07 março 2011

Os custos da irrelevância dos mercados

Se alguma dúvida ainda houvesse quanto à irrelevância das medidas de austeridade em relação ao aplacar da ira dos mercados, a agência financeira Moody’s acabou de o demonstrar, mais uma vez. Para aqueles que continuam a defender que o pedido de ajuda ao FMI é, não só inevitável como desejável, para que se não agravem os custos da crise, gostaria de saber como justificam o contínuo castigo da Grécia.

06 março 2011

"Jesus bleibet meine Freude"


J. S. Bach - BWV 147


Orquestra Barroca de Amesterdão


 

Cobardia política

 



 


José Sócrates, perante uma manifestação de protestos contra uma medida impopular, que o seu governo decidiu, independentemente de ter cedido por compromisso com o PSD ou não, comportou-se de uma forma vergonhosa. Não sei quem ele tenta enganar, se aqueles que trata como papalvos, se a ele próprio. Qualquer das hipóteses o desqualifica muito mais do que o assumir que, ao contrário do prometido, tenha voltado atrás, como a muitas outras promessas, desde que iniciou esta legislatura.


 

Ditaduras larvares

 



 


A aliança entre todas as forças reaccionárias, demagógicas e populistas viu uma oportunidade na já célebre canção dos Deolinda. Que melhor causa para a união da alma nacional, das queixas contínuas, do mal dizer da vida, do aconchegar-se na ladainha do que se perdeu e da nostalgia do que nunca se alcançou, senão a bandeira da defesa do povo?


 


Vão-se reduzindo as pessoas que conheceram a fome, a censura a falta de oportunidades, a xenofobia, o racismo, a clausura de viver num país espartilhado entre as suas fronteiras, a reclusão cultural. A Europa era uma miragem ou uma dura realidade emigrante.


 


Crescem os extremismos de direita e de esquerda, os apelos ao pensamento único, o desprezo por quem assume responsabilidades políticas. A falta de ideias ou a presença delas requentadas e recicladas, temperadas pela inveja e pela preguiça, pelo esvaziamento da solidariedade e da partilha, da noção de comunidade, de esforço e de serviço público, é um rastilho fácil de acender.


 


A manifestação que se prepara, para pedir a demissão da classe política, as sondagens em França, que colocam a extrema direita à frente nas intenções de voto, a hegemonia da Alemanha no espaço europeu, o alargamento e a incapacidade dos estados membros, através dos seus cidadãos, decidirem os seus destinos, numa miscelânea de causas e consequências para a situação que hoje se vive, com tanta riqueza, tanto florescimento científico, tanto aumento da esperança de vida, desbaratadas e secundarizadas pela insegurança, incerteza, intolerância, consumismos desenfreados, poderes paralelos e não democráticos, como a desinformação e a ditadura dos media.


 


Substituir este regime por que outro regime, esta liberdade por que outra liberdade, estes protagonistas por que outros protagonistas? Será que esta geração que se manifesta à rasca, precária e suspensa, tem soluções, quer assumir o risco e o desafio de melhorar a situação do país e da Europa? Onde estão as suas alternativas? Que propõe? Onde estão os resultados da melhor educação, da melhor qualidade de vida, das melhores condições a que tiveram acesso?


 


Os políticos serão eles, os futuros e já os presentes. Será a eles que as próximas gerações pedirão conta, em democracia ou nas ditaduras que, larvarmente crescem dentro da mentalidade dos povos. É essa a resposta que podem dar?


 

05 março 2011

Manhã de Carnaval


Baden Powel


 


 

Entrudo


 


 


Está frio e chove


o diabo anda à solta


a morte passeia-se de negro.


Pai Velho e compadre


matrafona dos desejos


comadre testamenteira


corridas de chocalhos


vozes por trás do madeiro.


 


Cabeçudos e gigantones


entre carros trapaceiros


rei rainha e ministros


o governo apalhaçado


deste povo que trapaça


em cueiros sem dinheiro


este povo que tem raça


e escorraça


o mundo inteiro.


 

Salvação nacional

 



jornal i 


 


Um governo de salvação nacional, com o PSD, o CDS e o PCP. Uma solução brilhante. Não percebo porque se sugere que o BE fique de fora. Apenas o PS está a naufragar o país. O Presidente Cavaco Silva, numa iniciativa heróica, denominaria o Chefe do Governo, uma pessoa apartidária e apolítica, para acabar com os desvarios dessa classe de ladrões, os tais que corrompem o futuro. Poupar-se-ia o dinheiro que se desperdiça nas eleições, contribuindo para a poupança do estado.


 


Ficaríamos todos arrumados, bem comportados, a trabalhar para a unidade nacional, salvos, enfim.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...