01 fevereiro 2010

Malabarismos

 


Depois do aeroporto, do défice e do plano rodoviário segue-se o TGV. Mas que grande embrulhada.


 


Afinal em que ficamos – deve ou não fazer-se o TGV? É um programa de desenvolvimento ou de empobrecimento do país? Aumenta o défice e a dívida pública ou não?


 


Estamos a assistir a um castelo de cartas a desmoronar? Sinceramente, está a ser difícil manter a compostura.


 

Feminismos

 



 


A burca é um símbolo de submissão da mulher, é um símbolo de discriminação e de identificação religiosa. A burca é uma mistificação fundamentalista, um ferrete de menoridade e de reduzida cidadania.


 


Concordo com todas estas frases. Mas não concordo com a proibição do uso de burcas. Não é possível assegurar que algumas dessas vestes não sejam usadas por escolha livre e despoluída de lavagem cerebral. Tal como não concordaria com a proibição do bikini, dos piercings ou da impossibilidade de uso de calças pela mulher. Tal como não concordo que impeçam as freiras de usarem o seu hábito nos edifícios públicos, como escolas e universidades.


 


Tal como não concordo com a reivindicação de alteração de normas e de horários por causa dos burkinis. Tal como concordo com a obrigação de todas as crianças irem à escola. Independentemente da raça, etnia, cultura, naturalidade, etc., todos os cidadãos devem seguir um plano nacional de vacinação, enfim, sujeitarem-se à legislação do país onde vivem.


 


Proibir o uso da burca pode ser tão fundamentalista como proibir o uso de crucifixos ou da circuncisão masculina.


 



 

31 janeiro 2010

Ciclos perpétuos

 


Ciclos perpétuos na procura de um passado que nunca morre. Revisitamos ruínas de papéis, de tecidos engelhados com flores secas, que se desfazem à menor aragem de novidade.




Refazemos os factos essenciais que de essência são vestidos pelo olhar de quem muda.




Não há história universal. Há a pequena história que as correntes individuais somam e reproduzem.


 

O ciclo da pedra

 



Jurgis Baltrušaitis: Pictorial Stones


 

Widerstehe Doch Der Sünde

 



Andreas Scholl


Bach Cantata No.54


Georg Christian Lehms


 


 


 


Widerstehe doch der Sünde,

Sonst ergreifet dich ihr Gift.


Laß dich nicht den Satan blenden;

Denn die Gottes Ehre schänden,

Trifft ein Fluch, der tödlich ist.


 


Die Art verruchter Sünden

Ist zwar von außen wunderschön;

Allein man muss

Hernach mit Kummer und Verdruss

Viel Ungemach empfinden.

Von außen ist sie Gold;

Doch, will man weiter gehn,

So zeigt sich nur ein leerer Schatten

Und übertünchtes Grab.

Sie ist den Sodomsäpfeln gleich,

Und die sich mit derselben gatten,

Gelangen nicht in Gottes Reich.

Sie ist als wie ein scharfes Schwert,

Das uns durch Leib und Seele fährt.


 


Wer Sünde tut, der ist vom Teufel,

Denn dieser hat sie aufgebracht.


Doch wenn man ihren schnöden Banden

Mit rechter Andacht widerstanden,

Hat sie sich gleich davongemacht.


 

Widerstehe Doch Der Sünde

 



Anne Sofie von Otter


Bach Cantata No.54


Georg Christian Lehms


 


Widerstehe doch der Sünde,

Sonst ergreifet dich ihr Gift.


Laß dich nicht den Satan blenden;

Denn die Gottes Ehre schänden,

Trifft ein Fluch, der tödlich ist.

 


Die Art verruchter Sünden

Ist zwar von außen wunderschön;

Allein man muss

Hernach mit Kummer und Verdruss

Viel Ungemach empfinden.

Von außen ist sie Gold;

Doch, will man weiter gehn,

So zeigt sich nur ein leerer Schatten

Und übertünchtes Grab.

Sie ist den Sodomsäpfeln gleich,

Und die sich mit derselben gatten,

Gelangen nicht in Gottes Reich.

Sie ist als wie ein scharfes Schwert,

Das uns durch Leib und Seele fährt.

 


Wer Sünde tut, der ist vom Teufel,

Denn dieser hat sie aufgebracht.


Doch wenn man ihren schnöden Banden

Mit rechter Andacht widerstanden,

Hat sie sich gleich davongemacht.


 

República

 



 


Começaram ontem as comemorações dos 100 anos de implantação da República.


 


Ao contrário dos fundamentalistas da bondade da 1ª República, levantam-se agora os fundamentalistas da monarquia. Sem surpresa, as opções políticas de quem defende uma e outra visão não são inocentes.


 


Os ideais da República não se reduzem à forma como os primeiros responsáveis do novo regime lidaram com os problemas do país e com esses mesmos valores.


 


Desde o 25 de Abril de 1974, ou mais precisamente desde o 25 de Novembro de 1975, podemos considerar que foi fundada a 3ª República em Portugal, aquela em que os ideais republicanos, como a democracia, se realizaram.


 


Cem anos depois o mundo mudou e Portugal com ele.


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...