27 junho 2009

Letras impossíveis

 



(pintura de Andrew Forkner: Goshawk)


 


Pelas ruas passam esquilos

roendo pedras e sussurros

milhafres de vozes aladas

espalham ventos invernosos.


 


Pelo fundo dos segredos

lemos letras impossíveis

adivinhos de incertezas

esperamos espadas de cinza

lentas sombras invisíveis.

 

Our love is easy

 



 


Deep within your heart, you know it's plain to see

Like Adam was to Eve, you were made for me

They say the poisoned vine breeds a finer wine

Our love is easy


 


f you ask me plainly I would glady say

I'd like to have you round just for them rainy days

I like the touch of your hand, the way you make no demands

Our love is easy


 


Our love is easy

Like water rushing over stone

Oh, our love is easy, like no love I've ever known


 


Physically speaking we were made to last

Examine all the pieces of our recent past

There's your mouth of tears

Your hands around my waist

Our love is easy


 


Every time we meet it's like the first we kiss

Never growing tired of this endlessness

It's a simple thing, we don't need a ring

Our love is easy


 


Our love is easy

Like water rushing over stone

Oh, our love is easy, like no love I've ever known


 


Our love is easy

Like water rushing over stone

Oh, our love is easy, like no love I've ever known


 


Deep within your heart, you know it's plain to see

Like Adam was to Eve, you were made for me

They say the poisoned vine breeds a finer wine


 


(Melody Gardot)

Humildade e sobriedade

 


Estamos a assistir a uma rápida agonia deste governo e deste PS. Ao contrário do que muitos esperávamos e queríamos, desmoronam-se as tibiezas, os recuos, os desmentidos, os ministros que são apanhados pelas curvas do processo eleitoral.


 


Sabe-se mas não se sabe, não se sabe mas decide-se, a vozearia dos telejornais, dos jornais, dos jornalistas, dos comentadores, dos assessores, dos apaniguados, dos abutres, dos emergentes, dos ressuscitados, dos cinzentos, dos economistas, dos oportunistas, das informações e contra-informações, das notícias confirmadas e infirmadas, das inverdades, das humildades democráticas, das arrogâncias sóbrias, dos que rasgam e dos que param.


 


Há documentos que são gritados aos quatro ventos, pelos salvadores da pátria que durante anos estudaram, aconselharam, peroraram e governaram, artigos de jornalistas imparciais que apenas conhecem o lado que se lhe encosta à direita, enquanto outros documentos circulam pela inclandestinidade da internet. Há ministros e governantes que se enrolam nas palavras uns dos outros, nas declarações simultâneas ou diferidas, pelo caminho que mais rapidamente vai dar ao abismo.


 


Deixam-nos com um desassombro e um desalento tão enormes que nem nos apetece falar.


 

Intacta memória

 



poema de Sophia de Mello Breyner


pintura de Emre Hüner


 


Intacta memória – se eu chamasse

Uma por uma as coisas que adorei

Talvez que a minha vida regressasse

Vencida pelo amor com que a lembrei.


 

25 junho 2009

A direita em crescendo

 


Melhor ou pior a estratégia do PSD está a resultar. O PSD invadiu e manipulou a discussão política à volta dos investimentos públicos, a coberto dos grandes investimentos (aeroporto e TGV), da crise e do endividamento externo, vieram à tona os economistas e as suas cautelas de 200 anos, que pedem estudos de estudos, dos estudos que estudarão.


 


A simultaneidade das datas das eleições é agora uma melopeia que agrada apenas oas ouvidos do PSD. O negócio da PT e do grupo da TVI é outro mote que agrada ao PSD e que invadiu os media.


 


Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo vende uma líder sem jeito para falar, que não é vaidosa mas que é verdadeira. Uma mulher casada com a Pátria.


 


O PS está a reboque do PSD. Ninguém discute ou faz balanço das políticas da governação dos últimos 4 anos, na saúde, na educação, na administração pública, etc. Ninguém fala de alternativas ou de programas de governo à direita. O PS não está a conseguir fazer esse balanço e não está a conseguir mostrar que o PSD não tem políticas alternativas. Porque o que o PSD propõe é nada de nada.


 


Que seria de nós se, não havendo capacidade de prover a todas as unidades hospitalares aquilo que todos nós consideramos o estado da arte na totalidade das especialidades, não tivéssemos grupos de ponta ou alguns serviços em que se fizesse investigação, bancos de células estaminais, etc.


 


Além disso há um novo actor em cena, a complementar a peça teatral do PSD – o Presidente da República.


 


O PS parece oprimido e com medo de defender alto e bom som a suas propostas. Se o país não gostar delas votará noutros partidos, mas o PS não pode desistir ou titubear nas suas convicções.


 


Neste momento, o PSD tomou a iniciativa; o PS está parado.

 

21 junho 2009

Todos estamos a assistir

 


É muito difícil falar do que apenas se sabe por filmagens mais ou menos amadoras, mais ou menos imparciais, do que se está a passar no Irão.


 


Mas é muito mais difícil não falar. E o que se passa em Teerão é a repressão da liberdade de manifestação, da contestação ao regime e ao ditador, é aquilo que se passa numa ditadura.


 


Muito mais difícil é ficar indiferente. Felizmente já não é possível impedir que o exterior vá assistindo aos gritos, às balas, às multidões, aos protestos, ao sangue.


 


Todos estamos a assistir.


 


 


Adenda: vale a pena ler este excelente post de A. Teixeira.


 

Abruptamente ao contrário

 



 


É sempre tão fácil falar da liberdade de expressão e do situacionismo quando eles não nos batem à porta.


 


A 1ª página do I é pouco simpática para Pacheco Pereira. Quantas vezes não foi ele simpático para Luís Filipe Menezes? O que é que ele está a pagar? Que vingança é a dos jornalistas que puxaram aquela frase para título, que não tenham puxado outras de Pacheco Pereira, sobre colegas de partido, sobre opositores políticos, etc.?


 


A liberdade de imprensa, para Pacheco Pereira, é algo que está entre publicar o que ele escreve e diz e não publicar quem o contradiz.


 


A propósito: ler Tomás Vasques, Nuno Ramos de Almeida e Fernanda Câncio.


 


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...