27 outubro 2010

O próximo Presidente da República

 



 


Cavaco Silva anunciou a sua já anunciada recandidatura. Cavaco Silva ama a pátria, é sério, honesto e frugal, economista, sabe muito de finanças, estudou e avisou os políticos dos seus desvarios. Se não fosse ele, já tínhamos sido engolidos pelo FMI. Claro que já se esqueceu daquele outro político que há cerca de 30 anos atravessa gerações a fazer política. Mas não faz mal. Como ainda por cima vai ser poupado na campanha eleitoral, porque a democracia está cada vez mais cara, lavam-se as manchas passadas com o brilho das virtudes do presente.


 


Cavaco Silva será o próximo Presidente da República.


 

24 outubro 2010

Artesanato político

 



João Franco


 


Não é que seja novidade, mas é sempre importante assinalar: a esquerda parlamentar é composta por dois partidos que apenas servem para protestar. Quando é preciso assumir responsabilidades governativas, estes dois partidos excluem-se automaticamente.


 


A evidência a que nos rendemos, legislatura após legislatura, é que o BE e o PCP são uma espécie de artesanato parlamentar, uma representação popular tradicional, que preservamos como quem preserva as cavacas ou os bonecos de João Franco.


 

Rito da passagem

 



Leo Augustine: removed


 


Subimos a ladeira do cemitério. Vais a frente, o apoio do teu pai. Vejo-te de costas direitas, os músculos tensos, o cabelo arranjado e a roupa apropriada, nos ritos a que nos obrigamos. Sinto-te tão distante e tão perto, dentro da dor que só posso adivinhar e que temo, quando for a minha.


 


Percebo o esforço que fazem ao transportar o caixão. Como é possível se os ossos eram tão finos, a fragilidade tão evidente, o peso tão pouco? Olho para dentro e reconheço que estou a enterrar uma parte da minha juventude. Não lhe chamava tia, como agora é norma, mas de alguma forma, era mais que minha tia, porque era tua mãe.


 

Integração

 


Angela Merkel afirmou que o multiculturalismo falhou redondamente na Alemanha. Não concordo que o multiculturalismo tenha falhado, mas sim a inserção e integração de algumas comunidades nas sociedades ocidentais, principalmente a comunidade islâmica, e não só na Alemanha. Não vale a pena escamotear esta realidade e é perigoso usá-la como arma de arremesso político, à esquerda ou à direita.


 


Na verdade as nossas sociedades terão que observar e analisar o que correu mal, especificamente com as comunidades islâmicas, e estas terão que perceber que há também responsabilidades do seu lado. Integração pressupõe aceitação de valores dos países de acolhimento, observância das suas leis, idênticos direitos e idênticos deveres. Não se pode querer acabar com a discriminação religiosa e cultural para depois se usarem essas características para se reivindicar tratamentos diferentes.


 


Por outro lado, as sociedades de acolhimento terão que respeitar as diferenças, quando tal não colide com a legislação dos seus países. A exigência da aprendizagem da língua e da observância do laicismo do estado deve ser intransigente. A forma condescendente como se acolhem as populações imigrantes é o primeiro e mais forte sinal de xenofobia e o melhor incentivo para a guetização e afastamento da vivência comunitária.


 

23 outubro 2010

Romantique









 


Claude Bolling & Yo-Yo Ma


Suite for Cello & Jazz Piano Trio


 

A tabloidização da política

 



 


A política portuguesa rendeu-se à cultura massificada das telenovelas e dos reality shows.


 


Tal como no big brother, assistimos em directo e ao vivo às trocas de argumentos, às condições, propostas e sugestões de governação, às respostas e às decisões. É através de um comentador político que ouvimos o anúncio de uma candidatura presidencial, é num programa de  debate viciado que assistimos a ministros a defenderem-se das populações, a magistrados a fazerem justiça mediática.


 


Tal como nas telenovelas os líderes vivem os seus mandatos em juras de amor e ódio, ataques ao carácter e declarações de falta de confiança. As instituições democráticas deixaram de ser o cerne da vida democrática. Não há qualquer pudor em misturar o privado e o pessoal com o público e o institucional.


 


Também foi pela televisão que Passos Coelho disse nim ao OE, Paulo Portas disse não e Teixeira dos Santos aceitou, magnanimamente, a equipa de trabalho do PSD. Não sei se depois há verdadeiro trabalho nos bastidores, mas cada vez tenho mais dúvidas.


 


Quando pensávamos que a era de informação iria abrir a porta a mais cidadania, a mais participação pública e a mais responsabilidade, eis que nos apercebemos do exacto contrário. A discussão e o debate estão ao nível dos observados na Casa dos Segredos, e todos nós assumimos os papéis de Marcos e de Martas, de Júlias Pinheiros e  Teresas Guilhermes.


 

18 outubro 2010

Originalidades a la portuguaise

 



Ang Kiukok: clown 




  1. Marcelo Rebelo de Sousa revelou, em directo e ao vivo, que Cavaco Silva anunciará a sua recandidatura à Presidência da República dia 26 deste mês, no CCB.



    • Dúvidas - será que foi Cavaco Silva que pediu a Marcelo Rebelo de Sousa para avisar a nação? Será que foi Marcelo Rebelo de Sousa que ouviu pelo buraco da fechadura as combinações presidenciais? Será que Cavaco Silva contou o segredo a Marcelo Rebelo de Sousa e este não se conteve, tendo que contar ao país inteiro? Será que alguém está a chantagear Marcelo Rebelo de Sousa por um cabeludo pecado do passado e ele tenha tido que revelar tamanho tabu?





  2. António Martins, o incrível presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses disse que a classe vai sofrer cortes orçamentais como vingança pelo trabalho que efectuou em processos como a Face Oculta.



    • Dúvidas - será que Teixeira dos Santos está oculto no Processo? Será que os juízes são do PSD, do CDS, do BE ou do PCP?





  3. Mário Crespo convidou - oh surpresa! - Bagão Félix, para comentar o OE 2011.



    • Dúvidas - Será que Bagão Félix já fez algum OE que fosse posto à prova? Será que ainda se lembra do que é um OE? Será que não estará a atacar as suas próprias ideias, tal como fez com Fernando Negrão?




Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...