A política portuguesa rendeu-se à cultura massificada das telenovelas e dos reality shows.
Tal como no big brother, assistimos em directo e ao vivo às trocas de argumentos, às condições, propostas e sugestões de governação, às respostas e às decisões. É através de um comentador político que ouvimos o anúncio de uma candidatura presidencial, é num programa de debate viciado que assistimos a ministros a defenderem-se das populações, a magistrados a fazerem justiça mediática.
Tal como nas telenovelas os líderes vivem os seus mandatos em juras de amor e ódio, ataques ao carácter e declarações de falta de confiança. As instituições democráticas deixaram de ser o cerne da vida democrática. Não há qualquer pudor em misturar o privado e o pessoal com o público e o institucional.
Também foi pela televisão que Passos Coelho disse nim ao OE, Paulo Portas disse não e Teixeira dos Santos aceitou, magnanimamente, a equipa de trabalho do PSD. Não sei se depois há verdadeiro trabalho nos bastidores, mas cada vez tenho mais dúvidas.
Quando pensávamos que a era de informação iria abrir a porta a mais cidadania, a mais participação pública e a mais responsabilidade, eis que nos apercebemos do exacto contrário. A discussão e o debate estão ao nível dos observados na Casa dos Segredos, e todos nós assumimos os papéis de Marcos e de Martas, de Júlias Pinheiros e Teresas Guilhermes.
Clap! Clap! Clap!
ResponderEliminarMuito bem, Sofia!
ResponderEliminarE os estimáveis jornalistas ajudam à festa: esta tarde, o reporter da sic notícias, de plantão na Assembleia da República, onde decorria a reunião entre o Governo e o PSD (Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga) a referir-se a movimentações ... quando os participantes da reunião saíam para ir à casa de banho. Para que fazem directos se não têm nada para dizer?
Diizia Mário Castrim que ao pé da Televisão, as rameiras do Bairro Alto eram puras donzelas.
ResponderEliminarHoje já nem há rameiras no Bairro Alto, mas a Televisão permanece igual...