08 maio 2011

Contratação de médicos colombianos

 



 


Tenho exposto, neste blogue, a minha discordância profunda com muitas das declarações dos representantes da Ordem do Médicos. Ora também vale a pena difundir a minha total concordância com as cartas enviadas à Ministra da Saúde pelo Presidente do Conselho Regional do Sul, Dr. Pereira Coelho (das quais tive conhecimento pela Ana Matos Pires), não só alertando para o facto de ser falso (tanto quanto sabemos pela ausência de resposta) que os médicos colombianos tenham sido certificados pela Ordem dos Médicos, factor essencial para exercerem Medicina em Portugal, como pelas sugestões que faz à Ministra para optimizar a disponibilidade dos médicos portugueses, qualificados em Medicina Geral e Familiar.


 


A falta de Médicos em diferentes especialidades é responsabilidade de vários governos e Ministros da Saúde, o primeiro dos quais de Cavaco Silva e Leonor Beleza - X Governo Constitucional - pelo que se entende a urgência e a necessidade de haver criatividade para encontrar soluções rápidas. Sou favorável à contratação de médicos estrangeiros, sejam de que país forem, desde que devidamente habilitados para tal. Independentemente do que possamos criticar ou não, a Ordem dos Médicos é a Entidade que tem por obrigação certificar e legalizar o exercício da Medicina. Convém que o Ministério da Saúde cumpra a legislação.


 

Anatomia de um instante

 



 


A 23 de Fevereiro de 1981 o exército espanhol ocupou pela força o Congresso dos Deputados quando se votava a substituição do governo de Adolfo Suárez, demitido cerca de 1 mês antes, pelo de Calvo-Sotelo. O Tenente Coronel da Guarda Civil António Tejero, de pistola em punho, irrompe pelo hemiciclo - "¡Todo el mundo al suelo!"... “¡Se sienten, coño!"


 


Javier Cercas parte da fotografia deste momento histórico para, analisando as posturas de Adolfo Suárez, que não se deita e permanece sentado na sua cadeira, sobressaindo como um grito, o General Gutiérrez Mellado que entra numa altercação com os invasores, e Santiago Carrillo, outro grito silencioso na outra ponta da Câmara Baixa.


 


A dissecção desse instante origina um extensivo estudo da realidade espanhola desde a queda de Franco, por toda a Transição e pelos 5 anos de governo de Adolfo Suárez. O autor esmiúça a sociedade espanhola, a democracia instável, os resistentes franquistas, o exército inconformado, as autonomias e a legalização do Partido Comunista de Espanha. Partidos políticos, jornais, figuras gradas da sociedade espanhola, exército, todos conspiravam contra Suarez. O golpe era uma certeza, só não se sabia era quando seria e quem o protagonizaria.


 


É um livro que se questiona continuamente, se justifica, se põe em causa, com a preocupação de tentar perceber Adolfo Suárez, o seu gesto de nobreza, de coragem, de heroicidade, acossado por todos os que o tinham aclamado na Transição, por todos os que não lhe perdoavam a Transição, por todos os que lhe exigiam mais do que ele deu na Transição. O autor enquadra os indivíduos e as suas circunstâncias, Adolfo Suárez e a sua geração, para quem é implacável e por quem tem uma profunda admiração.


 


Depois dos excelentes Soldados de Salamina e A Velocidade da Luz, este Anatomia de um Instante supera-os em todos os aspectos.


 

O grande redutor da esquerda grande

 


 


DN


 


Defendi há alguns dias que os partidos da dita esquerda deveriam ser capazes de tornar públicas as condições mínimas para poderem viabilizar um governo do PS. Mas rapidamente se me desfizeram as ilusões, com a posição que o BE e o PCP assumiram ao recusarem-se a reunir com a Troika.


 


Após a divulgação das últimas quatro sondagens, todas elas espelhando uma descida dos potenciais votantes no BE, Francisco Louçã já admite fazer coligações com o PS, mas sem José Sócrates, o que demonstra bem o embuste e a sua dimensão pouco democrática.


 


Francisco Louçã não está minimamente interessado em defender as políticas da esquerda grande. Apenas está a tomar consciência de que a sua demagogia e irresponsabilidade, desde a coligação com o PSD e o CDS (e o PCP), para forçar a demissão do governo, até à decisão de ficar de fora das negociações das contrapartidas para a ajuda externa, lhe vão render uma derrota eleitoral, maior do que a que teve em 2009.


