04 abril 2011

Desligar a crise


 


Há sempre alguém que gostaríamos de igualar, nesses sonhos de grandeza da adolescência, heróis da ciência, das artes, gente que desafia o perigo, que se entrega à morte para salvar o próximo, enfim, daqueles seres que se nos apresentam em forma humana, mas são carne e sangue de deuses.


 


Pois eu sempre juntei à minha lista os detectives das histórias que vou lendo, mas não do tipo Sherlock Holmes ou Philo Vance. Os que eu aprecio são a Miss Marple, a Mma Ramotswe, o Poirot, o Foyle, o Jaime Ramos e o Maigret, ou aqueles seres anónimos e sem graça que se revelam nos policiais, cheios de defeitos e de vícios mas argutos e, bem lá no fundo, generosos e capazes de entregas totais, de renascimentos memoráveis.


 


Este fim-de-semana comecei a saborear uma das muitas séries já realizadas com base nos livros da Agatha Christie, em que a espertalhona e mexeriqueira Miss Marple observa as águas paradas da vida de todos os dias e descobre mundos invisíveis e inconfessáveis.


 


É uma boa maneira de vencer a crise. Pelo menos desligamo-la por algumas horas.


 

(Não) Somos todos Iguais


 


Há alguns dias, em acesa discussão com uma amiga, à volta de um jantar que tentava apagar a exaustão que nos acabrunhava, afirmava eu com toda a convicção que o povo somos nós, bons, maus, corruptos, rigorosos, iguais a todos os que tanto condenamos e desprezamos. Ouvi uma resposta meio azeda meio séria, de quem se sente mal pelo que diz, mas convencida da sua razão, de que não, não somos todos iguais, que ela não se sentia parte daquele povo mal educado e vigarista, oportunista e ronceiro.


 


Hoje, ao inteirar-me da forma como o Benfica reagiu à vitória do Futebol Clube do Porto, também eu afirmo que não faço parte do povo que mandou fechar as luzes e abrir a rega, não sou igual a quem atira pedras, a quem faz da selvajaria a relação com o seu pequeno mundo. De facto, ainda bem que não somos todos iguais.


 

03 abril 2011

De passagem


 Shinpei Kusanagi: grace


 


De passagem


sem palavras nem paisagem


corre o murmúrio da terra


o barco pela margem.


 


De passagem


percorro o sentido da mensagem


desfaço  o mapa


continuo de viagem.


 

01 abril 2011

A seguir à Páscoa...


 


Flores vermelhas na rua.


 

Das notas que tomamos (3)

 


 



Coerência e sentido de estado:



  • Cavaco Silva, no discurso de posse, deu o tiro de partida para eleições antecipadas.

  • O Presidente manteve um silêncio inaceitável e politicamente sepulcral nas vésperas da anunciada demissão do governo, dando total cobertura ao chumbo do PEC IV, esquecendo o que, para amedrontar os votantes avisou da irritação dos mercados se ele não fosse eleito à 1ª volta.

  • Passos Coelho não apoiou o PEC IV porque era quadro típico de ajuda externa que tinha medidas extremamente gravosas e injustas.

  • Há uns meses Passos Coelho avisava que se o governo pedisse a intervenção externa era a prova de que tinha falhado, no que foi secundado por Cavaco Silva.

  • Neste momento Passos Coelho diz que o PSD apoiará o governo se este pedir a intervenção externa. E afirma que não apoiou o PEC IV não por irem longe de mais, mas porque não iam suficientemente longe.

  • O Presidente acha que um governo de gestão pode pedir ajuda externa.

30 março 2011

25 de Abril na rua

 



 


 


Ao que tudo indica, a Assembleia da República estará dissolvida a 25 de Abril, pelo que as cerimónias de comemoração do Dia da Liberdade não se efectuarão.


 


Estranho esta decisão e estranho a justificação. Não seria possível abrir excepcionalmente a Assembleia nesse dia, para que a Casa da Democracia se engalanasse e recebesse as justas e dignas festas de Abril?


 


Temo que os valores democráticos, de que esta situação é apenas um símbolo, estejam cada vez mais enevoados. O regime democrático deveria fazer da sua afirmação e empolgamento uma causa suprapartidária e intergeracional. Não há aquisição vitalícia de respeito pelas liberdades cívicas e individuais, nem pelas instituições do poder soberano do povo.


 


Espero que o mesmo povo saiba honrar o dia 25 de Abril como o Dia da Liberdade. Era importante que todos nos mobilizássemos para afirmar que somos livres, que queremos participar na vida do país e que, para além das permanentes queixas e das permanentes crises por que passamos, sabemos dar valor ao que conseguimos a 25 de Abril de 1974.


 


E que tal promovermos uma manifestação simbólica a favor da Liberdade e dos Militares de Abril? Eu sugiro que todos usemos cravos vermelhos, papoilas, rosas vermelhas, antúrios, sei lá, qualquer flor vermelha, bem vermelha, nesse dia. À lapela, no chapéu, como alfinete de gravata ou pregadeira, nas mãos, nos pés, no olhar e, sobretudo, no coração.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...