É inadmissível que continuem este tipo de comentários e mistérios. A manutenção deste clima de suspeição corrói qualquer resquício de confiança.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
É inadmissível que continuem este tipo de comentários e mistérios. A manutenção deste clima de suspeição corrói qualquer resquício de confiança.
A Quadratura do Círculo, ontem, mostrou um José Pacheco Pereira inacreditavelmente delirante.
O PS e o Engº Sócrates são capazes de tudo, tal como operação política que tem como o alvo o Presidente da República, a TVI e o jornal Público, leia-se a o mais alto magistrado da Nação e a liberdade de imprensa, entrecortado pelo eu bem sei como é, foi verdadeiramente triste.
Mais triste ainda é a sensação que parece ficar, veiculada pelo PSD, de que Cavaco Silva desvendará o mistério, ou não, conforme quem ganhar as eleições.
Isto é tudo menos sério.
pintura de N.S. Harsha: náusea
Move os dedos com a lentidão com que pensa, com que sente, com que mente. Junta pequenos esgares de falta de jeito, de falta de senso.
Não sabe se falta o Outono ou se sobra o Verão. O cansaço faz-se da viagem que nunca acaba.
Reestrutura e recomeça e refaz, num ciclo infinito de entusiasmos e desesperos, num tempo imerecido de muito e de pouco. Não se basta nem se gosta nem se acha capaz de seguir.
Para quê e para quem, porque sim e porque não, eternamente insatisfeita e descontente, com arroubos apaixonados de vícios e virtudes. Larga máscaras e peles, mas não a larga a vida assim, pesada e sem brio, que arrasta até à náusea.
Ausência congénita de se sentir amada. Até à náusea.
Estamos a poucos dias das eleições legislativas. A pré-campanha iniciou-se sob o signo da vitória do PSD nas eleições para o parlamento europeu, em que Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Pacheco Pereira, para só citar alguns, deram o tiro de arranque para a estratégia que Manuela Ferreira Leite iria seguir.
Essa estratégia seria baseada nas insinuações e suspeições sobre o carácter de Sócrates, a promiscuidade entre o PS e o estado, o autoritarismo, a apropriação dos meios de informação, e o intervencionismo na economia. Assim surgiu a superioridade moral da Verdade em oposição às mentiras de Sócrates e a asfixia democrática, sem que se pudesse compreender quais as propostas e alternativas de governo do PSD. O silêncio foi a arma da cuidadosa direcção do PSD.
Mas aquilo que é construído com pés de barro, com casos fabricados e a criação de factos políticos para lançar cortinas de fumo em relação ao verdadeiro vazio ideológico do maior partido da oposição, não se consegue manter durante muito tempo. E quando menos se esperava, a laboriosa teia de pseudo-censuras, de pseudo-verdades, de pseudo-alternativas, rompe-se com estrondo pela mão de quem menos se esperaria, o Presidente da República.
No dia 27 de Setembro temos que escolher entre um partido que teve a coragem de governar com o objectivo do bem comum e um partido que não tem nada para oferecer a não ser negar o óbvio, desdizer-se permanentemente, mostrar a irresponsabilidade que tem em assuntos sérios, desonrar os compromissos que assumiu, rasgar e não rasgar as políticas sociais, económicas, de educação e de saúde e, pior que isso, mostrar uma incrível falta de respeito pela própria democracia.
No dia 27 de Setembro temos que escolher entre um partido que teve a coragem de governar com o objectivo do bem comum e outros que acenam com políticas económicas e sociais que já provaram a sua incapacidade e iniquidade, num regresso a um passado que alguns tentam apagar, à esquerda e à direita.
No dia 27 de Setembro temos que escolher, temos que votar.
Nota: Também aqui.
Guardo a um canto a réstia
do que sobra de dias sem história
sem chama
sem glória.
Porque sou do mesmo molde
do mesmo sangue que nos acompanha.
Depois de ter dito em Agosto que havia manobras para distrair os portugueses da gravidade do desemprego e da crise, depois de ter falado na liberdade de expressão aquando do despedimento de Manuela Moura Guedes, depois de ter falado de segurança nas suas indagações futuras pós eleitorais e da não ingenuidade da jornalista e do Presidente, Cavaco Silva resolveu demitir Fernando Lima.
Será que Cavaco Silva estava à espera que saísse num jornal o nome do assessor para o demitir?
Será que Cavaco Silva está a tentar reduzir os danos?
Será que Fernando Lima extravasou os seus deveres e os seus temores?
Será que Fernando Lima agiu por conta própria?
Será que Cavaco Silva só soube que era Fernando Lima depois do famoso email ter sido publicado?
Este Presidente, a menos de uma semana de eleições legislativas, tem todos os holofotes em cima dele.
Todos estávamos impacientes à espera da continuação do artigo do Provedor do Leitor, Joaquim Vieira. O artigo publicado hoje - A questão principal - mostra como a liberdade de informação é apenas uma intenção mas que a claustrofobia democrática é uma realidade na redacção do Público.
Para além da questão da forma como José Manuel Fernandes, o Público e o grupo Sonae entendem ser o papel da imprensa livre num país democrático, bem patente na opinião de Belmiro de Azevedo em como alguns governantes (...) querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro nenhum, há uma muito mais importante questão que é urgente clarificar:
O Presidente da República fabricou ou não um facto político para enfraquecer a imagem de Sócrates?
Porque quer o Presidente esperar pelas eleições? As suas explicações e os seus esclarecimentos dependem de quem vencer as eleições?
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...