14 outubro 2009

Enchentes

 



pintura de Erik Hanson


Emanations variations on black and white I


 


Nem enchentes e marés de sonhos, nem desertos sedentos de sol. Procura-se o meio-termo, o compromisso, a cedência. Sempre mais razoabilidade, mais equilíbrio, mais do mesmo, mais na mesma. Sempre é cedo ou tarde de mais, sempre talvez ou mais um pouco, sempre não há, não pode, sempre mais devagar, sempre degrau a degrau.


 


 


Não tenho mais punhos para cerrar, não sei de mais mastros para navegar, só restam os ponteiros dos segundos, urgentes, impositivos, certeiros, ruidosos, gritos surdos e olhos por todo o lado.


 


 


Mudar, é preciso virar as roupas do avesso, as almas, o mundo.


 


 


Já não tenho braços para tanto mar.

 

12 outubro 2009

A preto e branco

 



pintura de Erik Hanson


Emanations variations on black and white IV


 


A preto e branco atravesso o corpo

desfaço nós sopro cinzas

terra areia.


Tempo.



A preto e branco risco compassos

círculos concêntricos descentrados

esventrados.


Cansaço.

 

11 outubro 2009

Das más notícias

 



 


A vitória de Isaltino Morais em Oeiras significa que os habitantes do Concelho de Oeiras acham que não se deve olhar a meios para atingir os fins.


 

Das boas notícias

 



 


Como não posso falar de boas notícias em Oeiras, falo das óptimas notícias que são as derrotas de Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres e Narciso Miranda.


 


Posso também falar das excelentes notícias que são a vitória de António Costa, em Lisboa, e a derrota de Santana Lopes, também em Lisboa.


 


Depois há a vitória do PS, a nível nacional que, até agora (faltam 926 freguesias por apurar), ganhou mais mandatos nas Câmaras, nas Assembleias Municipais e nas Assembleias de Freguesia.


 


Ainda bem.


 

Lección de existencia / Lição de existência

  



en voz baja / em voz baixa


poemas de Abel Murcia


serigrafias de Marian Nowiński


tradução de José Carlos Dias


Manuela Teixeira Pinto


 


 


He aprendido a compartir tu ausencia


con mi sombra, el vacío


que deja el tacto inexistente de tu mano


en al mía, el silencio de tu voz


al otro lado de ningún teléfono,

esa ciega mirada de todos los objetos

que ocupan tu lugar.

He aprendido a dejar de ser tan yo

por ser un poco tú.

Me asusta sentirme rodeado de tu nada.


 


 


Aprendi a partilhar a tua ausência


com a minha sombra, o vazio


que deixa o toque inexistente da tua mão


na minha, o silêncio da tua voz


do outro lado de nenhum telefone,


esse olhar cego de todos os objectos


que ocupam o teu lugar.


Aprendi a deixar de ser tanto eu


por ser um pouco tu.


Sentir-me rodeado do teu nada, assusta-me.


 

[E]ternamente

 



poema de Luísa Azevedo


pin - uma explicação de ternura


 


Vê como a nossa casa é tão transparente.


O amor cruza as aparentes barreiras de pedra.


Vê-se à luz do dia e toca-se na noite.


Assim ficaremos,


eternizados de mãos dadas!


Ao vento, à chuva, à sombra da lua.


Eu sentirei para sempre aquele toque de ternura.


E tu saberás o quanto fui, e quis ser, tua.


 

*Apesar de você

Não quero acrescentar mais nada a este excelente post, que reproduzo integralmente.


 



 


Hoje você é quem manda

Falou, ´tá falado

Não tem discussão, não.

A minha gente hoje anda

Falando de lado e olhando p´ro chão

Viu?

Você que inventou esse Estado

Inventou de inventar

Toda escuridão

Você que inventou o pecado

Esqueceu-se de inventar o perdão.



(Coro) Apesar de você

amanhã há de ser outro dia

Eu pergunto a você onde vai se esconder

Da enorme euforia?

Como vai proibir

Quando o galo insistir em cantar?

Água nova brotando

E a gente se amando sem parar.




Quando chegar o momento

Esse meu sofrimento

Vou cobrar com juros. Juro!

Todo esse amor reprimido,

Esse grito contido,

Esse samba no escuro.



Você que inventou a tristeza

Ora tenha a fineza

de
desinventar

Você vai pagar, e é dobrado,

Cada lágrima rolada

Nesse meu penar.



(Coro) Apesar de você

Amanhã há de ser outro dia.

Ainda pago p´ra ver

O jardim florescer

Qual você não queria.



Você vai se amargar

Vendo o dia raiar

Sem lhe pedir licença.



E eu vou morrer de rir

E esse dia há de vir

antes do que você pensa

Apesar de você.



(Coro) Apesar de você

Amanhã há de ser outro dia

Você vai ter que ver

A manhã renascer

E esbanjar poesia.




Como vai se explicar

Vendo o céu clarear, de repente,

Impunemente?

Como vai abafar

Nosso coro a cantar,

Na sua frente.

Apesar de você.



(Coro) Apesar de você

Amanhã há de ser outro dia.

Você vai se dar mal, etc. e tal,

La, laiá, la laiá, la laiá?

 




Longe vai o tempo em que o Apesar de você… tinha a limpidez de se aplicar aos ditadores e às ditaduras… Aos maus. Nestes novos tempos o você será muito mais subtil e aplicar-se-á aos resultados perversos do voto popular (acima). Mas não nos surpreendamos que, em consequência desse desperdício, as novas gerações, que nunca precisaram do voto para escorraçar os velhos vocês, se tornem indiferentes à utilização e preservação desse direito de voto, quando constatam que o resultado pode resultar em eleger estes novos vocês... 

 

*A. Teixeira no Herdeiro de Aécio.

 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...