Um dos mitos bastante propagandeados por aí:
A água quente do Algarve...
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
O Beco dos Milagres, de Naguib Mafhouz, fala-nos de um mundo nos arredores do Cairo, durante a II Guerra Mundial. Poderia ser agora e poderia ser noutro lugar. São pessoas nas suas diversas facetas, sem moralismos ou encobrimentos, que vivem dos seus defeitos e das suas qualidades, uns com os outros, uns para os outros, velhos e novos, ricos e pobres.
O grande comerciante que se envenena com o medo da morte, a mulher jovem que sonha com dinheiro e grandeza sem olhar à moral e aos bons costumes, o homem que fabrica deformidades aos mendigos profissionais, o dono do café que é homossexual, o rapaz humilde e pouco ambicioso que se arranca do beco para agradar à sua amada, o homem bom e temente a Deus que sofreu muito e é feliz, o oráculo, a viúva que quer casar, a casamenteira, a mulher forte que bate no marido fraco, enfim, todos os buracos e os voos da alma humana.
Muito interessante e bem escrito (traduzido do árabe por Adel Daroga, com a colaboração de Clara Branco).
pintura de Victoria Horkan
birds of prey
Fundamo-nos em actos prosaicos
insensatos
impensados
frutos do acaso
de milissegundos de escolhas.
Fundamo-nos com as dúvidas
com que crescemos
com as dívidas
dos antepassados mais remotos
que voltam ciclicamente
para nos assombrarem.
Fundimo-nos em silêncios indiferentes
na segurança da rotina
na sapiência da solidão.
Fundimo-nos em crianças carnívoras
a quem damos o pior e o melhor
dos nossos corpos
dos nossos dentes
dos nosso seres
a seres predadores
atentos
sôfregos
independentes
soberbas aves de rapina
que nos amam e agridem
numa repulsa de amor e liberdade.
Desertamos da vida demasiado cedo
demasiado ávidos de a viver.
O Público não olha a meios para atingir os fins. Como órgão de informação, o jornal Público socorre-se de todas as artimanhas para confundir e fazer campanha contra o governo e o PS.
Hoje um dos títulos garrafais era: Cartão do cidadão vai afastar milhares dos concelhos onde querem votar, dando a entender que a existência do cartão de eleitor impedirá que os cidadãos votem na autarquia que quiserem.
Ora os eleitores não podem inscrever-se na autarquia que lhes apetece. Podem ser eleitores da autarquia em que se recensearam, segundo o nº 2 Artigo 239.º da Constituição Portuguesa - Órgãos deliberativos e executivos:
O que, aliás, me parece totalmente correcto. Mas poderia existir a possibilidade de escolhermos a autarquia da nossa eleição para o recenseamento. Mas não é possível, pelo menos atendendo ao Artigo 9.º da lei do recenseamento eleitoral:
Artigo 4.º - Voluntariedade - O recenseamento é voluntário para:
Ou seja, o facto do cartão de eleitor nos colocar automaticamente na nossa freguesia de residência, poupando-nos a preocupação de a alterarmos quando mudamos de casa, é uma forma de reduzir a abstenção e não de a aumentar. Mas, mesmo que por isso não fosse, o cartão de eleitor apenas cumpre o que está na lei.
Se as pessoas que nasceram numa freguesia querem continuar a ter ligações com ela, não me parece que seja através do acto eleitoral.
Gostaria muito que esses responsáveis explicassem a injustiça do assunto e que nos demonstrassem de que forma, e segundo a lei, não por causa do cartão de eleitor, tal é ou tem sido possível.
Nota: também aqui.
Se está calor e me arrasto pesadamente (e penosamente) pela areia, é mais do que natural haver almas caridosas que me ajudem a transportar os haveres de praia, entre os quais se contam as toalhas e o guarda-sol, pequeníssimos pesos para pessoas de porte atlético e que valorizam a minha companhia.
No entanto, alguém ousou comparar-me a
pelo que, apesar de ser contra a minha doce natureza, terei que recordar outras comparações, digamos... aprazíveis.
Maria Rita & Quinteto em Branco e Preto
Eu tentei mas não deu pra ficar
Sem você enjoei de tentar
Me cansei de querer encontrar
Um amor pra assumir seu lugar
Eu tentei mas não deu pra ficar
Sem você enjoei de esperar
Me cansei de querer encontrar
Um amor pra assumir seu lugar
É muito pouco
Venha alegrar o meu mundo que anda vazio, vazio
Me deixa louca
É só beijar tua boca que eu me arrepio
Arrepio, arrepio
E o pior
É que você não sabe que eu
Sempre te amei
Pra falar a verdade eu também
Nem sei
Quantas vezes eu sonhei juntar
Teu corpo, meu corpo
Num corpo só
Vem
Se tiver acompanhado esquece,vem
Se tiver hora marcada esquece, vem
Vem
Venha ver a madrugada e o sol que vem
Que uma noite não é nada, meu bem
Eu tentei mas não deu pra ficar
Sem você enjoei de esperar
Me cansei de querer encontrar
Um amor pra assumir seu lugar
É muito pouco
Venha alegrar o meu mundo que anda vazio, vazio
Me deixa louca
É só beijar tua boca que eu me arrepio
Arrepio, arrepio
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...