(...) Quanto às figuras do PS que descredibilizam o Parlamento e o partido, e sem saber ao certo a quem alude a Sofia, esse é o menor de todos os problemas. (...)
A propósito desta frase no post do Valupi, por causa de um comentário que fiz a um dos seus posts, tenho a dizer que estou em total desacordo. De facto um dos principais problemas com que o PS se defronta é com a sua credibilidade e com a credibilidade dos seus protagonistas.
O primeiro governo de José Sócrates criou uma imagem de reformismo e de ambição praticamente inéditas. Beneficiou de uma maioria absoluta parlamentar que, em muitos aspectos, pela forma pouco crítica com que fiscalizava as várias iniciativas do governo, não foi mais de que uma caixa de ressonância do núcleo governativo. À volta de Sócrates criou-se um muro de indefectíveis que, ao menor sinal, defendiam e atacavam a torto e a direito, criando um anel oco que se foi alargando à medida que avançava a legislatura. Desse muro fizeram parte José Lello, Vitalino Canas, António Vitorino e Artur Santos Silva, por exemplo.
O PS foi-se calando tendo-se assistido, como é habitual, ao prudente silêncio de quem não queria desagradar ao chefe mas também não queria aparecer colado a ele. É claro que quando os problemas se começaram a avolumar as vozes críticas apareceram, tentando uma demarcação tardia e pouco credível – estou a falar de Marcos Perestrello, por exemplo.
O governo mudou, as circunstâncias também e continuamos a ouvir frases propagandísticas e posturas absolutamente acríticas de José Lello, que manteve colaboração, não sei ainda se mantém, num programa televisivo inenarrável, com outros companheiros da esfera partidária. Assistimos a atitudes inacreditáveis de Ricardo Rodrigues, como o roubo dos microfones, a teatralização mal desempenhada na comissão de inquérito ao caso PT/TVI, ainda por cima com o apoio explícito do líder do grupo parlamentar do PS, Francisco Assis que, com Jorge Lacão, podem ser considerados os fazedores do novo muro envolvente de Sócrates.
A falta de figuras credíveis, de capacidade de discussão da ideologia política, a chicana, as frases feitas, os teatros destes actores que deveriam ser reciclados, retira capacidade aos eleitores de acreditarem na implementação das políticas apregoadas, já para não falar de toda a campanha eleitoral de há alguns meses, desmentida, no imediato, pela actuação governativa.
Também aqui os actores se enganaram na peça. Se as circunstâncias se alteraram, e todos vimos que sim, era indispensável que o chefe do governo falasse ao país, explicasse as alterações, dissesse das dificuldades e das indispensáveis medidas que propunha, em vez de deixar a Passos Coelho essa iniciativa. Onde estão os criativos, os pensadores, os ideólogos, os que têm ambição, os que podem apoiar Sócrates e o governo? Ou que podem substituí-lo dentro do PS? Onde estão as alternativas?
É que as políticas são exercidas por pessoas e por equipas. E a sua falta é um dos maiores problemas deste PS.