12 fevereiro 2011

Afirma-se e desmente-se

 


Como disse há alguns dias, era necessário saber ao certo o que se tinha passado no dia das eleições, para que se apurassem responsabilidades e se percebesse se teria havido possíveis implicações nos resultados eleitorais.


 


Após a prestação do Ministro Rui Pereira na Assembleia da República e do desmentido do ex-Director-Geral da Administração Interna, a confusão é ainda maior. No relatório encomendado pelo Ministro fica a saber-se que 770.000 eleitores deveriam ter recebido uma notificação sobre a mudança do número de eleitor e do local de votação. Ou seja, setecentos e setenta mil eleitores podem ter ficado sem votar.


 


É claro que considero que os eleitores também são responsáveis por não se terem informado. A verdade é que todos achamos que os outros são sempre responsáveis por aquilo que nos diz respeito a nós. Mas isso não pode apagar as responsabilidades do Ministério como um todo e do próprio Ministro em particular. E este novelo em que se está a transformar o relatório, as explicações e os desmentidos, é degradante. O Ministro deveria pedir a demissão.


 


Como disse ontem Correia de Campos, se Rui Pereira se tivesse demitido no próprio dia das eleições, era um herói, assim coloca-se, a ele e ao governo, numa situação cada vez mais desconfortável.


 

Da falta de censura ao disparate

 


Se alguma vez alguém teve a leve esperança que o BE pudesse ser uma força política para apoiar ou incluir um governo de esquerda, a apresentação desta moção de censura, com um mês de antecedência e sem qualquer objectivo de derrubar o governo, como José Manuel Pureza reconhece, é a mais disparatada e patética iniciativa de que Francisco Louçã se poderia lembrar.


 


Tão disparatada e patética é a titubeante reacção de Passos coelho que ao contrário de alguns dos seus companheiros de partido, ainda não esclareceu que nunca iria apoiar esta moção de censura.


 

11 fevereiro 2011

Egipto - madrugada esperada


 



 


Hoje há um lugar que nos ocupa os olhos, os ouvidos, a esperança, como aconteceu há 37 anos. Os soldados ao lado do povo.


 


No Egipto é tempo de grande júbilo, de sonho e de utopia.


 


A tomada de poder pelos militares, a dissolução do Parlamento - será que é o verdadeiro início de uma nova era de transição para a democracia? Esperemos que sim. Também por cá experimentámos o extremismo, ultrapassámos o Verão quente de 1975 e vivemos em liberdade e democracia.


 


Já ouvi que hoje caiu o muro de Berlim no mundo árabe. Vamos todos torcer para que assim tenha, de facto, acontecido.



08 fevereiro 2011

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

 


Sou totalmente a favor da obrigatoriedade da prescrição médica por DCI. Mas também sou totalmente contra a possibilidade de alteração da prescrição do médico sem que este o autorize expressamente. A prescrição de um medicamento faz parte do acto médico e só pode ser o médico o responsável. Permitir que se troque um medicamento, seja ele qual for e esteja prescrito da forma que estiver, é uma perversão do acto médico e um perigo para o doente. Por isso, embora o facto do Presidente não ter promulgado o diploma do Governo sobre prescrição de medicamentos ser um facto político que revela o que vai ser este segundo mandato de Cavaco Silva, acho muito bem que o tenha feito.


 


Sou totalmente a favor da obrigatoriedade da prescrição médica electrónica. Não percebo as explicações do Presidente. Mas também penso que é uma medida que foi mal preparada. A maior parte dos médicos que conheço não sabe bem o que fazer a partir de 1 de Março. Os telefones da ACSS não respondem. Não há informações (pelo menos não as encontrei) nos sites da Ordem nem dos Sindicatos Médicos. Encontrei um software gratuito, já certificado pela ACSS, depois de muito procurar na internet.


 


Não entendo porque é que o governo insiste em implementar tão mal medidas que, à partida, são correctíssimas. Parece-me demasiada, a incompetência.


 

07 fevereiro 2011

FMI ao fundo

 


Após a omnipresença do FMI nas conversas, nas ameaças e nas promessas de responsabilização do governo pela sua mais que certa entrada em Portugal, qual potência invasora, desapareceu quase instantaneamente. O FMI volatilizou-se da preocupação de Pedro Passos Coelho e de todos os economistas, comentadores e astrólogos encartados.


 


Obviamente que, desaparecida esta desculpa, haverá certamente outra. Por isso é necessário rapidamente desapear Sócrates, nem que signifique o PCP viabilizar uma moção de censura do PSD/CDS, ou o PSD/CDS viabilizar uma moção de censura do PCP.


 


Entretanto Ana Benavente voltou das brumas para - encabeçar uma lista alternativa a Sócrates? Será ela?


 

06 fevereiro 2011

Rios escuros

 



 João Jacinto 


 


Dias perdidos de plenitude


horas longas e vagarosas


desmanchadas em neblina


rios escuros correm ao lado.


 


Vemos passar a vida e perguntamos


porque não passamos nós pela vida.


Foyle's War


 


Foyle’s War é uma série policial britânica que passou num dos canais televisivos a horas impróprias. Alguém que de mim gosta e que por mim vela, sabendo do meu gosto por histórias de crimes, ofereceu-me, num Natal longínquo, a colecção completa. Por um motivo ou por outro, ficou adormecida durante muitos meses. Quando vi o primeiro episódio fiquei rendida.


 


Christopher Foyle é Detective Chief Superintendent da Polícia de Hastings, perto de Londres, em pela II Guerra Mundial. Pede várias vezes para que o autorizem a colaborar no esforço da Guerra, mas os seus superiores decidem que Foyle é muito mais útil no seu posto. Contra vontade, Christopher Foyle passa a Guerra resolvendo homicídios, casos de sabotagem e roubo, de cobardes e heróis, de paixões e ganância, assistindo às arriscadas missões do seu filho, Andrew Foyle, piloto da RAF.


 


Com ele estão o Detective Sergeant Paul Milner, após ferimentos em combate, e Sam (Samantha) Stuart, filha e sobrinha de numerosos Vigários, contribuindo patrioticamente como motorista de Foyle.


 


Britânica até à medula, no rigor dos detalhes, na contenção e realismo das personagens, na excelência dos argumentos e dos diálogos, é uma série que aproveita, em cada episódio, casos verídicos em que baseia a trama. Anthony Horowitz, o autor, também adáptou várias histórias de Agatha Christie.


 


 



Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...