A decisão de acabar com as duplas candidaturas às eleições por parte do PS foi uma boa decisão. A esse respeito já tinha manifestado a minha opinião sobre as candidatas Ana Gomes e Elisa Ferreira.
Acho que era preferível que elas próprias quisessem fazer essa escolha. Mas há que não aproveitar a decisão do PS para denegrir as candidatas e tentar justificar o seu ataque, nomeadamente de dentro das estruturas do PS do Porto, que de imediato vem exigir uma decisão de Elisa Ferreira.
A verdade é que, quando estas candidaturas foram propostas e aceites não havia quaisquer tipos de restrições. Inclusivamente a dupla candidatura, tanto de Elisa Ferreira como de Ana Gomes, funcionou como uma bandeira do PS, é bom que não nos esqueçamos disso. Por outro lado, tem sido uma prática de sempre e dos vários partidos políticos que só agora se considera importante, depois de Paulo Rangel, demagogicamente, ter usado o pretexto como arma de arremesso político contra o PS e, pessoalmente, contra as próprias candidatas.
Elisa Ferreira, assim como Ana Gomes, mesmo que não concorde com elas, têm toda a legitimidade de manter a sua posição e parece-me muito negativo que o aparelho partidário mostre ao país a forma como, sob a capa da transparência, faz ultimatos a quem pode não ter vontade de se rodear apenas de indefectíveis militantes.
A tendência de rotular as pessoas de oportunistas e vendidas aos seus próprios interesses acabará por afastar muitos independentes dos cargos públicos. E se tanto se clama contra a partidarização do estado, muito pouco se faz a favor da sua despartidarização.