
1. A razão de tantos hipermercados e de tantas grandes superfícies é singela: as lojas tradicionais não querem continuar a vender, estão fartas de existir. Os seus donos fazem um enorme favor ao receber os clientes em mostrar-lhes as mercadorias, em ver se têm para entrega. De tal forma querem que os clientes se vão embora e desistam que, a meio de uma eventual venda de um electrodoméstico, acham muito mais importante atenderem telemóveis e falarem calmamente com o interlocutor, sobre assuntos tão importantes e urgentes como o problema de não cuidar bem dos cães, com este calor.
2. Recorri hoje aos serviços, publicitados na internet, de uma firma que prometia arranjos em casa e rapidamente, por profissionais qualificados. Eu precisava de um canalizador, não urgentemente mas com alguma pressa e telefonei.
Devo dizer que estou no Algarve e a primeira coisa que perguntei era se também asseguravam serviços em P..., ao que me responderam que sim. Expus as minhas necessidades que se resumiam a arranjar um autoclismo (que não segurava a água) e a compor 4 torneiras, que pingavam.
Daí a pouco telefonou-me um senhor para combinar a hora do encontro. Ia primeiro almoçar e depois passava lá por casa. Muito bem, a morada e as referências, para não se enganar, e espero pela hora marcada. O senhor, que se apelidava a si mesmo de Mestre, apareceu 50 minutos depois do combinado. Demorou 1:30h a compor o que tinha a compor, incluindo um intervalo de 10 minutos em que, alegadamente, foi comprar umas anilhas. Depois de completado o trabalho telefonou ao patrão para que ele fizesse a conta.
Após umas trocas de palavras, em que as 2:00h fictícias horas de trabalho tinha terminado em 1:30h avantajadas, o Mestre disse-me que o trabalho ficava na módica quantia de 90 euros e que correspondia ao serviço mínimo. Quando eu perguntei, furiosa e perplexa, quanto levavam à hora, respondeu-me naturalmente que o preço/hora era de 35 euros e que a deslocação era de 40 euros. Afirmei revoltada, mais comigo mesma por não ter perguntado os preços ao telefone, que o que me pediam era uma enormidade e que queria uma factura. Aí o preço subiu para 90 euros mais IVA. Recusei-me apagar mais de 90 euros, que era a conta que me tinha sido feita e o Mestre confabulou outra vez com o patrão. Passou-me então uma factura de 86,10 euros. A firma é de Gondomar – percebi, portanto, a razão do montante de tão custosa deslocação.
Não há dúvida que a crise é só para alguns.