aligeirar as regras de segurança para o consumo de medicamentos, para os cidadãos com maiores dificuldades. No entanto o Estado não parece preocupado em salvar os hospitais do SNS pagando-lhes os enormes montantes que lhes deve, colocando em causa o normal funcionamento dos mesmos e o atendimento adequado aos doentes, mas sugere que apertem os cordões à bolsa e que tenham contenção. Temos a vantagem de assistir à criação de um organismo... que já está criado.


 


Confesso que me escapa esta escala de prioridades.

Populismo e hipocrisia

 


A crise existe a vários níveis. Quando se ouvem os responsáveis políticos muito preocupados em fazer comunicações ao país, declarando que prescindem das férias para trabalhar a favor da causa pública, que viajam em classe económica para poupar o estado, que aceitam responsabilidades e trabalho por escassas remunerações ou mesmo por ausência delas, que são defensores de ambientes austeros, e outras manifestações espartanas, percebe-se o vazio de tanta intenção, o populismo e a demagogia que abarca toda a classe política. Todos os dias aparecem notícias contabilizando os gastos em telemóveis, carros e viagens. Não tardará a contabilizarem-se os custos dos restaurantes, dos fatos, das maquilhagens, de todo e qualquer sinal que possa significar, para o comum dos cidadãos, apertado e descontente pela cada vez menor qualidade de vida, um privilégio obsceno.


 


Não ponho em causa a necessidade de disciplinar, prevenir e impedir o uso abusivo dos bens públicos. Nem questiono a afronta de determinados prémios e exposições alarves e bacocas de esbanjamento, para quem se sente injustiçado pelo desemprego, pelos baixos salários, pela gestão dos parcos recursos a que tem direito. Mas não me parece que o alimentar deste tipo de atitudes, que se demonstram hipócritas, revelando a falta de honestidade intelectual de quem as proclama, sabendo de antemão que apenas são encenações, ajudem ao controlo das finanças públicas, à motivação dos cidadãos ou à moralização da vida pública.

12 agosto 2011

Os limites

 


Ainda bem que a Troika assumiu que não haverá mais aumentos de impostos, este ano. Agradecimentos à Troika, que nos governa. O Ministro das Finanças, no entanto, ainda não refeito do aumento do IVA anunciado hoje, já se prepara para os novos aumentos de impostos em 2012.


 


E isto é proque há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.


 


 

Tardes

 



Martha Pettigrew


 


Assumimos cumplicidades recentes irmandades antigas



em jardins expostos de códigos


que apenas nós aceitamos.


Redigimos diários suspensos


em que as palavras desenham afectos


que apenas nós conhecemos.


Sabemos sorrir devagar


como o rumor da tarde


que apenas nós percebemos.


Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...