15 julho 2010

O estado da nação


Tenho dado conta, em vários posts, das muitas desilusões e críticas a este governo e a este PS. Mas hoje, ao ouvir o debate parlamentar sobre o estado da nação, felicito-me por ter votado no PS e em José Sócrates.


 


A oposição, da esquerda à direita, não é capaz de alinhavar críticas construtivas às políticas governamentais. Para a oposição, da esquerda à direita, o país é uma ilha no fim do mundo, desligada da crise, das economias recessivas, da globalização, de tudo o que existe e existiu à sua volta. Simultaneamente, as reformas que foram começadas e ensaiadas pelo governo, este e o anterior, são o mote para as críticas demagógicas e populistas de quem não quer ou não faz a mínima ideia de como reorganizar os serviços públicos, de saúde e de educação.


 


Por muitos defeitos que este governo e que este PS tenha, e que são muitos, não há, neste parlamento e neste arco partidário, uma voz, uma ideia, uma oratória com um mínimo de originalidade, de confiança, nada nem ninguém que sugira uma alternativa, para além dos chavões milhares de vezes repetidos, da esquerda à direita.


 


O estado da nação é mau. Mas seria muito pior se qualquer dos opositores do governo estivesse a governar.

13 julho 2010

Gelo


Paulo Canabarro: Ice Wall


 


Não quero sentir o calor de uma mão


o abraço de um olhar


qualquer meio sorriso de quem entende


dias de negro e chumbo.


Não quero nada que derreta os muros fundos


fossos de gelo que tão laboriosamente


sustento.

11 julho 2010

Um dia como os outros (64)

 



(...) Há algum tempo que o BCP está a ser atacado com boatos. Ondas que vêm e vão, incapazes até hoje de gerarem uma notícia - é factualmente falso que o BCP esteja em dificuldades diferentes das dos seus parceiros. Mais: o banco anunciou esta semana que passou vias alternativas de financiamento. (...) Cheira demasiado a vontade de mudar o regime. Passámos da habitual criação de uma onda de insegurança física, - que precede os períodos de fragilidade política lembram-se? -, para a amplificação da insegurança financeira onde o terreno anda mais fértil. Temos aprendido que vale tudo, que alguns acham que os seus fins justificam todos meios. Mas o que se está a passar é de uma irresponsabilidade sem qualificação. Quem quer que seja está a brincar com o fogo.


 


Helena Garrido

Os protagonistas

 


(...) Quanto às figuras do PS que descredibilizam o Parlamento e o partido, e sem saber ao certo a quem alude a Sofia, esse é o menor de todos os problemas. (...)


 


A propósito desta frase no post do Valupi, por causa de um comentário que fiz a um dos seus posts, tenho a dizer que estou em total desacordo. De facto um dos principais problemas com que o PS se defronta é com a sua credibilidade e com a credibilidade dos seus protagonistas.


 


O primeiro governo de José Sócrates criou uma imagem de reformismo e de ambição praticamente inéditas. Beneficiou de uma maioria absoluta parlamentar que, em muitos aspectos, pela forma pouco crítica com que fiscalizava as várias iniciativas do governo, não foi mais de que uma caixa de ressonância do núcleo governativo. À volta de Sócrates criou-se um muro de indefectíveis que, ao menor sinal, defendiam e atacavam a torto e a direito, criando um anel oco que se foi alargando à medida que avançava a legislatura. Desse muro fizeram parte José Lello, Vitalino Canas, António Vitorino e Artur Santos Silva, por exemplo.


 


O PS foi-se calando tendo-se assistido, como é habitual, ao prudente silêncio de quem não queria desagradar ao chefe mas também não queria aparecer colado a ele. É claro que quando os problemas se começaram a avolumar as vozes críticas apareceram, tentando uma demarcação tardia e pouco credível – estou a falar de Marcos Perestrello, por exemplo.


 


O governo mudou, as circunstâncias também e continuamos a ouvir frases propagandísticas e posturas absolutamente acríticas de José Lello, que manteve colaboração, não sei ainda se mantém, num programa televisivo inenarrável, com outros companheiros da esfera partidária. Assistimos a atitudes inacreditáveis de Ricardo Rodrigues, como o roubo dos microfones, a teatralização mal desempenhada na comissão de inquérito ao caso PT/TVI, ainda por cima com o apoio explícito do líder do grupo parlamentar do PS, Francisco Assis que, com Jorge Lacão, podem ser considerados os fazedores do novo muro envolvente de Sócrates.


 


A falta de figuras credíveis, de capacidade de discussão da ideologia política, a chicana, as frases feitas, os teatros destes actores que deveriam ser reciclados, retira capacidade aos eleitores de acreditarem na implementação das políticas apregoadas, já para não falar de toda a campanha eleitoral de há alguns meses, desmentida, no imediato, pela actuação governativa.


