13 setembro 2009

Conspirações (1)
















 


Convém pararmos um pouco com a vertigem das campanhas e das sondagens, dos ganhadores e dos perdedores de debates e concentrarmo-nos no que rapidamente passa e parece que não tem importância.


 


O artigo do Provedor do leitor, Joaquim Vieira, no Público de hoje – Subitamente neste Verão - é a crónica de uma mistificação encenada e representada, ao que parece, por um Assessor do Presidente da República e por jornalistas do jornal Público. Esta mistificação estaria a ser preparada desde há cerca de 1 ano, não se percebendo porque é que apenas agora o Público decide publicar uma matéria que, segundo as informações relatadas por Joaquim Vieira, não têm qualquer fundo de verdade.


 


Ou seja, até se percebe – há que derrotar José Sócrates a todo o custo. O Freeport já deu o que tinha a dar, mas ainda há uma nova tentativa com a notícia de mais uma conveniente e oportuna carta anónima, cuja credibilidade não existe, portanto é preciso minar o mais que se pode o relacionamento institucional entre o Primeiro-ministro e o Presidente que é, aos olhos dos cidadãos, um garante da estabilidade e também um baluarte da Verdade, contra toda e qualquer Mentira.


 


Muitas dúvidas nos ficam mas há uma que me preocupa mais que todas as outras: se foi um Assessor do Presidente que montou esta peça de mau teatro porque é que o Presidente não agiu em conformidade? Não sabe? Se sabe, o que espera para agir?





 

Contra a abstenção

 



 


Ontem acabaram os debates televisivos entre os líderes dos principais partidos políticos. Ao contrário do que esperava, pelo espartilho, pela forma e pelo tipo, foram muitíssimo interessantes.


 


Descontando a promoção feita pelas estações televisivas e rádios, como se estivessem a motivar as claques para os vários jogos de futebol, houve uma grande atenção aos debates, o que demonstra que as pessoas estão interessadas e preocupadas com o desfecho destas eleições, que estas eleições são sentidas como muito importantes, que há um regresso à disputa ideológica entre direita e esquerda tendo todos os protagonistas procurado explorar e acentuar os pontos de divergência.


 


Outro aspecto muito importante que esteve presente em toda a pré-campanha, antecedendo até estes meses eleitorais, foi a discussão da honestidade, do carácter, da seriedade e da credibilidade política dos líderes partidários e da forma como os seus partidos se posicionam em termos éticos, acentuado pela direita, mais precisamente pelo PSD. O distanciamento que Manuela Ferreira Leite pretende associar à política e aos políticos, colocando-se para além de todos os outros, numa imagem cara a Cavaco Silva e a outras personagens da nossa vida política, que insinuam e estendem a noção populista da desconfiança nessa coisa podre que é a política, não augura nada de bom, caso venha a triunfar.


 


Mas esse populismo foi também experimentado em grande escala pelo BE. Até nesse aspecto esta pré-campanha tem sido esclarecedora, pois desmontou a pose de superioridade moral da esquerda pura, grande e verdadeira, apocalíptica e solidária, imagem que se tinha colado à liderança de Francisco Louçã. Os episódios de Joana Amaral Dias e da concessão da auto-estrada do centro à Mota-Engil são apenas dois exemplos da forma de estar na política de Francisco Louçã.


 


Torna-se crucial que os partidos consigam mobilizar os cidadãos contra a abstenção. É indispensável que a participação cívica seja cada vez maior, mais animada, mais viva, mais discutida. À esquerda e à direita há que apelar ao voto. Não votar é colocar em causa a essência da própria democracia representativa.


 


Nota: Também aqui.

 

Dúvidas blogosféricas

 



 


O exemplar e arguto João Gonçalves, que me brindou com a sua excelsa atenção por causa do meu embasbacamento com um mero produto televisivo, de tão certo das suas certezas, acabou por acordar algumas dúvidas no meu crédulo espírito:


 


Será que quem escreve os seus posts é mesmo o João Gonçalves?


Será que não tem um personal trainer, um assessor, cedido por Santana Lopes ou por Manuela Ferreira Leite, que lhe ajeita a prosa?


 


É que, a avaliar pela sua postura na blogo conferência com José Sócrates, ninguém diria que aquela pessoa de voz amável, a pedir desculpa e a justificar-se pelas suas discordâncias, demorando mais nestes prólogos do que na pergunta em si, ninguém imaginaria que ali estava o autor do portugal dos pequeninos, assim mesmo com letra pequena, como ele.


 

12 setembro 2009

Combate 10 - PSD contra PS - rescaldo

 


Na SIC-N estão vários comentadores a tentar convencer os espectadores de que não houve bem vencedores e vencidos, que afinal as coisas não correram assim tão mal a Manuela Ferreira Leite neste último debate.


 


Eu penso que as coisas correram muito mal a Manuela Ferreira Leite. A quantidade de vezes que disse e desdisse, a atrapalhação com os problemas da verdade, das listas, da Madeira, a mudança de posição entre a sua fase de governação e a sua fase de oposição, o TGV, os espanhóis, aquela inacreditável sugestão para Sócrates falar com os camaradas para pararem as manifestações, as SCUT, a sua opinião, que pelos vistos também se alterou, em relação às funções do Estado e, finalmente, o apoio declarado à política de Educação do governo em 2008, ameaçando Sócrates, caso recuasse, seguido da condenação da mesma política depois de assumir a liderança da oposição.


 


Sócrates exagerou nas SCUT e não respondeu a várias perguntas. Penso mesmo que Clara de Sousa, que esteve bem, foi um pouco mais tolerante para os tempos de Sócrates do que para os de Manuela Ferreira Leite.


 


Se este debate foi decisivo? Disso já duvido. Mas confirmou a melhor preparação de Sócrates e não fez muito pela credibilidade de Manuela Ferreira Leite.


 


Nota: Também aqui.


 

Combate 10 - PSD contra PS

 



 

Deles

 



 


O brilhozinho, os braços de aranhiço, o brilhozinho, o sorriso de esguelha, o brilhozinho, a velocidade dos dedos, o brilhozinho, a expectativa do recomeço.


 


Em todos os palcos, em todas as tintas, em todos os sons, por todas as letras e algarismos, são nossos e já não são, são deles e sempre serão, os dias de cinza e de glória, o aplauso e a demissão, o quarto escuro, a biblioteca, os transportes, as lágrimas e os suspiros, serão sempre deles e eternamente nossos.


 


O brilhozinho esparramado na cama, a acordar. O querer ao alcance da vontade.

 

11 setembro 2009

Estimativas eleitorais (3)









 



 


A Marktest também divulgou uma sondagem. Hoje é o dia de todas as sondagens.


 


Ao contrário dasanteriores, esta sondagem dá um grande aumento de intenções de voto ao BE o que, a confirmar-se, repetirá o fenómeno PRD. Ciclicamente aparecem os moralizadores da vida pública que, tão rapidamente aparecem como desaparecem. O BE não é novidade. A novidade é a capitalização do descontentamento de alguns sectores da sociedade, principalmente os ligados à função pública. Será muito interessante seguir o discurso de Francisco Louçã, pois a sua ambição é transparente e será difícil manter a atitude anti-poder. Será altura de renovação no BE?


 


Quanto aos grandes partidos, a sondagem não difere muito das outras duas. Mais uma vez, é entre estes dois partidos que se disputará a vitória.


 


Tempos muito interessantes e muito importantes se avizinham. É preciso que todos se mobilizem, é preciso que todos participem, é preciso que todos votem.


 


Nota: Também aqui.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...