07 março 2010

Andar de baixo

 



Stephen Nova: Forty Five Downstairs


 


Moro no andar de baixo

daquele que sempre quero.

Abro a porta e espero

que as escadas te encaminhem

para o andar que partilhamos

patamares de diferenças

com que nos amamos.

 

Função Pública

 



 


Quando nos apercebemos de que o plano anticrise do governo apenas foi concretizado em cerca de metade e que o défice atingiu mais de 9% do PIB, tendo aumentado exponencialmente algumas prestações sociais (apoio aos desempregados, por exemplo), percebemos que o papel do estado é crucial e que os recursos precisam de ser direccionados para quem mais necessita.


 


O discurso de diabolização dos funcionários públicos é muito antigo e utilizado pelos defensores de um estado mínimo, ou de quase ausência do mesmo. Não é o meu caso. Defendo um estado que assegure os serviços de defesa e segurança, de justiça, de saúde e de educação, universais e gratuitos, porque penso ser essa a essência da igualdade de oportunidades, para que todos, independentemente da cor, raça, género ou condição social, tenham direito à felicidade.


 


Sendo assim os funcionários públicos são um garante dos alicerces da democracia. Mas não é por isso que não se lhes deve exigir competência, rigor, brio profissional e excelente desempenho. Não é por isso que devem ter empregos vitalícios, independentemente da sua prestação, promoções automáticas, independentemente da sua competência. Não é por isso que estão à parte dos outros trabalhadores, que não lhes devem solidariedade.


 


O movimento sindical cristalizou e não evoluiu com a sociedade. Por isso temos dirigentes sindicais com o mesmo discurso hoje que tinham há 20 anos. Por isso os dirigentes sindicais são os mesmos de há 20 anos. Por isso nunca ouvi os dirigentes sindicais assumir a sua quota de responsabilidade na enorme desigualdade entre ricos e pobres, assim como na enorme e persistente diferença entre os salários dos homens e das mulheres, pelo facto de haver tanta precariedade de emprego, tantos desempregados, tanta falta de formação e de especialização.


 


Os sindicatos da função pública defendem o status quo daqueles que têm um horário de trabalho certo, daqueles que recebem um ordenado certo ao fim do mês, muito ou pouco, quer trabalhem muito, pouco, bem ou mal, conseguem defender a inexistência de avaliações de desempenho, conseguem pedir aumentos salariais de 3,5% na crise que atravessamos. Conseguem ainda, com justificações patéticas, recusar a hipótese de monitorização conjunta da adesão às greves, o que contribui ainda mais para a descredibilização dos números por eles apresentados.


 


Se as suas reivindicações fossem satisfeitas, nomeadamente  o aumento salarial, com o inevitável aumento de prestações sociais a que vamos assistir este ano, pelo desemprego crescente, pelas reformas antecipadas, etc., como evoluiria o défice e o comportamento das contas públicas?


 


É claro que há outros sectores que devem contribuir para o equilíbrio financeiro do estado: a tributação do sector bancário, dos prémios aos gestores, das mais-valias bolsistas, etc., Ninguém deve ficar de fora e todos devem contribuir para o esforço da redução das despesas, do aumento das poupanças, assim como devem ser assegurados pelo estado os serviços essenciais e de qualidade. As exigências são para todos.

 

Intervenção política e sociedade civil

 



Evelien Lohbeck: silhuette


 


O apelo à participação da sociedade civil na vida política do país serve apenas quando essa sociedade civil não está interessada em participar.


 


O anúncio da candidatura de Fernando Nobre é disso um exemplo. É um homem que vem de fora da esfera dos partidos, que tem uma ampla e reconhecida participação de cidadania em organizações humanitárias, tem opiniões políticas sobre vários assuntos, que muitos desconhecem porque também nunca se interessaram em conhecer, assume uma postura apartidária e apolítica mas não anti-política. Fala em valores de humanidade e solidariedade, fala na moralização da vida pública, no conceito de nação, no respeito pelos valores da identidade nacional, nos valores éticos, na avaliação que tem de si próprio e daquilo em que pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos seus concidadãos.


 


Um discurso não muito diferente daquele que Manuel Alegre teve quando se candidatou em 2005, e que eu apoiei entusiasmadamente. Também ele apelou aos movimentos cívicos apartidários e suprapartidários, para a sociedade civil que não se revisse nos jogos aparelhísticos que resultaram na escolha de Mário Soares como candidato oficial do PS. Também ele se revia nos valores éticos e humanísticos, na solidariedade entre gerações, no papel de todos quantos quisessem fazer parte integrante de uma cidadania interventora, em Portugal como nação historicamente resistente e indissolúvel, nos valores da pátria e no sentido do dever. No entanto Manuel Alegre é militante do PS e sempre foi um actor político e partidário no pós-25 de Abril, como já o era no tempo da ditadura o que, obviamente, não representa qualquer problema.


 


No entanto já se ouviram várias vozes que entendem o apartidarismo de Fernando Nobre como uma crítica à democracia representativa assente em partidos políticos, já se ouvem críticas pelo facto de Fernando Nobre não ter um pensamento político, já se declaram incredulidades pelos apoios que foi dando, ao longo da sua vida, e pelos arrependimentos e desilusões que manifesta. Já se diz que a sua experiência e actividade nas ONG, nomeadamente na AMI, a sua presença e actuação em tantos locais de catástrofe, a sua capacidade de decisão e a sua generosidade, não são bases para um bom mandato presidencial.


 


Se há alguém que podemos considerar emanar da tão falada e tão desejada sociedade civil é Fernando Nobre. Não o eleger é um direito que os cidadãos têm, mas menorizar a importância da sua candidatura é demonstrar que, afinal, não queremos a sociedade civil imiscuída na política.

 

04 março 2010

Um dia como os outros (41)

 


(...) Mas a esperança continua longe de morrer. A prazo, as empresas terão de rever as estratégias porque caçar búfalos deixou de ser uma função diz Filomena Mónica, que conclui: As coisas têm mudado, muito lentamente, mas têm mudado. Vão é mudando a zero vírgula 23 pontos percentuais por ano.


 

Um dia como os outros (40)

 


O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirma que houve má fé na comparação entre a situação económica de Portugal, Espanha e Grécia e instou analistas internacionais, agências e imprensa económica a olhar para indicadores objectivos. (...)





(...) No momento de adesão ao euro, lembrou o Presidente da República, a Grécia apresentava uma dívida de 100 por cento relativamente ao seu produto interno bruto, que é agora de 120 por cento. As estatísticas oficiais da Grécia não são fiáveis - o próprio governo [grego] o reconheceu -, pelo que o desequilíbrio das suas contas públicas é de 12 ou 13 por cento, o dobro do que se supunha. Nada disso ocorre em Espanha e em Portugal, frisou Cavaco Silva, exemplificando que a dívida pública espanhola é baixa, tão baixa como a da Alemanha ou da França, e que a de Portugal é mais baixa do que a da Bélgica, da Itália e, claro, da Grécia. Penso que houve alguma dose de má fé nesta comparação, afirmou Cavaco Silva ao jornal catalão. (...)


 

Pasmo

 



Bullying


 


Doem-me os ossos a língua

a míngua

a dor do desprezo

o medo

a chuva o pasmo

o sarcasmo

do mundo.

Enterro-me no fundo

nas pedras no lodo


desfaço-me todo


desapareço.


 

Garcia Pereira - o novo assessor governamental

 



 


(...) E isso a que alguns chamam liberdade de informação, não passará do toque a finados do Estado de Direito democrático e da própria democracia. (...)


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...