 


Também aqui os actores se enganaram na peça. Se as circunstâncias se alteraram, e todos vimos que sim, era indispensável que o chefe do governo falasse ao país, explicasse as alterações, dissesse das dificuldades e das indispensáveis medidas que propunha, em vez de deixar a Passos Coelho essa iniciativa. Onde estão os criativos, os pensadores, os ideólogos, os que têm ambição, os que podem apoiar Sócrates e o governo? Ou que podem substituí-lo dentro do PS? Onde estão as alternativas?


 


É que as políticas são exercidas por pessoas e por equipas. E a sua falta é um dos maiores problemas deste PS.


 

08 julho 2010

Trabalho e investigação

Acaba hoje um excelente congresso, de alto nível científico, em que especialistas de várias áreas apresentaram os seus trabalhos sobre os mais recentes avanços no conhecimento do Papilomavirus humano: a sua classificação, as várias estirpes, a capacidade de algumas delas infectarem várias mucosas, não só as genitais, algumas de uma forma persistente e destas, numa percentagem de casos felizmente pequena, de induzirem a transformação neoplásica dos tecidos, causando verrugas, condilomas e carcinomas. Discutiram-se estratégias de rastreio de cancro do colo do útero, estratégias de vacinação, avaliação dos vários tipos de rastreio e de vacinação, previram-se cenários vários, fizeram-se análises de custo/benefício para cada tipo de rastreio, etc.


 


Venho sempre destes encontros científicos com sentimentos muito contraditórios. Por um lado, satisfeita e maravilhada com as novas possibilidades que o avanço da tecnologia, as capacidades de trabalho e inventivas de tantas pessoas por todo o mundo, a comunicação que atravessa fronteiras, a acelerada evolução do conhecimento que nos permite saber cada vez mais, prevenindo a doença e tratando-a, quando ela já existe.


 


Por outro lado, a sensação de que a quantidade de trabalho que é feita, pelo menos nalgumas especialidades médicas como a minha, pela escassez aflitiva de médicos, nos impede de estarmos disponíveis para analisar os dados que temos, pensar sobre eles, trocar ideias com outros colegas, estudar, investigar. Já para não falar da dificuldade de financiamento dos trabalhos de investigação.


 


O conceito de SNS, para além de assegurar a igualdade de acesso aos mesmos cuidados de saúde, abrange também, pelo menos para mim, a aposta na investigação, nas terapêuticas mais arrojadas, em manter o estado da arte em todas as áreas do conhecimento médico. Neste congresso, por exemplo, todos os investigadores começavam as suas palestras com uma declaração de interesses porque, ou trabalhavam para as empresas que comercializam medicamentos e tecnologias, ou tinham os trabalhos financiados por elas.


 


As políticas restritivas da entrada de médicos nos cursos de medicina, com os serviços reduzidos ao mínimo para prestar cuidados de saúde e o desinvestimento nos recursos humanos terá consequências a todos os níveis, e este não me parece menos importante. É menos visível, mas com impacto a mais longo prazo.

06 julho 2010

O bloqueio da esquerda democrática.

Filosoficamente não podia estar em desacordo com Paulo Pedroso. É verdade que o PS deveria voltar-se para os partidos à sua esquerda (BE e PCP) assim como revisitar o movimento sindical, essencial numa democracia.


 


Só que Paulo Pedroso não deve estar a falar destes sindicatos, deste BE e deste PCP que, na realidade, são das forças mais conservadoras da sociedade portuguesa, como o têm demonstrado à exaustão. Para desbloquear a esquerda democrática ela teria que ser democrática, que não é.


 


E, já agora, também não está a falar deste PS. O vai-vem de medidas, o dizer e o desdizer, a defesa de atitudes lamentáveis, a paragem do movimento reformista do anterior governo, tudo isto tem alguma coisa de esquerda?


 


Nota: ler este post do Valupi... mais precisamente do Vega9000.

Skin is my











Andrew Bird


 


my skin is
white as parchment
drier than a downtown office building
where the air is tight
there's time spent
resting on her bones
waiting for the telephone to ring
ba-ring ba-ring ba-ring . . .
bo-ring bo-ring bo-ring . . .

my skin is
cold as her toes on the bathroom floor
run back to bed and slam the door
oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound
oh what a lovely sound
oh what a lovely...

skin is my
it's the only thing
that doesn't really fly in my land
and love, oh love
is my love is
it's the only thing that
butterfly in Thailand

let it be printed on every t-shirt in this land
on the finest of cottons and the hippest of brands
in bolder letters than the capital I
it's the only thing, it's the only thing
it's the only lonely, whoa

my skin is
white as parchment
drier than a downtown office building
where the air is tight
there's time spent
waiting for that
macrame bird of prey
to come down and sing
la-ling la-ling la-ling...
oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound

oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound
oh how it shakes the ground
oh what a lovely sound
oh, oh what a lovely sound

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...