07 fevereiro 2010

Concerto para violino em Lá menor - Allegro moderato

 



Johann Sebastian Bach


David Oistrakh


 

Mãos

 


As mãos espelham a lucidez

arde nos dedos o vazio das encostas agrestes

dos rios secos nas pedras sinuosas.


 

Mitridatismo*

 


Os que clamam pela demissão de Sócrates a propósito dos artigos do Sol, que configuram uma flagrante violação pelo princípio constitucional que diz que todos têm direito a serem considerados inocentes até um julgamento por tribunal os condenar, em flagrante violação do preceito constitucional que diz que todos têm direito à sua privacidade, estão eles próprios a aceitar que, um dia destes, o mesmo lhes possa acontecer.


 


Porque é exactamente isso que vai suceder. Neste momento, apesar de se dizerem repugnados pelos métodos, já os aceitaram com a desculpa que o que está a ser revelado é horrível. Mas ninguém sabe se o que está a ser revelado é verdade ou mentira. O que sabemos é que é uma parte criteriosamente escolhida de muitas outras partes.


 


Mas é claro que isso não interessa, porque o objectivo está a ser atingido. Aquilo que não se conseguiu por via eleitoral, está a tentar-se pela via da calúnia e da ignomínia. O mais engraçado é a utilização da palavra carácter. Pelos vistos quem quebra sistematicamente o segredo de justiça, quem subverte todos os dias o estado de direito, quem acha que as regras são só para os outros cumprirem tem carácter que sobeje. Com este tipo de actuação, que se diz jornalismo de investigação, estamos a hipotecar a nossa liberdade. 


 


*Mitridatismo - ao contrário do que Pacheco Pereira considera, o veneno é a violação dos preceitos da justiça.


 


Nota: Vale a pena ler este post do Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.


 

06 fevereiro 2010

Espérame en el cielo

 



Andrés Calamaro


 


 


Esperame en el cielo corazon

Si es que te vas primero

Esperame que pronto yo me ire

Ahi donde tu estes

Esperame en el cielo corazon

Si es que te vas primero

Esperame en el cielo corazon

Para empezar de nuevo


 


Nuestro amor es tan grande y tan grande

Que nunca termina

Y esta vida es tan corata y no basta

Para nuestro idilio

Por eso yo te pido porfavor

Me esperes en el cielo

Y ahi entre nuves de algodon

Haremos nuestro nido


 


Nuestro amor es tan grande y tan grande

Que nunca termina

Y esta vida es tan corata y no basta

Para nuestro idilio

Por eso yo te pido porfavor

Me esperes en el cielo

Y ahi entre nuves de algodon

Haremos nuestro nido


 

Do desalento

 



 


É difícil escrever sobre os recentes acontecimentos e a noção que tenho de democracia. Estou definitivamente fora de moda.


 


No ingénuo e desacreditado princípio que acreditava ser a base dos estados democráticos, o poder deveria ser exercido pelos representantes do povo, livremente escolhidos; nessa minha utópica ideia, o poder judicial seria independente do político; supremo engano, o jornalismo seria um baluarte da defesa dos princípios da verdade e da informação.


 


Olho para o nosso país e o desalento é tão grande que nem sei o que pensar. O jornalismo está ao serviço das várias forças partidárias e dos vários poderes. Serve para veicular histórias, independentemente da sua veracidade, que são usadas para manipular politicamente os cidadãos. A justiça é uma farsa, usando-se casos em segredo, escutas ilegais, destruindo tudo o que são alicerces dos direitos dos cidadãos, como o de serem investigados e julgados pelos tribunais e não na praça pública.


 


A caça ao homem é a nova modalidade desportiva das nossas elites políticas. Conspurca-se a palavra carácter, usada indiscriminadamente e sem qualquer adequação.


 


A lei, a justiça, os tribunais, a presunção de inocência são lirismos que passaram a ser arcaísmos. Calúnia, difamação, escutas ilegais, devassa da privacidade, promiscuidade entre os media e os meios judiciais, são o novo paradigma deste presente que, não só de forma Orwelliana mas também Philipiana, não olham a meios para atingir quaisquer fins, bastando lançar as suspeitas de intenções malignas sem necessidade de prova ou demonstração de que essas intenções estão em concretização.


 


A coberto da liberdade de informação, esse direito constitucional inalienável nos estados democráticos, esqueceram-se todos os outros direitos constitucionais inalienáveis, como os direitos liberdades e garantias dos cidadãos, nomeadamente o de confiarem na justiça.


 


Nota: Vale a pena ler Pedro Adão e Silva, Daniel Oliveira, Pedro Marques Lopes e Francisco Proença de Carvalho.





 

04 fevereiro 2010

Aula de Poesia

 



 


FNAC do Chiado, 10 de Fevereiro, 18h30


Pedro Mexia apresenta o livro de Eduardo Pitta


Vamos à aula


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...