Carlos, com a mesma simpatia e no mesmo espírito de dúvida, confesso que estou espantada com o seu post. Da minha parte nunca houve complexos em falar dos anónimos da blogosfera - esta é uma altura tão boa como qualquer outra passada ou futura. Sempre entendi este blogue como um espaço de liberdade (doutra forma não estaria cá) e nunca senti que vivêssemos (eu ou o blogue) de louvores divinos a ninguém.
Não percebo o que quer dizer com a hipotética existência de ”os Abrantes”. Não sei quem é o Miguel Abrantes, o Valupi nem dezenas de participantes em vários blogues. Não tenho nada contra o uso de pseudónimos nem contra o anonimato de quem publica ou de quem comenta, a não ser que o anonimato seja o álibi para o insulto e a calúnia gratuitas (o que acontece frequentemente). Se as pessoas que escrevem em blogues são assessores do governo, da oposição, jornalistas, enfermeiros, médicos, economistas, sapateiros, donos (as) de casa, electricistas, estudantes ou outra qualquer ocupação, nada os impede de escreverem e opinarem o que lhes apetece e querem.
Se o Miguel Abrantes tem acesso a documentos a que o Carlos Santos ou eu não temos, seguramente o Carlos Santos terá acesso a documentos que eu nem imagino que existem, tal como eu saberei procurar documentos sobre assuntos da minha profissão que o Carlos, o Miguel Abrantes ou o Pacheco Pereira desconhecem. Isso significa que não os podemos usar? Ou que se os usarmos somos suspeitos?
Suspeitos exactamente de quê? Aquilo que o Carlos está a sugerir é que quem trabalha para o governo não pode ter blogues nem usar os seus conhecimentos profissionais? Onde está a falta de ética dessas atitudes? Ou o Carlos e o Pacheco Pereira sabem de alguma coisa que mais ninguém sabe?
Carlos, aquilo que comentei sobre o post de Pacheco Pereira é que não posso aceitar que se usem insinuações para manipular a opinião, levantando suspeitas de haver pessoas que, de forma ilícita, usam blogues para desinformar, caluniar e insultar quem se opõe ao governo. Porque é isso que Pacheco Pereira diz nesse post e em vários outros que já escreveu. E parece ser esse o resultado final do seu texto, Carlos.
(Também aqui)