O apelo à ajuda externa, que a Troika corporiza e simboliza, vai condicionar muitas das medidas que o próximo governo tiver que tomar, a curto e a médio prazo. É importante que nos lembremos, com as devidas reservas da manipulação e da especulação d'Os Mercados e com a anemia da União Europeia, que foi o país que pediu essa intervenção e que, por isso mesmo, os receios da falta de democracia pelo facto de a Troika pretender um acordo com a maior parte dos partidos políticos e dos parceiros sociais me parecem inconsequentes. Infelizmente, há um plano de financiamento a Portugal. É pouco provável que a Troika aceite que sejamos nós a ditar as condições do empréstimo.
É claro que os representantes do governo demissionário e dos restantes partidos e restantes parceiros sociais deverão tentar o que puderem para que as medidas sejam o menos gravosas possível, em termos sociais.
Mas a campanha política tem ainda muito que esclarecer, se é que alguém alguma vez estará interessado em o fazer. Eu, por exemplo, gostaria muito que me esclarecessem quanto a algumas matérias:
- Está agendada, pensada, perspectivada, estudada, etc., alguma reorganização administrativa do território nacional? Parece-me uma reforma estrutural, daquelas que todos gostam de reputar inadiáveis e indispensáveis, de que não ouço falar. Penso mesmo que a reforma das leis eleitorais deveria ser posterior à reorganização administrativa do país.
- Há algum projecto, de manutenção ou desenvolvimento, da melhoria da implementação e do acesso às tecnologias de comunicação e informação? É que a reorganização do trabalho, da prestação de serviços públicos e de referenciação pode ser muito diferente se se aproveitarem as capacidades das tecnologias informáticas, com observação e consultadorias à distância, teletrabalho, etc. Para não falar dos custos e da possibilidade de ocupação das áreas do interior, podendo reverter-se a desertificação do território mais periférico.
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