A campanha dos sectores de direita, que pretendem que se instale em toda a população a certeza de que o SNS é insustentável continua, recorrendo-se a todos os estratagemas (vale a pena ler o último artigo de António Correia de Campos).
O último foi a denúncia da incapacidade dos hospitais proverem aos doentes os medicamentos necessários, e a condenação das sugestões de ajuda à Maternidade Alfredo da Costa feita a quem a ela recorre ou recorreu.
As reportagens sobre os medicamentos em falta nos hospitais não são esclarecedoras, mas parece-me que é exactamente esse o objectivo. Em que circunstâncias foram pedidos medicamentos às famílias dos doentes? Ninguém sabe se é verdade nem em que condições acontecem ou aconteceram.
Em relação aos donativos à maternidade, não percebo o espanto e atrevo-me a dizer que acho muitíssimo bem. Porque é que a população não pode ajudar com donativos as maternidades, clínicas, creches, escolas, teatros, cinemas, bibliotecas, e outras instituições, públicas ou privadas? Em que é que isso reduz os direitos dos doentes ou dos familiares dos doentes? Em que medida prejudica quem quer que seja?
A consciência social, a cidadania e a solidariedade não são incompatíveis com um serviço público de saúde de qualidade e gratuito, ou tendencialmente gratuito. Dá a sensação que, em Portugal, há algumas entidades que têm obrigação de tudo: Deus e/ou o Estado. Os cidadãos só têm direitos, nunca deveres, éticos que sejam.