A estratégia dos opositores ao PS e a José Sócrates passa por desacreditar todos os que, mesmo que remotamente, apontem factos positivos na governação socialista, tratando-os a todos como um grupo em que não há indivíduos, numa corja abrantina, últimos fanáticos, mentirosos, vigaristas, gente colada ao poder.
A intimidação expressa ou implícita, desde as caixas de comentários de gente que prepara uma vingança mítica, até aos bem pensantes que destilam ódio por pessoas, estende-se pela sociedade dos publicados.
Esta cultura que se instalou, anti-democrática, em que não se vislumbra qualuqer respeito pelas ideias dos outros, está centrada na incapacidade de convencer com argumentos lógicos, de ter carisma e capacidade de liderança.
Desde a campanha eleitoral para as legislativas de 2009 que se assiste a um crescendo de impaciência e desespero, pela ausência de alternativas credíveis, à esquerda e à direita. Nada melhor do que fazer alastrar a doutrina do ódio. Neste momento, para além da inevitabilidade da intervenção externa, primeiro não advogada por ninguém e sinónimo de falhanço do governo - Passos Coelho e Cavaco Silva dixit - depois procurada insistentemente até à exaustão, já se afirma em campanha que Sócrates e este governo demissionário não estão a cumprir o acordo com a Troika.
As irredutíveis recusas dos partidos em campanha de estudarem soluções governativas resultantes das eleições, condicionando assim a sua própria margem de manobra após as mesmas, são mais um sintoma da irresponsabilidade destes líderes que, ao contrário do que afirmam, não parecem estar preocupados com o futuro do país.
Bom dia Sofia,
ResponderEliminarTotalmente de acordo e como sempre escrito de uma maneira elegante ...já que a mim só me apetece escrever à bruta sobre esses brutos.
Bom domingo
E justamente o tipo de atitude que aponta acima, de que quem reconhece qualidades a governação de Sócrates e forçosamente um mero vendido, e não alguém com convicções , que ate se podem discutir, que me levam também a dizer que ainda assim eu votaria em Sócrates . Mais, o discurso roca a criminalização da ideologia, equiparando a intervenção governamental após a crise a puro despesismo, tentando arrastar para a lama não apenas o PM, mas também um homem bom e dedicado como Teixeira dos Santos. Bem sei que estes excessos de linguagem tenderão a dissipar-se se o PSD progredir nas sondagens e julgo que o discurso politico de Sócrates, ao limitar-se a fazer oposição a oposição , o condenara a derrota eleitoral, como pelos vistos se viu pelo debate. No entanto, este discurso das oposições mostra o quão pouco a Direita (e a Esquerda da Esquerda) aprenderam com a Democracia. No Reino Unido, Cameron não precisou de questionar as intenções e o patriotismo de Brown por causa do aumento da divida publica a seguir a crise e chegou mesmo a elogiar o esforço do opositor no momento da vitoria. Alguém espera que PPC faca isto caso o PSD ganhe as eleições ?
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