Se alguma dúvida ainda houvesse quanto à irrelevância das medidas de austeridade em relação ao aplacar da ira dos mercados, a agência financeira Moody’s acabou de o demonstrar, mais uma vez. Para aqueles que continuam a defender que o pedido de ajuda ao FMI é, não só inevitável como desejável, para que se não agravem os custos da crise, gostaria de saber como justificam o contínuo castigo da Grécia.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
07 março 2011
06 março 2011
Cobardia política
José Sócrates, perante uma manifestação de protestos contra uma medida impopular, que o seu governo decidiu, independentemente de ter cedido por compromisso com o PSD ou não, comportou-se de uma forma vergonhosa. Não sei quem ele tenta enganar, se aqueles que trata como papalvos, se a ele próprio. Qualquer das hipóteses o desqualifica muito mais do que o assumir que, ao contrário do prometido, tenha voltado atrás, como a muitas outras promessas, desde que iniciou esta legislatura.
Ditaduras larvares
A aliança entre todas as forças reaccionárias, demagógicas e populistas viu uma oportunidade na já célebre canção dos Deolinda. Que melhor causa para a união da alma nacional, das queixas contínuas, do mal dizer da vida, do aconchegar-se na ladainha do que se perdeu e da nostalgia do que nunca se alcançou, senão a bandeira da defesa do povo?
Vão-se reduzindo as pessoas que conheceram a fome, a censura a falta de oportunidades, a xenofobia, o racismo, a clausura de viver num país espartilhado entre as suas fronteiras, a reclusão cultural. A Europa era uma miragem ou uma dura realidade emigrante.
Crescem os extremismos de direita e de esquerda, os apelos ao pensamento único, o desprezo por quem assume responsabilidades políticas. A falta de ideias ou a presença delas requentadas e recicladas, temperadas pela inveja e pela preguiça, pelo esvaziamento da solidariedade e da partilha, da noção de comunidade, de esforço e de serviço público, é um rastilho fácil de acender.
A manifestação que se prepara, para pedir a demissão da classe política, as sondagens em França, que colocam a extrema direita à frente nas intenções de voto, a hegemonia da Alemanha no espaço europeu, o alargamento e a incapacidade dos estados membros, através dos seus cidadãos, decidirem os seus destinos, numa miscelânea de causas e consequências para a situação que hoje se vive, com tanta riqueza, tanto florescimento científico, tanto aumento da esperança de vida, desbaratadas e secundarizadas pela insegurança, incerteza, intolerância, consumismos desenfreados, poderes paralelos e não democráticos, como a desinformação e a ditadura dos media.
Substituir este regime por que outro regime, esta liberdade por que outra liberdade, estes protagonistas por que outros protagonistas? Será que esta geração que se manifesta à rasca, precária e suspensa, tem soluções, quer assumir o risco e o desafio de melhorar a situação do país e da Europa? Onde estão as suas alternativas? Que propõe? Onde estão os resultados da melhor educação, da melhor qualidade de vida, das melhores condições a que tiveram acesso?
Os políticos serão eles, os futuros e já os presentes. Será a eles que as próximas gerações pedirão conta, em democracia ou nas ditaduras que, larvarmente crescem dentro da mentalidade dos povos. É essa a resposta que podem dar?
05 março 2011
Entrudo
Está frio e chove
o diabo anda à solta
a morte passeia-se de negro.
Pai Velho e compadre
matrafona dos desejos
corridas de chocalhos
vozes por trás do madeiro.
entre carros trapaceiros
rei rainha e ministros
o governo apalhaçado
deste povo que trapaça
em cueiros sem dinheiro
este povo que tem raça
e escorraça
o mundo inteiro.
Salvação nacional
Um governo de salvação nacional, com o PSD, o CDS e o PCP. Uma solução brilhante. Não percebo porque se sugere que o BE fique de fora. Apenas o PS está a naufragar o país. O Presidente Cavaco Silva, numa iniciativa heróica, denominaria o Chefe do Governo, uma pessoa apartidária e apolítica, para acabar com os desvarios dessa classe de ladrões, os tais que corrompem o futuro. Poupar-se-ia o dinheiro que se desperdiça nas eleições, contribuindo para a poupança do estado.
Ficaríamos todos arrumados, bem comportados, a trabalhar para a unidade nacional, salvos, enfim.
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