 


Neste momento o anúncio desta disponibilidade, para além de não convencer os votantes no BE, pode ser prejudicial ao PS, dissuadindo os indecisos, pela certeza que têm da impossibilidade de uma coligação com os partidos da extrema-esquerda, agora como anteriormente. Como se fosse admissível eleger um governo com três partidos, em que dois se recusam a seguir as medidas acordadas pelo terceiro com a Troika.


 


Quem no eleitorado do centro procure, acima de tudo, um governo de maioria absoluta, pode afastar-se do PS com a perspectiva de tal coligação.


 

06 maio 2011

Antes e depois, é connosco

 


As opiniões de aplauso e júbilo ao programa acordado com a Troika multiplicam-se. Na verdade, todos sabem e sabiam há muito tempo quais os problemas do país, as reformas estruturais (aquela fórmula linguística utilizada a propósito e a despropósito, principalmente por quem não as quer executar), as despesas a reduzir e as reestruturações e ganhos de eficiência possíveis.


 


O problema foi e é implementar as medidas que todos reputam indispensáveis e inadiáveis. O único governo que, nas últimas décadas, teve uma agenda verdadeira e assumidamente reformista, foi o primeiro governo liderado por Sócrates. Anunciou e iniciou reformas em várias frentes. O resultado foi uma enorme revolta de todas as corporações e de todos os grupos de pressão empresariais e políticos, do seu e dos outros partidos, que fizeram tudo para boicotar quaisquer sinais de mudança, da educação à saúde, das finanças regionais às locais, do sistema de justiça à auto-estrada tecnológica. Tudo foi pretexto para impedir, emperrar, denegrir, descredibilizar, qualquer assomo de iniciativa para a diferença.


 


Na última legislatura houve até convergência de forças políticas antagónicas, mas que concordaram em tentar desfazer o que, com muito esforço e trabalho, se tinha conseguido fazer anteriormente.


 


Quem tem que assumir a responsabilidade de cumprir as metas que nos são impostas (é claro que nos são impostas) somos nós,,cidadãos, que não queremos perceber que é preciso cumprir horários, controlar a qualidade do nosso trabalho, prestar contas e responsabilizamo-nos pelo pagamento dos impostos, pela educação dos filhos, pela avaliação do desempenho, pelo mérito, pela partilha e pela solidariedade, pelo cumprimento rigoroso de normas de trabalho e de conduta, pela exigência a nós mesmos e aos outros, pelo desfazer de clientelas, compadrios, amiguismos, negligências, oportunismos e vigarices.


 


Seja quem for que ganhe as eleições terá que conseguir que nos olhemos ao espelho. E, melhor ou pior, o único líder que tem créditos em termos de querer mudar, por ter assumido os riscos que isso importa, é José Sócrates.


 

Um homem honrado

 



 


Teixeira dos Santos foi ontem entrevistado por um rude e duro José Rodrigues dos Santos. E muito bem. É exactamente esse o papel dos entrevistadores. Penso que pela postura, pela extrema lealdade e elegância com que foi respondendo, mesmo às perguntas sobre a sua relação com Sócrates, Teixeira dos Santos mostrou a sua honradez, seriedade e espírito de missão e de dedicação à causa pública. O país em geral e Sócrates em particular têm muito a dever-lhe.


 


Por outro lado, é cada vez mais patente a solidão que rodeia o líder do PS, ao ver afastarem-se, sejam quais forem os motivos, os verdadeiros artífices do que de bom foi feito por estes dois últimos governos. Isso é muito preocupante até porque, nos tempos difíceis que aí vêm, não é qualquer um que aceita os desafios da impopularidade. Talvez não fosse má ideia José Sócrates pegar no espelho em que nós nos devemos estudar, e se pergunte quais as características da sua liderança que estão a causar esta lenta, mas inexorável aridez. Seria certamente instrutivo e seguramente saudável.


 

Fabricação de notícias

 



 


Não tenho tido muita disponibilidade para assistir aos vários debates e programas que têm surgido após o acordo celebrado entre a Troika e o governo.


 


Por isso não sei se já se formaram vários grupos de estudo, se já se fizeram vários inquéritos internos e externos, se já se cruzaram argumentos e se denunciaram propósitos, obscuros ou claros, em relação ao que se passou com a comunicação social nos dias anteriores ao acordo.


 


As manchetes, as informações, as previsões, os estudos, as certezas e as sentenças que se escreveram, disseram e assumiram deveriam gerar, de imediato e com a emergência que se impõe, numerosos grupos de trabalho que dissecassem e iluminassem os incautos cidadãos sobre os bastidores da fabricação de notícias.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...