Não percam. Está ainda no Fonte Nova e no El Corte Inglés.
Entretanto, ouçam o concerto para violino Op. 35, de Tchaikovsky, por David Oistrakh.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Não percam. Está ainda no Fonte Nova e no El Corte Inglés.
Entretanto, ouçam o concerto para violino Op. 35, de Tchaikovsky, por David Oistrakh.
João Jacinto
Gosto de escavar na voz interior, no meu interior, não das vísceras a que ligamos a humanidade, mas da única víscera que nos faz aprofundar a úlcera dos sentidos, aquela víscera que nos sabe a medo e a sublime, que nos assusta e nos impele para o âmago do animal.
Todos os gestos analiso e questiono e repenso e refaço, mas nunca de forma a transformar o acto mental em físico, como se uma atadura, uma armadura me tolhesse e espartilhasse os movimentos. Só me movo por dentro do cérebro, em viagens indistintas, amálgamas de sonhos, antecipações ou ruminações de passados mais ou menos presentes. Mole e pesado corpo numa vívida componente de sinapses, água e electrólitos, uma electricidade que não detona qualquer bomba.
Vou amarfanhando os papéis que, ao longo das horas, começo a escrever dentro da minha pele, sem nervos nem músculos. Quando me deito e aguardo pelo bem-vindo apagamento, amarroto o que restou do dia e deito-o para o buraco negro da noite.
Bordalo II
Manhã junto ao rio, lisa
branca macia, como a folha
em que se projectam dores
ou tédio, como o início de um poema
o ensaio de um grito, como um frémito de beijo.
Como disse há alguns dias, era necessário saber ao certo o que se tinha passado no dia das eleições, para que se apurassem responsabilidades e se percebesse se teria havido possíveis implicações nos resultados eleitorais.
Após a prestação do Ministro Rui Pereira na Assembleia da República e do desmentido do ex-Director-Geral da Administração Interna, a confusão é ainda maior. No relatório encomendado pelo Ministro fica a saber-se que 770.000 eleitores deveriam ter recebido uma notificação sobre a mudança do número de eleitor e do local de votação. Ou seja, setecentos e setenta mil eleitores podem ter ficado sem votar.
É claro que considero que os eleitores também são responsáveis por não se terem informado. A verdade é que todos achamos que os outros são sempre responsáveis por aquilo que nos diz respeito a nós. Mas isso não pode apagar as responsabilidades do Ministério como um todo e do próprio Ministro em particular. E este novelo em que se está a transformar o relatório, as explicações e os desmentidos, é degradante. O Ministro deveria pedir a demissão.
Como disse ontem Correia de Campos, se Rui Pereira se tivesse demitido no próprio dia das eleições, era um herói, assim coloca-se, a ele e ao governo, numa situação cada vez mais desconfortável.
Se alguma vez alguém teve a leve esperança que o BE pudesse ser uma força política para apoiar ou incluir um governo de esquerda, a apresentação desta moção de censura, com um mês de antecedência e sem qualquer objectivo de derrubar o governo, como José Manuel Pureza reconhece, é a mais disparatada e patética iniciativa de que Francisco Louçã se poderia lembrar.
Tão disparatada e patética é a titubeante reacção de Passos coelho que ao contrário de alguns dos seus companheiros de partido, ainda não esclareceu que nunca iria apoiar esta moção de censura.
Hoje há um lugar que nos ocupa os olhos, os ouvidos, a esperança, como aconteceu há 37 anos. Os soldados ao lado do povo.
No Egipto é tempo de grande júbilo, de sonho e de utopia.
A tomada de poder pelos militares, a dissolução do Parlamento - será que é o verdadeiro início de uma nova era de transição para a democracia? Esperemos que sim. Também por cá experimentámos o extremismo, ultrapassámos o Verão quente de 1975 e vivemos em liberdade e democracia.
Já ouvi que hoje caiu o muro de Berlim no mundo árabe. Vamos todos torcer para que assim tenha, de facto, acontecido.
Sou totalmente a favor da obrigatoriedade da prescrição médica por DCI. Mas também sou totalmente contra a possibilidade de alteração da prescrição do médico sem que este o autorize expressamente. A prescrição de um medicamento faz parte do acto médico e só pode ser o médico o responsável. Permitir que se troque um medicamento, seja ele qual for e esteja prescrito da forma que estiver, é uma perversão do acto médico e um perigo para o doente. Por isso, embora o facto do Presidente não ter promulgado o diploma do Governo sobre prescrição de medicamentos ser um facto político que revela o que vai ser este segundo mandato de Cavaco Silva, acho muito bem que o tenha feito.
Sou totalmente a favor da obrigatoriedade da prescrição médica electrónica. Não percebo as explicações do Presidente. Mas também penso que é uma medida que foi mal preparada. A maior parte dos médicos que conheço não sabe bem o que fazer a partir de 1 de Março. Os telefones da ACSS não respondem. Não há informações (pelo menos não as encontrei) nos sites da Ordem nem dos Sindicatos Médicos. Encontrei um software gratuito, já certificado pela ACSS, depois de muito procurar na internet.
Não entendo porque é que o governo insiste em implementar tão mal medidas que, à partida, são correctíssimas. Parece-me demasiada, a incompetência.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...