23 maio 2011

Revolução

 



Michael Peterson: Revolution/Evolution


 


Se desatarmos os braços


com que atamos o próprio corpo


espartilhado pela solidão


se entre nós enredarmos os dedos


alargando os corpos que se oferecem


o vento revolverá os sentidos


as superfícies visíveis e inaparentes


acenderão os olhos de lume


e seremos nós


a revolução.


 

22 maio 2011

Cultura democrática

 


A estratégia dos opositores ao PS e a José Sócrates passa por desacreditar todos os que, mesmo que remotamente, apontem factos positivos na governação socialista, tratando-os a todos como um grupo em que não há indivíduos, numa corja abrantina, últimos fanáticos, mentirosos, vigaristas, gente colada ao poder.


 


A intimidação expressa ou implícita, desde as caixas de comentários de gente que prepara uma vingança mítica, até aos bem pensantes que destilam ódio por pessoas, estende-se pela sociedade dos publicados.


 


Esta cultura que se instalou, anti-democrática, em que não se vislumbra qualuqer respeito pelas ideias dos outros, está centrada na incapacidade de convencer com argumentos lógicos, de ter carisma e capacidade de liderança.


 


Desde a campanha eleitoral para as legislativas de 2009 que se assiste a um crescendo de impaciência e desespero, pela ausência de alternativas credíveis, à esquerda e à direita. Nada melhor do que fazer alastrar a doutrina do ódio. Neste momento, para além da inevitabilidade da intervenção externa, primeiro não advogada por ninguém e sinónimo de falhanço do governo - Passos Coelho e Cavaco Silva dixit - depois procurada insistentemente até à exaustão, já se afirma em campanha que Sócrates e este governo demissionário não estão a cumprir o acordo com a Troika.


 


As irredutíveis recusas dos partidos em campanha de estudarem soluções governativas resultantes das eleições, condicionando assim a sua própria margem de manobra após as mesmas, são mais um sintoma da irresponsabilidade destes líderes que, ao contrário do que afirmam, não parecem estar preocupados com o futuro do país.


 

21 maio 2011

Um dia como os outros (87)


(…) Apesar de ser necessário dar o desconto das tradições anarquistas espanholas, julgo que a natureza profunda do 15-M esconde uma perigosa tendência, cada vez mais visível nas democracias ocidentais: a fragmentação populista. (…) A demagogia e o populismo compensam no discurso político, assim como os argumentos anti-capitalistas e a recusa da solidariedade entre países ou entre regiões ou entre classes sociais ou entre gerações. (…)


 


(…) Num mundo onde se glorifica a juventude, um certo tipo de beleza, onde se combate a cultura e se despreza a inteligência, onde se procura a fama e a riqueza a qualquer preço, as pessoas parecem precisar de novas causas, que estimulem o orgulho de pertencer a algo distinto e vencedor. (…) 


 


(…) Para mais, a comunicação social (e agora as redes sociais) amplificam estes movimentos de protesto difuso. As redes sociais podem ser úteis para uma democracia, mas também facilitam o populismo. (…)


 


(…) Por tudo isto, acho que os movimentos populistas ao estilo do 15-M estão condenados a crescer e multiplicar-se. A democracia que conhecemos será combatida sobretudo desta forma, a partir do incómodo geral que os povos sentem, uma espécie de comichão superficial que alimenta a sua ansiedade. É ao mesmo tempo contestação das elites e aceitação de uma ordem mais inflexível e menos liberal. As minorias vão impor as suas visões estreitas em referendos, cujas discussões favorecem os que gritam mais alto. Haverá mais proporcionalidade nos votos e, por isso, maior fragmentação de partidos, com instabilidade governativa, liberdade para os grupos de pressão ganharem influência, divisões mais óbvias e profundas entre as pessoas. Os sinais da radicalização do nosso tempo e da doença democrática estão em Madrid.


 


Luís Naves


 

Meu fado


Mariza & Miguel Poveda

 

Inexplicável

 



Brian Dettmeter


 


As palavras são os meus olhos.


Com elas sinto a cor das pedras


a claridade das tuas mãos.


 


As palavras são os meus dedos.


Com elas sinto a tremura das plantas


a rugosidade do nosso espaço.


 


As palavras são a minha voz.


Com ela explico-te o inexplicável


gosto de te amar.


 

20 maio 2011

Ainda mais a seguir

 


A verdade é que não se debateram os assuntos mais importantes, como as reformas, as tais tantas vezes ansiadas e esperadas, na justiça, na legislação laboral, na saúde, na educação, etc. Mas também não estava à espera que fossem debatidos.


 


Estes debates são do âmbito do subliminar. Apesar de tudo o que se passa antes - o anúncio de um espectáculo de circo - e depois - as campanhas e os apoiantes a encontrarem pontos de brilho nos seus candidatos ou nos que mais se aproximam, dos quais não me excluo por muito isenta que queira ser - não acredito muito que se decidam eleições com estes debates. Mas isto é só uma questão de fé.


 


O mais interessante é que eu nem tenho candidato, à partida. Mas terei o candidato que me restar após a exclusão de todos os outros.


 

A seguir ao debate

 


Os blogues de direita já determinaram a vitória de Passos Coelho. Na televisão também se canta a mesma vitória.


 


Mais ou menos o habitual.


 

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