21 abril 2010

Um dia como os outros (52)




Não resisto a transcrevê-lo todo.


Por causa da avaliação de professores, vários sindicatos, com a Fenprof à cabeça, moveram contra Maria de Lourdes Rodrigues uma guerra sem quartel. Sócrates, e muito bem, nunca a deixou cair. (Ao contrário do que fizera, e mal, com Correia de Campos.)


No actual governo, Maria de Lourdes Rodrigues, a dura, foi substituída à frente do ministério da Educação por Isabel Alçada, uma escritora cuja amabilidade parece ter sido suficiente para driblar a referida Fenprof.

A magia acabou. Docentes de vário grau e competência acabam de descobrir, estupefactos, que a avaliação conta (e como não contaria?) para os concursos de contratação.

Consequência: os docentes que, por discordarem do modelo de avaliação, não aceitaram aulas assistidas, ficaram impossibilitados de obter as classificações mais altas (Muito Bom e Excelente). Não as tendo obtido, vêem-se agora prejudicados no confronto com os que, e foram muitos, aceitaram aulas assistidas durante o processo de avaliação. Isto é o óbvio ululante. Porém, a avaliar por declarações aos media, a maioria diz-se surpreendida com os factos e traída pelos sindicatos.

 

18 abril 2010

Espirais

 



Deuses de granito em sombras


altas espirais de silêncio


no mar horizontes de nunca mais.


 


Inteira a palavra que não escrevo


sabe a mar e a sangue


nos lábios de quem ama.

Destino



 


Quando peço saladas e coca-cola zero, prescindo da sobremesa e bebo café com adoçante, olho em volta e reparo que todas as rubicundas matronas (como eu) sacrificadamente estão de dieta. E continuam redondas.


 


 


Burne-Jones: Fat Ladies


 

Da urgência da revisão Constitucional

Despartidarizar a Administração, desgovernamentalizar o país, desestatizar a sociedade. A Constituição não serve a quem tenha estes objectivos - Pedro Passos Coelho quer que a revisão da Constituição seja efectuada com urgência, antes das próximas eleições presidenciais, pois defende que só a modificação da Constituição permite as medidas necessárias ao combate da crise e ao crescimento económico.




  • Sugere que deve ser o Parlamento a nomear os responsáveis das entidades reguladoras, com a justificação de que essa seria uma forma de despartidarizar o estado. É bom que não nos esqueçamos que os deputados representam partidos políticos. Por isso o Parlamento é, por definição, um órgão partidarizado. Além disso os membros da entidade de regulação da comunicação social são eleitos pelo Parlamento, estando a Constituição aberta à eleição de outros órgãos:



Artigo 163.º
Competência quanto a outros órgãos


h) Eleger, por maioria de dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções, dez juízes do Tribunal Constitucional, o Provedor de Justiça, o Presidente do Conselho Económico e Social, sete vogais do Conselho Superior da Magistratura, os membros da entidade de regulação da comunicação social, e de outros órgãos constitucionais cuja designação, nos termos da lei, seja cometida à Assembleia da República; 




  • Possibilitar às pessoas a livre escolha entre o sector público e o privado - segundo opiniões de vários constitucionalistas, não necessita de revisão constitucional. É uma medida que está ao alcance da vontade política do Parlamento e do governo que dele emana. 





  • A alteração do sistema eleitoral, com a possibilidade de existência de listas abertas para a ordenação de candidatos pelos eleitores, necessitará ou não, dependendo das opiniões, de revisão Constitucional.



O que não me parece claro é em que medida estas alterações combatem a crise e melhoram a economia do país.


 


Mais urgente e importante, em termos das tão queridas reformas estruturais, seria uma alteração da organização administrativa do território. As alterações na distribuição demográfica foram acentuadas e as próprias representações políticas local e nacional se poderiam modificar com essa reestruturação. Essa sim seria uma medida que provavelmente precisaria de revisões no texto constitucional, pois enquanto no


 


Artigo 164.º


Reserva absoluta de competência legislativa


É da exclusiva competência da Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias:


n) Criação, extinção e modificação de autarquias locais e respectivo regime, sem prejuízo dos poderes das regiões autónomas;


já no


Artigo 249.º
Modificação dos municípios


 A criação ou a extinção de municípios, bem como a alteração da respectiva área, é efectuada por lei, precedendo consulta dos órgãos das autarquias abrangidas.


 


Sendo assim, parece que a Assembleia da República tem a exclusiva competência de legislar sobre a reorganização do território, mas só poderá extinguir municípios se eles próprios estiverem de acordo, o que parece uma contradição.


 


Pedro Passos Coelho ensaia a fuga para em frente, propondo medidas que provocam algum ruído, mas nada mais.


 

Cristianismos

 



 


Cristianismo e judaísmo, o cristianismo como a origem do anti-semitismo, a Bíblia como a palavra de Deus, a Bíblia como as palavras dos Homens sobre as interpretações de Deus, do Deus dos Judeus, do Deus dos Cristãos. Jesus como Homem, Jesus como Deus, Jesus como Homem e Deus, Jesus como corpo humano habitado por Deus, Jesus como Homem escolhido por Deus.


 


Os textos da Bíblia, os Evangelhos Canónicos, Gnósticos, Apócrifos, a forma como são diferentes mesmo quando narram episódios semelhantes à luz do que os autores pretendem transmitir, a transformação da figura de Jesus de um judeu que ensina a Lei de Moisés no Messias (em grego Cristo), aproveitando do Livro todas as passagens em que se fala no Messias, transpondo-as para a narrativa da vida de Jesus.


 


O nascimento do Catolicismo com a férrea disciplina, hierarquização e centralização do poder, o Código de Niceia, Constantino e a religião do Estado, a ortodoxia e a heresia.


 


Jesus, Interrupted: Revealing the Hidden Contradictions in the Bible (And Why We Don't Know About Them) – de Bart D. Ehrman, um excelente livro para compreendermos o que foram o crescimento e a implantação do Cristianismo e do Catolicismo, e de como o conhecimento e a informação são os melhores antídotos contra os fundamentalismos e as ideias feitas – como o celibato obrigatório dos Sacerdotes, a submissão das mulheres aos homens e o anti-semitismo. 

17 abril 2010

Avalanche


Sir Stanley Spencer: Avalanche


 


Abri um dique e não contive a avalanche. Pedras ramos contidos pelo sal pela névoa pelo orgulho pela total incapacidade de me dar de todo de tudo ultrapassaram as fronteiras das certezas do horizonte iluminado que percorria inundam-me. Perdi-me no meu próprio labirinto.


 

Austeridade


 


A austeridade do grupo Lena, que impõe um programa de estabilidade e crescimento draconiano ao jornal i, cujo objectivo é a redução de custos a todo o custo, medidas que muitos opinantes, jornalistas e economistas, nacionais e internacionais, preconizam para Portugal.


 


A austeridade de Cavaco Silva, ao ouvir um seu homólogo destratá-lo destratando o país que representa.


 


A austeridade de tantos quantos estão preocupados com a linguagem parlamentar, mesmo quando ela apenas é perceptível pela leitura de lábios, porque o país está surdo mas não mudo.


 


A austeridade que facilita aos cidadãos a peregrinação a Fátima, por conta dos pecados da nação, país de hereges e grevistas, aquando da visita do Chefe de Estado do Vaticano e Papa.


 


A austeridade mais austera que nos brinda com uma Primavera periclitante e um enfado desmedido.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...