21 março 2010

Que o amor não me engana

 



Zeca Afonso


 


 


Que amor não me engana

Com a sua brandura

Se da antiga chama

Mal vive a amargura


 


Duma mancha negra

Duma pedra fria

Que amor não se entrega

Na noite vazia?


 


E as vozes embarcam

Num silêncio aflito

Quanto mais se apartam

Mais se ouve o seu grito

 


Muito à flor das àguas

Noite marinheira

Vem devagarinho

Para a minha beira


 


Em novas coutadas

Junta de uma hera

Nascem flores vermelhas

Pela Primavera


 


Assim tu souberas

Irmã cotovia

Dizer-me se esperas

Pelo nascer do dia

 

Devassa e populismo

 


Jaime Gama fez bem ao lembrar os deputados que os computadores, os assentos, o espaço, os lugares, a responsabilidade, a representação são publicas, de todos nós.


 


Mas não há nada que justifique a invasão da privacidade seja de quem for. Portanto José Lello tem toda a razão e Jaime Gama apenas aumentou a confusão entre informação e coscuvilhice.


 

Viver de lado

 



Berkeley: tea and poetry


 


 


Falo-te dos poetas que o são em segredo

dentro da incandescência dos sentidos

que partilham um ser humano desprevenido.

Falo-te dos poetas que em silêncio saboreiam palavras

para que as ouçam no eco nos pensamentos de outros

nos gestos de quem se dá. Falo-te dos poetas dos tempos de luto

ou de sol manso que entre as cortinas do fumo da vida

entreabrem pequenos desenhos de futuro.

Falo-te dos poetas que não abrem a voz

não olham aos céus nem imaginam hipérboles brancas

sem luzes nem mãos esvoaçantes. Falo-te dos poetas que moram ao lado

que vivem de lado e adormecem a personagem que os acolhe

transformando a noite em poemas de olhos abertos.


 

A sagração da Primavera

 



Pina Bausch

Igor Stravinsky


 

Reequacionar a Europa

 


Manuel Alegre fez um excelente discurso. Não um discurso de quem quer ser Presidente, pois é um discurso programático para uma legislatura. Mas frontal, sem medo de assumir as suas opções e as críticas ao PS com as quais, em muitos aspectos estou totalmente de acordo.


 


Mas há um problema de base nas críticas de Manuel Alegre. Se são os ditames do Banco Central Europeu que nos orientam a política, se são as ordens de um capitalismo sem regras, de soluções velhas de recurso para a salvação económica, que já experimentámos e das quais já provámos a amargura e a ineficácia, talvez seja altura de acabar com tabus à esquerda e à direita e questionar se é esta a Europa que queremos, se é esta a Europa que nos serve.


 


E no entanto, foi esta a Europa que o deputado Manuel Alegre tem aprovado e aprovou, nomeadamente quando votou o Tratado de Lisboa. É esta Europa que nos impõe uma determinada forma de encarar o défice e de abordar a quebra das despesas e o aumento das receitas, que Manuel Alegre, como deputado português, fez questão de ratificar.


 


Talvez valha a pena pensarmos na reavaliação de tudo. A começar pelo modelo que queremos para a nossa sociedade. A começar por ter a certeza de que a economia deve estar ao serviço dos cidadãos.

 

20 março 2010

Beijo de saudade

 



Tito Paris & Mariza


 


 


Ondas sagradas do Tejo

Deixa-me beijar as tuas águas

Deixa-me dar-te um beijo

Um beijo de mágoa

Um beijo de saudade

Para levar ao mar e o mar à minha terra


 


Nha terra ê quêl piquinino

È Cabo Verde, quêl quê di meu

Terra que na mar parcê um minino

È fidjo d'oceano

È fidjo di céu

Terra di nha mãe

Terra di nha cretcheu


 


Nas tuas ondas cristalinas

Deixa-me dar-te um beijo

Na tua boca de menina


Deixa-me dar-te um beijo, óh Tejo

 


Um beijo de mágoa

Um beijo de saudade

Para levar ao mar e o mar à minha terra


 


Na bôs onda cristalina

Na tua boca de menina

Um beijo de mágoa

Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra

Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra


 

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Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...