03 julho 2010

Magia imaginação

 







 


Graffiti: canta Maria João


 


 


Na  primeira manhã, quem vem lá?, quem tem medo?
Meu nome é Peter Pan, mas pra já  é segredo
A magia, a imaginação
Que eu trazia na minha mão 


 


Na manhã a seguir, o lugar, o segundo
Sou de Alcácer-Quibir, sou do mar, sou do mundo
A magia, as voltas do Marão
Que eu trazia no meu refrão 


 


Não sei pedir-te por favor
Só te sei falar
Com gestos e com palavrões
E seja lá isso o que for
Eu não vou ficar
A falar com os meus botões 


 


A magia, a imaginação
Que eu trazia na minha mão 


 


Na terceira manhã, o olhar, o chuveiro
Vou morder a maçã, vou estudar o teu cheiro
A magia, a força de Sansão
Que eu trazia no coração

Espada


Alberto Giacometti: mesa surrealista


 


Rei capitão


soldado ladrão


se abres as grades


irrompe um leão.


Amostras de cinza


narizes de velho


verruga chinesa


no arco vermelho.


 


Rei capitão


soldado ladrão


afagas o ninho


e torces a mão.


Rasteira de fogo


alarga a cintura


derretes a espada


no mar da ternura.

02 julho 2010

Raios invertidos


Miss Britt


 


Nunca saímos da fotografia, congelados pelas lentes de raios invertidos, bocas abertas, cabelos em ginástica de vento, parados os dedos no acariciar das mãos. Nunca saímos da fotografia pois olhamos o tempo que não conseguimos recordar, mais pálidos e esvaídos agora do que esbatidos no preto e branco do que passou.


 


Nem as árvores de lá dão frutos, nem os frutos de cá sementes. Tudo parado por uma teia sem fim que ninguém teceu.


 

29 junho 2010

A Escola Pública pode fazer a Diferença (I)


 


Na próxima quinta-feira, dia 1 de Julho, às 14h30, na Livraria ALMEDINA do Atrium Saldanha, Mário Soares apresentará o livro A Escola Pública pode fazer a Diferença, de Maria de Lurdes Rodrigues, a mulher que fez a diferença.


 


(...) É um livro que diz, algures na introdução de 50 páginas, isto: A acção é política tanto no patamar da decisão como no da execução. A crítica, o veto ou a resistência às políticas é também intervenção política. E isto: A ineficiência dos serviços públicos, a ausência de rigor na utilização dos recursos e a degradação da sua qualidade são um inimigo mortal do Estado Social e, no caso da educação, um inimigo mortal da escola pública. (...)


(Fernanda Câncio)


 


Não poderei estar presente para lhe demonstrar, pessoalmente, o meu apreço.


 

27 junho 2010

Um dia como os outros (63)

 



(...) Quando a ministra da Saúde pede aos médicos para avaliarem a situação económica dos doentes ao receitarem medicamentos link mais não faz do que assumir a sua incapacidade para defender o interesse público presa que está no medo e na incapacidade de decidir seja o que for. É vergonhoso para o PS, partido fundador do SNS, ver-se ultrapassado pela esquerda, pelo CDS na questão da prescrição por DCI perante os patéticos e insustentáveis argumentos ministeriais. (...)


 

Destruição do SNS - por dentro


 


A responsabilidade do desmantelamento iminente do SNS não é só dos últimos governos, nomeadamente dos dois últimos, pela saída de Correia de Campos que tentou reformar e tornar sustentável o sistema.


 


A responsabilidade é também de quem lá trabalha e de quem o usa, ou seja, de todos nós, cidadãos que são sempre exemplares quando se olham ao espelho, e vêm tantos defeitos em quem está ao seu lado.


 


As gerações mais novas foram criadas (educadas?) segundo o dogma da sua própria importância, originalidade, reforço do ego e competitividade. Tudo isto é indispensável e muito importante se contrabalançado com a responsabilização, autonomia e sentimento de existência em comunidade. Ou seja, a existência dos outros, como parceiros exactamente com os mesmos direitos, deveres, sonhos e ansiedades.


