A crise existe a vários níveis. Quando se ouvem os responsáveis políticos muito preocupados em fazer comunicações ao país, declarando que prescindem das férias para trabalhar a favor da causa pública, que viajam em classe económica para poupar o estado, que aceitam responsabilidades e trabalho por escassas remunerações ou mesmo por ausência delas, que são defensores de ambientes austeros, e outras manifestações espartanas, percebe-se o vazio de tanta intenção, o populismo e a demagogia que abarca toda a classe política. Todos os dias aparecem notícias contabilizando os gastos em telemóveis, carros e viagens. Não tardará a contabilizarem-se os custos dos restaurantes, dos fatos, das maquilhagens, de todo e qualquer sinal que possa significar, para o comum dos cidadãos, apertado e descontente pela cada vez menor qualidade de vida, um privilégio obsceno.
Não ponho em causa a necessidade de disciplinar, prevenir e impedir o uso abusivo dos bens públicos. Nem questiono a afronta de determinados prémios e exposições alarves e bacocas de esbanjamento, para quem se sente injustiçado pelo desemprego, pelos baixos salários, pela gestão dos parcos recursos a que tem direito. Mas não me parece que o alimentar deste tipo de atitudes, que se demonstram hipócritas, revelando a falta de honestidade intelectual de quem as proclama, sabendo de antemão que apenas são encenações, ajudem ao controlo das finanças públicas, à motivação dos cidadãos ou à moralização da vida pública.
01- Este post elenca situações onde são "valorizados" entendimentos queridos do chamado "Senso Comum".
ResponderEliminarO populismo, a demagogia e a hipocrisia vêm depois.
02- Mas está no caminho correcto, o do previligiar, neste momento, uma postura pedagógica de clarificação ideológica, no sentido exacto do modo de ver e ler o mundo e de o transformar.
Boa Tarde.
Bom Fim de Semana.
Cordiais Saudações de
ACÁCIO LIMA