J. S. Bach
Swingle Singers & Modern Jazz Quartet
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Um dia passado, às voltas com as notícias que vão saindo nos jornais online, no rádio e na televisão, algumas notas vou tomando:
Sócrates conseguiu ganhar mais esta batalha. Vamos a eleições sem qualquer razão, perdemos um mês sem qualquer préstimo, mostrámos internacionalmente uma imagem de doidos e oportunistas, cavámos mais fundo o insuportável fosso entre eleitores e eleitos.
Cada vez mais se configura a repetição do quadro parlamentar anterior, com a vitória do PS nas próximas eleições. E ainda bem, porque este PSD demonstrou bem qual a importância que dá ao país. Tudo vale, mas mesmo tudo, para alcançar o poder.
A morte de Osama Bin Laden foi uma vitória da Administração Obama e uma vitória da luta contra o terrorismo. Simbolicamente, foi a neutralização do mais importante inimigo dos Estados Unidos, com quem os EUA estavam em guerra há décadas.
É claro que teria sido preferível que Osama Bin Laden tivesse sido capturado, julgado e condenado em tribunal. Mas a realidade não se compadece, em muitas situações, com o que deveria ser.
O terrorismo não acabou, obviamente. Mas, e mais uma vez simbolica e politicamente, sofreu um rude golpe.
A comunicação ao país do Primeiro-ministro demissionário, acompanhado de um demissionário Ministro de Estado e das Finanças com uma postura fechada, desaprovadora da sua própria presença, foi apenas uma peça de propaganda eleitoral.
Não ficámos a saber nada de concreto sobre as medidas que terão ficado acordadas com a Troika. A única preocupação de José Sócrates foi desmentir aquilo que foi sendo avançado pelos media como certezas de austeridade. Desmentiu o desaparecimento dos 13º e 14º meses, inclusivamente a hipótese de serem pagos em títulos de poupança, desmentiu cortes em salários e em pensões, desmentiu mais medidas orçamentais para além das do PEC 4, desmentiu o aumento da idade da reforma, desmentiu a necessidade de alterações constitucionais por causa de alterações das leis laborais, SNS e escola pública.
Não ficámos a saber rigorosamente nada do que vai acontecer.
A comunicação de Eduardo Catroga, também uma peça de propaganda, não lhe correu muito bem. Como não tinha nada para dizer, visto que nada se sabia, Eduardo Catroga insinuou que as medidas desconhecidas iriam ser muito piores que as do PEC 4, que já nunca teria chegado, mas muito melhores do que seriam sem a contribuição do PSD. O que é mais uma contradição e também não se compreende, pois o PSD não aprovou o PEC 4, pelas razões mutuamente exclusivas de serem muito e pouco duras.
A comunicação de Francisco Louçã foi irrelevante, para não variar, assim como a de Carvalho da Silva. A de Assunção Cristas foi a mais normal e cautelosa.
Continuamos a aguardar, portanto. Para já, Sócrates saiu-se melhor neste acto de campanha eleitoral.
Nota: 78 mil milhões de euros.
Não percam este livro e, já agora, o lançamento:
de Porfírio Silva - Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais
O apelo à ajuda externa, que a Troika corporiza e simboliza, vai condicionar muitas das medidas que o próximo governo tiver que tomar, a curto e a médio prazo. É importante que nos lembremos, com as devidas reservas da manipulação e da especulação d'Os Mercados e com a anemia da União Europeia, que foi o país que pediu essa intervenção e que, por isso mesmo, os receios da falta de democracia pelo facto de a Troika pretender um acordo com a maior parte dos partidos políticos e dos parceiros sociais me parecem inconsequentes. Infelizmente, há um plano de financiamento a Portugal. É pouco provável que a Troika aceite que sejamos nós a ditar as condições do empréstimo.
É claro que os representantes do governo demissionário e dos restantes partidos e restantes parceiros sociais deverão tentar o que puderem para que as medidas sejam o menos gravosas possível, em termos sociais.
Mas a campanha política tem ainda muito que esclarecer, se é que alguém alguma vez estará interessado em o fazer. Eu, por exemplo, gostaria muito que me esclarecessem quanto a algumas matérias:
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...