 


Particularmente na área dos profissionais de saúde, em que durante muitos anos (e continua) foi alimentado o mito do génio para entrar nos cursos de Medicina. Com a melhor das intenções as famílias investiram na preparação dos futuros médicos como se fossem atletas de alta competição. Consequentemente a entrada na tão almejada vaga constituía (e constitui) um carimbo de excelência. Infelizmente, pela distorção das fórmulas com que se calcula a entrada nos cursos (as notas do ensino secundário são necessariamente diferentes de escola para escola e não medem, de forma alguma, a competência para exercer a profissão), esse carimbo não corresponde à realidade.


 


As novas gerações de médicos são iguais às antigas gerações: há os bons e os maus, os interessados e os desinteressados, os ambiciosos e os humildes. No entanto, a sociedade e os tempos de hoje moldaram-nos e continuam a moldá-los numa visão diferente do que é o serviço público.


 


Para esta nova geração de médicos, que se auto avaliam como quadros superiores de alto nível, as suas remunerações e condições de trabalho devem ser iguais aquilo que sempre conheceram e que sempre lhes foi facultado – tudo lhes é devido, a tudo têm direito para que possam exercer a profissão  que, para eles, se limita à demonstração do saber específico de cada especialidade.


 


Ano a ano, com a escassez de médicos que existe e que, não esqueçamos, tem responsáveis políticos, o núcleo do sistema de saúde deixou de ser o doente e passou a ser o médico. Politica e economicamente foram esses os sinais enviados, tratando-se a saúde como fábricas de salsichas ou de componentes de computadores, introduziram a noção do mercado, da oferta e da procura, sem a percepção (ou com esse objectivo?) de que os bens que se transaccionam na saúde não são parecidos com o vestuário.


 


Neste momento não há qualquer cuidado, na maioria dos elementos mais novos, na continuidade de um serviço, na estruturação de uma escola de trabalho, na formação de um grupo coeso. Não há, com honrosas excepções, a noção de que o nosso trabalho é servir o doente. O trabalho é encarado quase como um favor que se faz, não uma obrigação, um factor de realização pessoal, uma dívida e uma contribuição para a sociedade.


 


Por isso, quando ouço falar do fim do SNS e as queixas dos muitos profissionais que têm tudo para serem excelentes elementos, para impulsionar a vontade e a força anímica dos mais velhos, que estão esgotados e precisam de ser motivados, precisam de ter a esperança de que o seu trabalho e esforço não foi em vão, embora considere justificadas muitas delas, pesam-me o coração e os membros num desalento enorme, porque o SNS está a ser destruído, mas também por dentro, por aqueles que dizem (e que têm obrigação de) defendê-lo a todo o custo.


 

26 junho 2010

Só vou gostar de quem gosta de mim






 


Canta Caetano Veloso


De hoje em diante eu vou modificar

O meu modo de vida

Naquele instante em que você partiu

Destruiu nosso amor

Agora não vou mais chorar

Cansei de esperar, de esperar enfim

E pra começar, eu só vou gostar

De quem gosta de mim



Não quero com isso dizer que o amor

Não é bom sentimento

A vida é tão bela quando a gente ama

E tem um amor

Por isso é que vou mudar

Não quero ficar

Chorando até ao fim

E pra não chorar

Eu só vou gostar de quem gosta de mim



Não vai ser fácil, eu bem sei

Eu já procurei, não encontrei meu bem

A vida é assim, eu falo por mim

Pois eu vivo sem ninguém




De hoje em diante eu vou modificar

O meu modo de vida

Naquele instante em que você partiu

Destruiu nosso amor

Agora não vou mais chorar

Cansei de esperar, de esperar enfim

E pra começar, eu só vou gostar

De quem gosta de mim


Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...