19 agosto 2009

A extraordinária aliança













 



(pintura de William Gropper: Politicos)


 


Há na sociedade portuguesa a crença generalizada que a direita representa a sobriedade, o rigor, a competência, enfim, a fase adulta de uma democracia responsável, enquanto a esquerda representará o entusiasmo pueril, o idealismo puro e sem realismo, a negligência e o compadrio, a anarquia e a falta de sentido do dever.


 


O governo socialista demonstrou a inadequação desse tipo de classificações, pois aliou o dinamismo, a competência, o sentido do rigor e do serviço público, aos objectivos de solidariedade, de melhoria da qualificação, da formação e da igualdade de oportunidades.


 


As forças políticas à sua direita tiveram que readaptar o discurso, criticando o rumo da governação, acenando com a estatização e governamentalização da vida pública, a falta de liberdade e a menorização de quem defendia as reformas, tentando esvaziá-las de conteúdo. Assim, tentando colar ao governo a imagem de publicidade sem execução, de coveiro da liberdade e da sociedade civil, colocaram-se ao lado dos protestos das corporações, chamando ao governo e aos seus ministros arrogantes, prepotentes e autoritários, nunca conseguindo ultrapassar este discurso nem apresentar alternativas.


 


Às forças políticas à sua esquerda só restava brandir os fantasmas do regresso do salazarismo, da repressão, da falta de liberdade, da reacção, pois um governo que se preocupava com avaliações de desempenho e cumprimentos de orçamentos só podia ser de direita, retrógrado e fascista.


 


Daí a extraordinária aliança entre os partidos à esquerda e à direita do PS a que se assistiu durante estes últimos quatro anos e que está ao rubro nesta campanha. Não interessa discutir projectos, apresentar alternativas, comparar resultados. Não interessa perceber qual a diferença entre as visões do mundo de quem se apresenta a votos. Apenas se discute o carácter dos intervenientes, transformando a pré-campanha em ataques pessoais mesquinhos, achincalhando-se órgãos de soberania, inaceitável numa democracia.


Nota: também aqui.


 

Setas

 



pintura de Nathaniel Davis: arrows


 


1.

Atravesso o corpo como uma seta

olho para a seta sem o corpo

e para o corpo sem a seta

verifico o vazio da seta no corpo

e a ausência do corpo na seta.

Uma vez atravessado

uma vez retirada

entorno o corpo

e reciclo a seta.




2.

Amo as palavras na sua crueza de letras aguadas

pelo som puro de quem saboreia

o silêncio que se instala com a lua

o ar meigo e manso que nos rodeia.

 

You can leave your hat on

 



Joe Cocker


 


 


Baby

take off your coat

real slow.

Take off your shoes

I'U. take off your shoes.

Baby

take off your dress

yes

yes

yes.

You can leave your hat on -

You can leave your hat on -

You can leave your hat on.

Go on over there

turn on the light

no

all the lights.


 


Come over here

stand on that chair

yeah

that's right.

Raise your arms in the air

now shake 'em.

you give me reason to live - you give me reason to live -

you give me reason to live - you give me reason to live.


 


Sweet darling - you can leave your hat on -

You can leave your hat on

baby - you can leave your hat on -

You can leave your hat on - you can leave your hat on -

You can leave your hat on.


 


Suspicious minds are talkin'

they're tryin' to tear us apart!

They don't believe that it is love of mine -

They don't know what love is - they don't know what love is -

They don't know what love is - they don't know what love is -

I know what love is!


 


There ain't no way - you can leave your hat on -

You can leave your hat on - you can leave your hat on -

Give me the reason to live - you can leave your hat on!


 

Fortitude

 



 


A liberdade é um bem escasso que deve ser preservado a todo o custo.


 


A liberdade resiste mal à suspeita, à insinuação e à ignomínia. A liberdade convive mal com os falsos moralismos e a acusação sem fundamento.


 


As pessoas livres sabem que a liberdade não se compra nem se vende, sabem que há riscos em assumir as suas ideias perante aqueles que da liberdade não conhecem mais que um nome, não experimentam mais do que soletrar uma palavra de que lhes escapa o sentido.


 


As pessoas livres arriscam as suspeitas, as insinuações e as ignomínias daqueles que desprezam e traem a liberdade.


 


As pessoas livres estão dispostas a ser livres e praticam a liberdade, surgem mais fortes e mais livres sempre que essa liberdade é ameaçada.


 

Debates de Verão (13)

 


 


Continuam os combates com penas: hoje Paulo Ferreira pelo SIMplex:


  


27 do 9


 


 


 



(...) Ao decidirem votar, os eleitores podem analisar os resultados obtidos pelo actual Governo, considerando também as soluções propostas e atempadamente apresentadas no programa de Governo pelo PS. Esta é uma alternativa clara, assumida e credível. É continuar o caminho das reformas e da modernização do país, um rumo com políticas progressistas a pensar no futuro.





À esquerda do PS promete-se tudo para todos, a troco de nada, sem qualquer noção ou sentido de Estado, promovendo a guerra contra o PS por pura conveniência estratégica e instinto de sobrevivência, usando e abusando da política de terra queimada e assumindo a fuga às responsabilidades do Poder e da governação, como o "diabo foge da cruz". É uma alternativa nula.





À direita do PS, o CDS, que perdeu a oportunidade de crescer durante o mais conturbado período da história interna do PSD, suportado num discurso demagógico e demasiado populista, tenta ser imprescindível ao PSD. Apenas. É uma alternativa de ‘outsourcing'. (...)

 


 



 e Manuel Pinheiro, pelo Jamais.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...